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Posts Tagged ‘OUTRAR-SE’

o que conta é a novidade do próprio regime de enunciação

In A Little About My Master Degree, academic bursary on November 25, 2009 at 12:33 am

Todo o dispositivo
se define, pois, pelo que detém em novidade e criatividade, o qual marca,
ao mesmo tempo, sua capacidade de se transformar ou se fissurar em
proveito de um dispositivo do futuro.


Pertencemos a certos dispositivos e neles agimos. A novidade de um
dispositivo em relação aos anteriores é o que chamamos sua atualidade,
nossa atualidade. O novo é o atual. O atual não é o que somos, mas aquilo
em que vamos nos tornando, o que chegamos a ser, quer dizer, o outro,
nossa diferente evolução. É necessário distinguir, em todo o dispositivo, o
que somos (o que não seremos mais), e aquilo que somos em devir: a
parte da história e a parte do atual. A história é o arquivo, é a configuração
do que somos e deixamos de ser, enquanto o atual é o esboço daquilo em
que vamos nos tornando. Sendo que a história e o arquivo são o que nos
separa ainda de nós próprios, e o atual é esse outro com o qual já
coincidimos.

Devemos separar em todo dispositivo as linhas do passado recente e as linhas do futuro
próximo; a parte do arquivo e a do atual, a parte da história e a do devir, a
parte da analítica e a do diagnóstico. …
Não se trata de predizer, mas estar atento ao desconhecido que
bate à nossa porta.

rompe o fio das teleologias transcendentais e aí onde
o pensamento antropológico interrogava o ser do
homem ou sua subjetividade, faz com que o outro e o
externo se manifestem com evidência. …
estabelece que somos diferença, que nossa razão é a
diferença dos discursos, nossa história a diferença
dos tempos, nosso eu a diferença das máscaras.

Se Foucault deu tanta importância às suas [performances públicas] até o fim
da vida, em França e mais ainda no estrangeiro, não foi pelo gosto da
entrevista, mas porque as linhas de atualização que traçava exigiam um
outro modo de expressão diferente daquele próprio dos grandes livros. As
[aparições] são [espécies de] diagnósticos.

#Deleuze + #Foucault

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É minha forma de “outrar” >> Além de fórmula poética, seria o outrar-se, uma ética?

In therefore i am, thinking: i purchase on September 21, 2009 at 7:29 pm

“… esse estar diante do outro ou na presença do outro implica necessariamente a questão ética;

interroga-se nesta comunicação se, além de fórmula poética, o outrar-se se propõe também [a] uma reflexão ética.”

RT: interessante resumo do artigo Além de fórmula poética, seria o outrar-se, uma ética? de José Ney Costa Gomes :: 1a pagina Google Search Engine, quaro item scoling down* ha cerca de 15 minutos. TAGs É minha forma de “outrar” [frase via Dashboard at 2nd Top Searchs]

_____________

*Copy&Paste:

Outrar-se ou a Longa Invenção de Mim – WOOK
… Literatura > Outras Formas Literárias > Outrar-se ou a Longa Invenção de Mim …. Outras Formas Literárias · Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes …
http://www.wook.pt/ficha/outrar-se-ou-a…/82423 – Em cache – Similares
#
tornar-se outro [Outrar-se vs. Antropofagia e Antropoemia …
com acréscimos de multiplicidades [formas de estar no mundo]. *no Outrar-se há sempre um deslumbramento com o novo — podendo este novo [o outro] ser ‘o …
surveillanceme.wordpress.com/…/tornar-se-outro-outrar-se-vs-antropofagia-e-antropoemia/ – Em cache – Similares
#
“outrar”, no verbo de Fernando Pessoa « spectacle+surveillance …
É minha forma de “outrar”, no verbo de Fernando Pessoa. Por isso, adoro esta passagem de Brecht: “eu pensava dentro de outras cabeças; …
surveillanceme.wordpress.com/…/“outrar”-no-verbo-de-fernando-pessoa/ – Em cache – Similares
Exibir mais resultados de surveillanceme.wordpress.com
# [PDF]
1 Além de fórmula poética, seria o outrar-se, uma ética …
Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat – Visualizar
analisam-se trechos vários em que o tema é posto de forma mais explícita. Introdução. Inicio minha comunicação fazendo uma pergunta complexa: a fórmula …
http://www.abralic.org.br/enc2007/anais/52/1521.pdf – Similares

metropole+TV #01

In A Little About My Research Project, therefore i am, thinking: i purchase on September 21, 2009 at 12:11 am

“…a vida em sociedades urbanizadas é capaz de gerar conseqüências psicológicas nos indivíduos que dividem o espaço das cidades. E, para defender-se dessas conseqüências na maioria das vezes nefastas, os cidadãos metropolitanos são levados a adotar uma série de comportamentos como contatos superficiais (evitando assim o excesso de estímulos nervosos), intelectualização do “self”, e até mesmo o que o autor chama de atitude blasé.

  • o de espaço urbano (como o espaço onde as relações se dão através do comércio, ou seja, da circulação de moeda);
  • a relação dicotômica entre a dependência gerada pela divisão social do trabalho e a autonomia conquistada nos espaços urbanos;
  • a idéia de indivíduo multifacetário que possui liberdade para vivenciar diferentes aspectos de sua identidade;
  • comportamento mental urbano que seria caracterizado pelo distanciamento das relações afetivas,
  • a instauração de relações primordialmente mecânicas direcionadas a determinados fins e feitas através da moeda;
  • intelectualização que seria exatamente esse afastamento do indivíduo do excesso de relações e estímulos afetivos numa grande sociedade;

Partindo do mesmo lugar de onde Weber inicia sua análise da formação do espaço urbano, Simmel também vê a cidade como um local de mercado em essência.

postula-se que os indivíduos metropolitanos adotam certa ‘vida mental’ para que possam continuar a viver nessa sociedade, isso incluiria um distanciamento das relações afetivas.

[grifos meus]

O espaço urbano seria, portanto, um espaço dicotômico, pois, criaria cada vez mais relações de dependência através da divisão social do trabalho, porém essas relações seriam suprimidas e ao invés de relações pessoais de dependência, os indivíduos teriam relações mediadas por algo neutro: papel desempenhado pela moeda nessa economia. …  Ao mesmo tempo, a esfera da autonomia seria desenvolvida cada vez mais, pois haveria maior liberdade aos indivíduos e menor coerção típicas de pequenos grupos sociais, essa liberdade permitiria o surgimento de indivíduos multifacetários capazes de expressar os mais diferentes aspectos de sua identidade. … indivíduos ‘nativos’ das sociedades urbanas modernas.

[grifos meus]

desde a era pós-Revolução Industrial até os dias atuais, ou seja, no contexto de globalização. [dec80/90?]

…”

resumos onlines >> SIMMEL, G. A Metrópole e a Vida Mental

“…

Esses ‘fiapos’ de liberdade de escolha e de ação constituem,  entretanto, aquilo que permite que a impessoalidade, a desintegração etc. de que falam Simmel, Wirth, Redfield, e outros, não possam ser entendidas como generalizadas e sem resposta. Porque os grupos sociais surgidos da divisão social do trabalho e da heterogeneidade cultural tendem a articular suas experiências comuns em torno de certos valores, tradicionais ou não. Assim, se o habitante da cidade … que determina em que instâncias e espaços apresentará a sua ‘identidade’, ele utilizará os vários conjuntos de símbolos em suas interações e opções cotidianas, tecendo, com os ‘fiapos’ de liberdade de escolha, de modo criativo, novas redes sociais, interpretando, reinterpretando, rearticulando e selecionando aqueles que melhor se encaixam em sua visão de mundo. E assim a cidade se torna uma cidade boa para se viver.

[grifos meus]

A procura de novas formas de identidade, a difusão de estilos de vida diferenciados, a experimentação que tenta criar novas unidades sociais mais ‘afetivas’, a multiplicação de possibilidades de engajamento são tentativas de resposta a essa situação, ao sentimento de massificação.

[grifos meus]

O encontro do ‘outro’, organizado em grupos que visam a esse fim (em clubes, associações, bares, turmas de paquera, times de futebol, terreiros, igrejas, movimentos de minorias, movimentos reivindicatórios, …) representa a tentativa de resposta e remédio para o sentimento de solidão urbana e permite o uso da criatividade na elaboração de códigos e regras, como que ‘recriando’ a sociedade.

Muitos grupos se organizam mesmo como se fossem seitas e parecem ter, como primeira função, dar uma identidade e assegurar uma inserção …, ampliando a rede de troca e sociabilidade e enriquecendo a experiência pessoal. Todos esses fenômenos são experiências de reconstrução de relações sociais diretas e personalizadas.

[grifos meus]

Rita Amaral (O Homem Urbano, 1992: 36-37)

Simmel [via Abruzesse]: relacao com Sennet… […] TV, CIDADE, REDES e VISIBILIDADE, ESPAZOS PUBLICOS

TAGs >> simmel | metropole

A procura de novas formas de identidade, a difusão de estilos de vida diferenciados, a experimentação que tenta criar novas unidades sociais mais “afetivas”, a multiplicação de possibilidades de engajamento são tentativas de resposta a essa situação, ao sentimento de massificação.

hipertexto

In therefore i am, thinking: i purchase on September 11, 2009 at 6:18 am

hj assisti[mos] “Alice in the City” [1973], Polaroid sx70

II – O Meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender …
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

por Alberto Caeiro [Fernando Pessoa]

[Já] Álvaro de campos é a faceta pessoana do futurismo, do desvairismo, do cosmopolitismo pós-moderno, do culto ao progresso, dos sentidos múltiplos e infinitos, das sensações imperfeitas que refletem uma época de grandes avanços tecnológicos e de grandes fracassos sociais e morais, como as duas grandes guerras mundiais que devastaram o espírito da paz entre os povos e seus ideais de igualdade, liberdade e fraternidade.

O Bailado de Flávio de Carvalho

In the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 27, 2009 at 2:14 am

“…o extremo cuidado com cada palavra e gesto diante da presença do outro!

…mas já não mais o outro ‘de fora’, mas o Outro em mim!

Não existe o tocar que não seja, simultaneamente, ser tocado.

…conduz nosso olhar para aquele que foi um dos primeiros performers brasileiros

(embora, Flávio, preferisse o termo ‘experiência’)…”

txt retirado do “programa-da-peça”*

flavio de carvalho1

Flávio de Carvalho em Experiência nº 3, [Traje de Verão, Traje Tropical :: realizada publicamente em 1956]

“ele sai andando pelas ruas de São Paulo vestido com o traje de verão do “novo homem dos trópicos” (ou new look), desenhado por ele, e que consistia em uma roupa para ambos os sexos: uma blusa de náilon, um saiote com pregas e um chapéu transparente, vestidos com meia-arrastão e sandálias de couro.”

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

experiência —

“Explorando o campo semântico de experiência, vamos nos deparar com a acumulação de conhecimentos, o saber que advém das vivências, os atravessamentos que os acontecimentos impõem a todo aquele que se encontre em posição de enfrentar o desconhecido, e a superação de limites, inclusive de riscos. … respeitando sua etimologia pode ser:

uma travessia de risco.

* O Bailado de Flávio de Carvalho @ Centro Cultural FIESP

“… propõe uma reaproximação do universo turbulento, teatral e plástico desse artista insuficientemente visitado. Seus escritos e atitudes provocadores e radicais já prenunciavam nos anos 30 do século passado os dias atuais…

…O eixo condutor do espetáculo é a peça Bailado do Deus Morto, escrita e encenada por ele em 1933. Em torno desse eixo, estão as famosas experiências do artista, as pinturas e as suas instigantes reflexões acerca do homem moderno.”

flavio de carvalho3

demais links acessados [imagens] para este post:

http://luccasjc.flogbrasil.terra.com.br/foto16283763.html

http://www.artesdoispontos.com/viu.php?tb=viu&id=18

Elogio aos errantes. Breve histórico das errâncias urbanas (1) por Paola Berenstein Jacques | outubro 2004

“…O engenheiro civil, arquiteto, escultor e decorador Flávio de Carvalho, como ele se denominava, ficou mais conhecido por suas pinturas e obras arquitetônicas, do que por suas errâncias urbanas, que ele denominou de Experiências.

A Experiência nº 2 realizada em 1931 e publicada em livro homônimo (com o subtítulo, uma possível teoria e uma experiência), consistia na prática de uma deambulação, com um tipo de boné cobrindo a cabeça, no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi pelas ruas de São Paulo, como ele conta em seu livro: “Tomei logo a resolução de passar em revista o cortejo, conservando o meu chapéu na cabeça e andando em direção oposta à que ele seguia para melhor observar o efeito do meu ato ímpio na fisionomia dos crentes.” Depois de algum tempo a multidão se voltou contra ele, que teve que fugir e se refugiar em uma leiteria. Quando a polícia o prendeu ele disse que estava realizando uma “experiência sobre a psicologia das multidões”. Nos jornais do dia seguinte as manchetes destacavam: “Na procissão uma experiência sobre a psicologia das multidões da qual resultou sério distúrbio” (O Estado de São Paulo. São Paulo, 9 de junho de 1931). …”

outrarse again [Aristóteles & Platão]

In academic bursary on July 22, 2009 at 3:00 am

16 de Junho de 2009
O Banquete, de Platão

O Banquete trata da amizade, do amor e é um dos diálogos de Platão da categoria política.

Mas como a discussão sobre a amizade pode inserir essa obra na problemática política?

Para Platão, a amizade é uma força educadora e nexo que mantém o Estado.

A amizade é “forma fundamental de toda comunidade humana que não seja puramente natural, mas sim uma comunidade espiritual e ética.”

Não é possível existir uma comunidade que não seja baseada na amizade,

pois essa tende para aquilo que é o bem e este une os homens.

O bem é aquilo que é supremo, está impresso na alma, é o primeiro amado,

aquilo que permite a admiração pelas demais coisas,

em outras palavras, antes de tudo vem o bem, para o qual o ser humano deve voltar-se,

aquilo que tudo une,

ente unificador.

_________________________

in

http://resumofacil.blogspot.com/

[acesso: 22 de julho de 2009]

_________________________

Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Ética a Nicômaco

Três são as coisas que o homem ama, segundo Aristóteles, logo, três são as formas de amizade:

pelo útil, prazer e bem.

Os homens que amam em busca do útil,

buscam um bem imediato, riquezas ou honras.

Ama-se,

não em vista do fim em si mesmo,

mas como meio de adquirir vantagens.

A forma em função do prazer é semelhante à forma de se amar pelo útil.

Busca-se o prazer recíproco.

A amizade é estável enquanto persistir este elo prazeroso.

Estas duas espécies de amizade são acidentais.

Quando uma das partes cessa de ser agradável ou útil, a outra deixa de amá-la.

Na terceira forma, pelo bem, ama-se o outro por aquilo que ele é.

Ama-se pela bondade.

É a verdadeira forma de amizade e só é possível entre os amigos bons

com senso de justiça e equidade.

Esta forma de amizade não é muito freqüente.

Ela exige tempo, familiaridade, um habitus,

digna entre os amigos bons e virtuosos.

E a phrónesis auxilia na escolha de amigos recíprocos.

Para Aristóteles o amigo é um outro eu,

possibilidade de autoconhecimento.

Conhecemo-nos olhando para o outro.

Devido a nossa finitude, procuramos atingir à perfeição moral no espelhamento do outro.

É um momento essencial da vida feliz

e implica reconhecimento, bondade e reciprocidade,

atingindo a expansão social do eu.

Assim, a amizade também é um bem supremo,

um valor que nos conduz à eudaimonia

– vivência da plenitude humana, mediada com amigos bons e vida contemplativa –

No livro X da Ética a Nicômacos vemos o conceito de prazer e sua relação com as excelências do homem.

Desejo :: Spinoza em Lacan

In academic bursary on July 16, 2009 at 5:05 am

na dor de existir, uma anestesia referida à própria condição (Lacan, [1966] 1995). Sua apresentação se atesta como uma ausência de sensibilidade que acomete o sujeito incapaz de localizar, no mundo, um valor que justifique sua presença. Carente de algo que possa lhe dar sentido, o sujeito se vê privado da tensão essencial ao desejo que confere à percepção do mundo uma intencionalidade própria. … indivíduos que se mostram apáticos, desprovidos de intencionalidade, pessoas que num certo momento se vêem incapazes de localizar, na superfície extensa e tediosa que para elas se tornou a realidade, a tensão que imprime ao mundo a verticalidade do desejo.

A depressão revela a condição de desamparo de que falava Freud, da qual tentamos nos proteger construindo uma rede de vínculos ilusórios a que chamamos de amor e de sentido da vida, sem que se saiba o que isso quer dizer: é preciso estar inconsciente de uma ilusão [jogo] para que ela [este] nos sustente. … rede ilusória de sentido e amparo da qual se constitui o laço social

Tal como, para a medicina, a febre e a dor são signos externos de afecções variadas, que podem ocorrer tanto nas infecções quanto nas afecções reumáticas, a depressão, para a psicanálise, não mais é do que a expressão afetiva de um retraimento libidinal que pode ocorrer em todas as estruturas clínicas.

A falta de vontade constante … corresponde … a uma recusa ética de situar, através do pensamento, a estrutura simbólica que o determina no inconsciente.  … É preciso criar uma tensão do pensamento e examinar de perto três referências aqui essenciais para se entender o que está em questão nessa definição [para Lacan] … Essas referências são Dante, Spinoza e a noção de pecado, ou de falta moral.

Impossível não evocar aqui o filósofo Martin Heidegger ([1929-1930] 1992), para quem a experiência do tédio (Langeweile), como aquilo que nos arrasta e nos deixa vazio, alimenta-se precisamente de sua ausência de localização.

se sua ética [@Spinoza] se estabelece como um projeto que visa a determinar a lógica da afetividade, é porque ele supõe a natureza como uma rede de conexões causais cuja inteligibilidade pode e deve ser alcançada pelo pensamento.


ÉTICA = LÓGICA DA AFETIVIDADE

[a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil]

Se o corpo humano foi uma vez afetado por dois corpos ao mesmo tempo, quando mais tarde o Espírito imaginar um dos dois, imediatamente ele se lembrará do outro. Ora, as imaginações do espírito indicam mais os afetos de nosso corpo do que a natureza dos corpos exteriores: logo, se o corpo, e, por conseguinte, o espírito, foi uma vez afetado por dois afetos, quando mais tarde um dos dois o afetar, o outro o afetará também (Spinoza, 1988: 226-227).

Há, por conseguinte, aos olhos de Spinoza, uma contingência associativa entre o afeto e seu objeto, a qual se confirma logo após, na Proposição XV, quando ele afirma que “qualquer coisa pode ser acidentalmente causa de alegria, de tristeza ou desejo” (Spinoza, 1988: 226-227). Daí se entende, conforme se lê no Escólio:

que pode acontecer que amemos ou que odiemos certas coisas sem que conheçamos a razão para isso, mas somente por simpatia ou antipatia. E é a isso que se deve igualmente relacionar os objetos que nos afetam com alegria ou tristeza pelo simples fato que tenham alguma semelhança com objetos que nos causam habitualmente os mesmos afetos (Spinoza, 1988: 228-229).

Conforme se lê na definição 5 do livro I, por modo se entende “as afecções de uma substância, ou seja, o que é em outra coisa e que também se concebe por essa outra coisa” (Spinoza, 1988: 14-15). Modos são, portanto, segundo traduz Deleuze, poderes de afetar e ser afetado por aquilo que lhe é conexo, donde se infere que a Spinoza interessa uma ontologia conectiva, uma ontologia cujos elementos se definem por sua conexões. Afirmar, portanto, que “Deus (ou a natureza) produz uma infinidade de coisas numa infinidade de modos” (Livro I, proposição XVI) (Spinoza, 1988: 44-45) significa dizer que os efeitos gerados pela natureza são seres reais que têm uma essência e uma existência próprias, mas que não existem e não estão fora dos atributos nos quais eles são produzidos. Sendo a natureza uma vasta rede de conexões causais, os seres, por sua vez, são poderes de ser afetado e de afetar, tanto no plano do corpo quanto no plano do pensamento.

A ontologia espinosista refere-se assim aos seres não pela abstração de sua forma, mas pelos afetos que são capazes de provocar e receber.

Para ir diretamente ao ponto, pode-se resumir dizendo que é próprio da paixão preencher nosso poder de ser afetado por algo do qual não somos a causa, separando-nos de nossa potência de agir. Quando se encontra um corpo exterior que não convém com o nosso (ou seja: cuja conexão com ele não se compõe), nossa potência de agir é diminuída e o afeto correspondente é a tristeza. Já quando este corpo nos convém, nossa potência de agir é aumentada, suscitando a experiência da alegria. Mas a alegria ainda é uma paixão, posto que ligada a uma causa exterior. Ficamos ainda separados de nossa potência de agir. É preciso, portanto, com relação a uma paixão, chegar ao princípio exato do seu conhecimento, para assim transformá-la em ação. Nesse sentido, a tristeza corresponderia, aos olhos de Spinoza, à impotência em que se encontra o sujeito diante de um afeto que, por se mostrar confuso, não lhe permite encontrar a necessidade lógica pela qual ele determina o seu agir. Seu corolário seria o abatimento, o qual se traduz, clinicamente, ao modo da deflação libidinal que se manifesta na perda de iniciativa do sujeito

É necessário, portanto, que haja desejo de conhecimento do verdadeiro como afeto para suprimir a tristeza de nossa condição de impotência. Mas se considerarmos, como se lê na proposição XV, que o desejo oriundo do verdadeiro conhecimento pode ser extinto ou contrariado por muitos outros desejos que nascem dos demais afetos que nos dominam, como então evitar uma conclusão pessimista acerca de nossa condição, a qual em nada condiz com o programa de Spinoza?

para Spinoza, o conhecimento verdadeiro é impotente contra os afetos

Há que existir em nós um sujeito, que não é decerto uma substância, mas que se afirma no próprio ato do pensamento. Pois, se é verdade, como afirma desde o início Spinoza, que o espírito é a idéia do corpo, essa idéia não é um simples efeito ou reflexo do corpo. A idéia não é a correspondência mental do objeto, ela não somente lhe é distinta (a idéia do círculo não é circular, como já se lê desde a Reforma do Entendimento) como também supõe algo mais do que seu objeto: ela é sua afirmação.

Sendo, pois, a idéia uma afirmação, e não uma simples representação do seu objeto, ela deriva necessariamente da atividade ou do esforço de quem a afirma, esforço no qual se articulam, aos olhos de Spinoza, a razão e os afetos. É, portanto, no cerne dessa atividade que razão e afetos encontram uma raiz comum, que permite tratar um pelo outro: o conatus pelo qual se designa o esforço para perseverar no ser. Ao conatus corresponde, assim, segundo assinala Deleuze, “a função existencial da essência, ou seja, a afirmação da essência na existência do modo” que lhe confere duração. Se a razão se afirma, então, ao estabelecer relações inteligíveis entre aquilo que nos afeta, é porque sua atividade consiste em construir o que Spinoza nomeia de noções comuns, ou seja, “idéias que se explicam formalmente por meio de nossa potência de pensar” (Deleuze, 1968: 258), idéias das quais somos a causa adequada. Diferentemente, portanto, das idéias confusas que nos chegam através da sensibilidade, as noções comuns se apresentam como idéias claras e distintas, porquanto dependem unicamente da própria afirmação da racionalidade, cuja atividade consiste em ligar o que convém com a nossa composição.

Mas a razão – nunca é demais lembrar – não se exerce jamais exteriormente aos afetos. São as paixões alegres que nos conduzem, segundo Spinoza, a formar as noções comuns que lhes correspondem, gerando assim o princípio indutor da atividade da razão. Assim, se a idéia produzida por uma paixão alegre tem sua causa fora de nós, a idéia, que essa paixão induz, do que é comum a nosso corpo e ao que lhe é exterior é produto da razão somente, manifestando assim nossa potência de agir. … Pois a razão, insiste Spinoza, não demanda nada contra a Natureza; ela pede somente que cada um busque o que lhe é útil, que cada um deseje o que o conduza realmente a um estado de perfeição maior, que cada um, enfim, se esforce, segundo sua potência, em se conservar no ser.

homologia entre a ética espinosista do bem pensar e a ética lacaniana do bem dizer.

distintamente da perspectiva de Spinoza, para quem a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil, o que está de acordo com a sua composição, o que convém a seu esforço de perseverar no ser, o que a psicanálise isola, no cerne de sua experiência, é justamente o objeto causa de desejo como algo de essencialmente inútil, que em nada serve a seu esforço de perseverar no ser.

O que a psicanálise isola no fundo, diz Jacques-Alain Miller (2004-2005), é uma peça sem uso, uma peça fora de toda e qualquer conexão na maquinaria significante. Esta peça avulsa, que para nada serve, é a figura do sem sentido, figura daquilo que não se emenda na significação, que não se ajusta à composição do ser falante.

Essa peça corresponde, enfim, como se pode adivinhar, à radical ausência, que a psicanálise explicita, da conexão sexual enquanto elemento irredutível de contingência. … Não é em todo caso fortuito, vale lembrar, antes de concluir, que a beatitude espinosista, enquanto lugar de realização de uma racionalidade integral, esteja condicionada pelo esquecimento da questão da sexualidade, diante da qual todo pensamento é débil (Miller, 2004-2005).



[acesso: 16.07.2009]
@Antônio M. R. Teixeira Depression or thought’s laziness? Reflexions on Lacan’s Spinoza


LIBERDADE É FAZER O QUE SE QUER E QUERER O QUE SE FEZ

In academic bursary, life2009 on July 14, 2009 at 10:20 pm

Abril deste ano foi um mês-espiral pra mim.

Enquanto alguns rapazes [ao redor dos 20 anos de idade] pichavam — livres e radicais — os muros da cidade com uma frase que, aos aficcionados por cinema, parecia oriunda do cinema marginal da década de 70, a cidade sintonizava-se, pelo menos a quem a recebia e percebia: falávamos todos de amor, de amar. Com um fascínio louco por sair gritando isto por aí, que obrigassem a tds a  escutá-los, a nos escutar!!!

A verdade é que eu não sei se eu vi ou se me falaram. Ou se primeiro eu vi e dps me falaram ou vice-versa… mas, virou uma certa memória comum tbm aqui no espaçø públicø de mentes coletivas:

O amor é importante, porra! [28deMarçode2009]

——– ——— ——– poesia em rede:

[25 min. a pé de casa, num caminhar tranquilo]

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos, qto mais curtos…

ou seria

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos… qto mais, curtos…

?

[e lá, a terra dos antropoemicos e antropofagicos cidadaos civilizados!]

ETICA NA REDE

In academic bursary on July 14, 2009 at 6:05 pm

a etica na rede eh uma “etica positiva”?

————————————————————————————–
axioma/ ver.#1 “Para nos relacionarmos precisamos de encontros, a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos

————————————————————————————-#Spinoza [linka onde? em quais protocolos? Google, Yahoo! Amazon Answers Creative Commos delicious eBay Wikipedia … Get more search engines]

dificil criar pseudônimos-reais em uma sociedade virtual… […]

positivo em uma “lógica ‘capitalista'”? #cookies

positivo = paz de espírito? :: paz de espírito = no nóias/ no split minds!]

DESEJO em SPINOZA #01

In academic bursary on July 14, 2009 at 1:35 pm

Estou há semanas para digitalizar os grifos & notes da Etica de Baruch Spinoza [1632-1677]

pra quê?! >> ‘just’ google it, copy & paste << then quote

— TAGs: Spinoza | Afeto | Potência | Conatus —

resumao rapido:
[dei uma grifada aki nas questoes basicas de Spinoza]

  1. Para nos relacionarmos precisamos de encontros, e Spinoza diz que a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos.
  2. O índice em nós para sabermos se o encontro foi bom ou ruim é o que ele define como sendo afeto.
  3. Afeto é então definido como uma variação intensiva, uma quantidade intensiva,
  4. que está diretamente relacionada com o aumento ou diminuição das nossas potências.
  5. Spinoza nos fala de dois afetos, ou paixões primárias da alma, que são: a alegria e a tristeza.
  6. A alegria é o afeto que aumenta nossa potência de agir, seria uma variação intensiva positiva, para mais.
  7. Já a tristeza é o afeto que faz com que aconteça uma diminuição da nossa potência de agir.
  8. Podemos dizer então que a alegria está ligada à expansão, e a tristeza ao constrangimento. Os outros afetos variam desses dois.

—————

<< Os afetos primitivos (ou primários) são três: desejo (conatus), alegria (quando gera aumento do conatus) e tristeza (quando gera diminuição do conatus). >>
vou ter q reler a etica e as notes veias… nao lembrava de q ‘desejo’ era um dos primitivos afetos em spinoza…
desejo=conatus

  1. Conatus (Latin for effort; endeavor; impulse, inclination, tendency; undertaking; striving) is a term used in early philosophies of psychology and metaphysics to refer to an innate inclination of a thing to continue to exist and enhance itself.
  2. o conceito de conatus=a força genética do comportamento. É um impulso original ou “começo interno” do movimento animal para se aproximar do que lhe causa satisfação ou para fugir do que lhe desagrada. Esse conatus impulsiona o homem a vencer sempre. A vida começa com o conatus positivo, o desejo. Em termos de vida social, ultrapassar o outro é fonte primordial de satisfação, por isso estar continuamente ultrapassado é miséria enquanto ultrapassar continuamente quem está adiante é felicidade. É da sua natureza o egoísmo, constituído por “um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder que só termina com a morte” .
  3. Espinosa faz uma distinção perspicaz entre apetites e desejos. Os apetites são pulsões originalmente corporais, como a fome, a sede e as relacionadas à sexualidade. Os desejos correspondem à consciência dos apetites — são os apetites percebidos no plano consciente. A difererença que Espinosa estabelece entre apetites e desejos é semelhante à que o neurocientista António Damásio faz, respectivamente, entre emoções e sentimentos.21 Para Espinosa, o desejo é a essência do ser humano. Não desejamos as coisas porque as consideramos boas: ao contrário, nós as consideramos boas porque as desejamos.22 A idéia espinosana de desejo mais tarde encontraria ressonância no que Schopenhauer, no século 19, chamaria de vontade de viver, e Nietzsche, no mesmo século, denominaria de vontade de poder.

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