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Posts Tagged ‘OTHERING YOURSELF’

o que conta é a novidade do próprio regime de enunciação

In A Little About My Master Degree, academic bursary on November 25, 2009 at 12:33 am

Todo o dispositivo
se define, pois, pelo que detém em novidade e criatividade, o qual marca,
ao mesmo tempo, sua capacidade de se transformar ou se fissurar em
proveito de um dispositivo do futuro.


Pertencemos a certos dispositivos e neles agimos. A novidade de um
dispositivo em relação aos anteriores é o que chamamos sua atualidade,
nossa atualidade. O novo é o atual. O atual não é o que somos, mas aquilo
em que vamos nos tornando, o que chegamos a ser, quer dizer, o outro,
nossa diferente evolução. É necessário distinguir, em todo o dispositivo, o
que somos (o que não seremos mais), e aquilo que somos em devir: a
parte da história e a parte do atual. A história é o arquivo, é a configuração
do que somos e deixamos de ser, enquanto o atual é o esboço daquilo em
que vamos nos tornando. Sendo que a história e o arquivo são o que nos
separa ainda de nós próprios, e o atual é esse outro com o qual já
coincidimos.

Devemos separar em todo dispositivo as linhas do passado recente e as linhas do futuro
próximo; a parte do arquivo e a do atual, a parte da história e a do devir, a
parte da analítica e a do diagnóstico. …
Não se trata de predizer, mas estar atento ao desconhecido que
bate à nossa porta.

rompe o fio das teleologias transcendentais e aí onde
o pensamento antropológico interrogava o ser do
homem ou sua subjetividade, faz com que o outro e o
externo se manifestem com evidência. …
estabelece que somos diferença, que nossa razão é a
diferença dos discursos, nossa história a diferença
dos tempos, nosso eu a diferença das máscaras.

Se Foucault deu tanta importância às suas [performances públicas] até o fim
da vida, em França e mais ainda no estrangeiro, não foi pelo gosto da
entrevista, mas porque as linhas de atualização que traçava exigiam um
outro modo de expressão diferente daquele próprio dos grandes livros. As
[aparições] são [espécies de] diagnósticos.

#Deleuze + #Foucault

É minha forma de “outrar” >> Além de fórmula poética, seria o outrar-se, uma ética?

In therefore i am, thinking: i purchase on September 21, 2009 at 7:29 pm

“… esse estar diante do outro ou na presença do outro implica necessariamente a questão ética;

interroga-se nesta comunicação se, além de fórmula poética, o outrar-se se propõe também [a] uma reflexão ética.”

RT: interessante resumo do artigo Além de fórmula poética, seria o outrar-se, uma ética? de José Ney Costa Gomes :: 1a pagina Google Search Engine, quaro item scoling down* ha cerca de 15 minutos. TAGs É minha forma de “outrar” [frase via Dashboard at 2nd Top Searchs]

_____________

*Copy&Paste:

Outrar-se ou a Longa Invenção de Mim – WOOK
… Literatura > Outras Formas Literárias > Outrar-se ou a Longa Invenção de Mim …. Outras Formas Literárias · Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes …
http://www.wook.pt/ficha/outrar-se-ou-a…/82423 – Em cache – Similares
#
tornar-se outro [Outrar-se vs. Antropofagia e Antropoemia …
com acréscimos de multiplicidades [formas de estar no mundo]. *no Outrar-se há sempre um deslumbramento com o novo — podendo este novo [o outro] ser ‘o …
surveillanceme.wordpress.com/…/tornar-se-outro-outrar-se-vs-antropofagia-e-antropoemia/ – Em cache – Similares
#
“outrar”, no verbo de Fernando Pessoa « spectacle+surveillance …
É minha forma de “outrar”, no verbo de Fernando Pessoa. Por isso, adoro esta passagem de Brecht: “eu pensava dentro de outras cabeças; …
surveillanceme.wordpress.com/…/“outrar”-no-verbo-de-fernando-pessoa/ – Em cache – Similares
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# [PDF]
1 Além de fórmula poética, seria o outrar-se, uma ética …
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analisam-se trechos vários em que o tema é posto de forma mais explícita. Introdução. Inicio minha comunicação fazendo uma pergunta complexa: a fórmula …
http://www.abralic.org.br/enc2007/anais/52/1521.pdf – Similares

O Bailado de Flávio de Carvalho

In the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 27, 2009 at 2:14 am

“…o extremo cuidado com cada palavra e gesto diante da presença do outro!

…mas já não mais o outro ‘de fora’, mas o Outro em mim!

Não existe o tocar que não seja, simultaneamente, ser tocado.

…conduz nosso olhar para aquele que foi um dos primeiros performers brasileiros

(embora, Flávio, preferisse o termo ‘experiência’)…”

txt retirado do “programa-da-peça”*

flavio de carvalho1

Flávio de Carvalho em Experiência nº 3, [Traje de Verão, Traje Tropical :: realizada publicamente em 1956]

“ele sai andando pelas ruas de São Paulo vestido com o traje de verão do “novo homem dos trópicos” (ou new look), desenhado por ele, e que consistia em uma roupa para ambos os sexos: uma blusa de náilon, um saiote com pregas e um chapéu transparente, vestidos com meia-arrastão e sandálias de couro.”

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

experiência —

“Explorando o campo semântico de experiência, vamos nos deparar com a acumulação de conhecimentos, o saber que advém das vivências, os atravessamentos que os acontecimentos impõem a todo aquele que se encontre em posição de enfrentar o desconhecido, e a superação de limites, inclusive de riscos. … respeitando sua etimologia pode ser:

uma travessia de risco.

* O Bailado de Flávio de Carvalho @ Centro Cultural FIESP

“… propõe uma reaproximação do universo turbulento, teatral e plástico desse artista insuficientemente visitado. Seus escritos e atitudes provocadores e radicais já prenunciavam nos anos 30 do século passado os dias atuais…

…O eixo condutor do espetáculo é a peça Bailado do Deus Morto, escrita e encenada por ele em 1933. Em torno desse eixo, estão as famosas experiências do artista, as pinturas e as suas instigantes reflexões acerca do homem moderno.”

flavio de carvalho3

demais links acessados [imagens] para este post:

http://luccasjc.flogbrasil.terra.com.br/foto16283763.html

http://www.artesdoispontos.com/viu.php?tb=viu&id=18

Elogio aos errantes. Breve histórico das errâncias urbanas (1) por Paola Berenstein Jacques | outubro 2004

“…O engenheiro civil, arquiteto, escultor e decorador Flávio de Carvalho, como ele se denominava, ficou mais conhecido por suas pinturas e obras arquitetônicas, do que por suas errâncias urbanas, que ele denominou de Experiências.

A Experiência nº 2 realizada em 1931 e publicada em livro homônimo (com o subtítulo, uma possível teoria e uma experiência), consistia na prática de uma deambulação, com um tipo de boné cobrindo a cabeça, no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi pelas ruas de São Paulo, como ele conta em seu livro: “Tomei logo a resolução de passar em revista o cortejo, conservando o meu chapéu na cabeça e andando em direção oposta à que ele seguia para melhor observar o efeito do meu ato ímpio na fisionomia dos crentes.” Depois de algum tempo a multidão se voltou contra ele, que teve que fugir e se refugiar em uma leiteria. Quando a polícia o prendeu ele disse que estava realizando uma “experiência sobre a psicologia das multidões”. Nos jornais do dia seguinte as manchetes destacavam: “Na procissão uma experiência sobre a psicologia das multidões da qual resultou sério distúrbio” (O Estado de São Paulo. São Paulo, 9 de junho de 1931). …”

outrarse again [Aristóteles & Platão]

In academic bursary on July 22, 2009 at 3:00 am

16 de Junho de 2009
O Banquete, de Platão

O Banquete trata da amizade, do amor e é um dos diálogos de Platão da categoria política.

Mas como a discussão sobre a amizade pode inserir essa obra na problemática política?

Para Platão, a amizade é uma força educadora e nexo que mantém o Estado.

A amizade é “forma fundamental de toda comunidade humana que não seja puramente natural, mas sim uma comunidade espiritual e ética.”

Não é possível existir uma comunidade que não seja baseada na amizade,

pois essa tende para aquilo que é o bem e este une os homens.

O bem é aquilo que é supremo, está impresso na alma, é o primeiro amado,

aquilo que permite a admiração pelas demais coisas,

em outras palavras, antes de tudo vem o bem, para o qual o ser humano deve voltar-se,

aquilo que tudo une,

ente unificador.

_________________________

in

http://resumofacil.blogspot.com/

[acesso: 22 de julho de 2009]

_________________________

Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Ética a Nicômaco

Três são as coisas que o homem ama, segundo Aristóteles, logo, três são as formas de amizade:

pelo útil, prazer e bem.

Os homens que amam em busca do útil,

buscam um bem imediato, riquezas ou honras.

Ama-se,

não em vista do fim em si mesmo,

mas como meio de adquirir vantagens.

A forma em função do prazer é semelhante à forma de se amar pelo útil.

Busca-se o prazer recíproco.

A amizade é estável enquanto persistir este elo prazeroso.

Estas duas espécies de amizade são acidentais.

Quando uma das partes cessa de ser agradável ou útil, a outra deixa de amá-la.

Na terceira forma, pelo bem, ama-se o outro por aquilo que ele é.

Ama-se pela bondade.

É a verdadeira forma de amizade e só é possível entre os amigos bons

com senso de justiça e equidade.

Esta forma de amizade não é muito freqüente.

Ela exige tempo, familiaridade, um habitus,

digna entre os amigos bons e virtuosos.

E a phrónesis auxilia na escolha de amigos recíprocos.

Para Aristóteles o amigo é um outro eu,

possibilidade de autoconhecimento.

Conhecemo-nos olhando para o outro.

Devido a nossa finitude, procuramos atingir à perfeição moral no espelhamento do outro.

É um momento essencial da vida feliz

e implica reconhecimento, bondade e reciprocidade,

atingindo a expansão social do eu.

Assim, a amizade também é um bem supremo,

um valor que nos conduz à eudaimonia

– vivência da plenitude humana, mediada com amigos bons e vida contemplativa –

No livro X da Ética a Nicômacos vemos o conceito de prazer e sua relação com as excelências do homem.

Desejo :: Spinoza em Lacan

In academic bursary on July 16, 2009 at 5:05 am

na dor de existir, uma anestesia referida à própria condição (Lacan, [1966] 1995). Sua apresentação se atesta como uma ausência de sensibilidade que acomete o sujeito incapaz de localizar, no mundo, um valor que justifique sua presença. Carente de algo que possa lhe dar sentido, o sujeito se vê privado da tensão essencial ao desejo que confere à percepção do mundo uma intencionalidade própria. … indivíduos que se mostram apáticos, desprovidos de intencionalidade, pessoas que num certo momento se vêem incapazes de localizar, na superfície extensa e tediosa que para elas se tornou a realidade, a tensão que imprime ao mundo a verticalidade do desejo.

A depressão revela a condição de desamparo de que falava Freud, da qual tentamos nos proteger construindo uma rede de vínculos ilusórios a que chamamos de amor e de sentido da vida, sem que se saiba o que isso quer dizer: é preciso estar inconsciente de uma ilusão [jogo] para que ela [este] nos sustente. … rede ilusória de sentido e amparo da qual se constitui o laço social

Tal como, para a medicina, a febre e a dor são signos externos de afecções variadas, que podem ocorrer tanto nas infecções quanto nas afecções reumáticas, a depressão, para a psicanálise, não mais é do que a expressão afetiva de um retraimento libidinal que pode ocorrer em todas as estruturas clínicas.

A falta de vontade constante … corresponde … a uma recusa ética de situar, através do pensamento, a estrutura simbólica que o determina no inconsciente.  … É preciso criar uma tensão do pensamento e examinar de perto três referências aqui essenciais para se entender o que está em questão nessa definição [para Lacan] … Essas referências são Dante, Spinoza e a noção de pecado, ou de falta moral.

Impossível não evocar aqui o filósofo Martin Heidegger ([1929-1930] 1992), para quem a experiência do tédio (Langeweile), como aquilo que nos arrasta e nos deixa vazio, alimenta-se precisamente de sua ausência de localização.

se sua ética [@Spinoza] se estabelece como um projeto que visa a determinar a lógica da afetividade, é porque ele supõe a natureza como uma rede de conexões causais cuja inteligibilidade pode e deve ser alcançada pelo pensamento.


ÉTICA = LÓGICA DA AFETIVIDADE

[a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil]

Se o corpo humano foi uma vez afetado por dois corpos ao mesmo tempo, quando mais tarde o Espírito imaginar um dos dois, imediatamente ele se lembrará do outro. Ora, as imaginações do espírito indicam mais os afetos de nosso corpo do que a natureza dos corpos exteriores: logo, se o corpo, e, por conseguinte, o espírito, foi uma vez afetado por dois afetos, quando mais tarde um dos dois o afetar, o outro o afetará também (Spinoza, 1988: 226-227).

Há, por conseguinte, aos olhos de Spinoza, uma contingência associativa entre o afeto e seu objeto, a qual se confirma logo após, na Proposição XV, quando ele afirma que “qualquer coisa pode ser acidentalmente causa de alegria, de tristeza ou desejo” (Spinoza, 1988: 226-227). Daí se entende, conforme se lê no Escólio:

que pode acontecer que amemos ou que odiemos certas coisas sem que conheçamos a razão para isso, mas somente por simpatia ou antipatia. E é a isso que se deve igualmente relacionar os objetos que nos afetam com alegria ou tristeza pelo simples fato que tenham alguma semelhança com objetos que nos causam habitualmente os mesmos afetos (Spinoza, 1988: 228-229).

Conforme se lê na definição 5 do livro I, por modo se entende “as afecções de uma substância, ou seja, o que é em outra coisa e que também se concebe por essa outra coisa” (Spinoza, 1988: 14-15). Modos são, portanto, segundo traduz Deleuze, poderes de afetar e ser afetado por aquilo que lhe é conexo, donde se infere que a Spinoza interessa uma ontologia conectiva, uma ontologia cujos elementos se definem por sua conexões. Afirmar, portanto, que “Deus (ou a natureza) produz uma infinidade de coisas numa infinidade de modos” (Livro I, proposição XVI) (Spinoza, 1988: 44-45) significa dizer que os efeitos gerados pela natureza são seres reais que têm uma essência e uma existência próprias, mas que não existem e não estão fora dos atributos nos quais eles são produzidos. Sendo a natureza uma vasta rede de conexões causais, os seres, por sua vez, são poderes de ser afetado e de afetar, tanto no plano do corpo quanto no plano do pensamento.

A ontologia espinosista refere-se assim aos seres não pela abstração de sua forma, mas pelos afetos que são capazes de provocar e receber.

Para ir diretamente ao ponto, pode-se resumir dizendo que é próprio da paixão preencher nosso poder de ser afetado por algo do qual não somos a causa, separando-nos de nossa potência de agir. Quando se encontra um corpo exterior que não convém com o nosso (ou seja: cuja conexão com ele não se compõe), nossa potência de agir é diminuída e o afeto correspondente é a tristeza. Já quando este corpo nos convém, nossa potência de agir é aumentada, suscitando a experiência da alegria. Mas a alegria ainda é uma paixão, posto que ligada a uma causa exterior. Ficamos ainda separados de nossa potência de agir. É preciso, portanto, com relação a uma paixão, chegar ao princípio exato do seu conhecimento, para assim transformá-la em ação. Nesse sentido, a tristeza corresponderia, aos olhos de Spinoza, à impotência em que se encontra o sujeito diante de um afeto que, por se mostrar confuso, não lhe permite encontrar a necessidade lógica pela qual ele determina o seu agir. Seu corolário seria o abatimento, o qual se traduz, clinicamente, ao modo da deflação libidinal que se manifesta na perda de iniciativa do sujeito

É necessário, portanto, que haja desejo de conhecimento do verdadeiro como afeto para suprimir a tristeza de nossa condição de impotência. Mas se considerarmos, como se lê na proposição XV, que o desejo oriundo do verdadeiro conhecimento pode ser extinto ou contrariado por muitos outros desejos que nascem dos demais afetos que nos dominam, como então evitar uma conclusão pessimista acerca de nossa condição, a qual em nada condiz com o programa de Spinoza?

para Spinoza, o conhecimento verdadeiro é impotente contra os afetos

Há que existir em nós um sujeito, que não é decerto uma substância, mas que se afirma no próprio ato do pensamento. Pois, se é verdade, como afirma desde o início Spinoza, que o espírito é a idéia do corpo, essa idéia não é um simples efeito ou reflexo do corpo. A idéia não é a correspondência mental do objeto, ela não somente lhe é distinta (a idéia do círculo não é circular, como já se lê desde a Reforma do Entendimento) como também supõe algo mais do que seu objeto: ela é sua afirmação.

Sendo, pois, a idéia uma afirmação, e não uma simples representação do seu objeto, ela deriva necessariamente da atividade ou do esforço de quem a afirma, esforço no qual se articulam, aos olhos de Spinoza, a razão e os afetos. É, portanto, no cerne dessa atividade que razão e afetos encontram uma raiz comum, que permite tratar um pelo outro: o conatus pelo qual se designa o esforço para perseverar no ser. Ao conatus corresponde, assim, segundo assinala Deleuze, “a função existencial da essência, ou seja, a afirmação da essência na existência do modo” que lhe confere duração. Se a razão se afirma, então, ao estabelecer relações inteligíveis entre aquilo que nos afeta, é porque sua atividade consiste em construir o que Spinoza nomeia de noções comuns, ou seja, “idéias que se explicam formalmente por meio de nossa potência de pensar” (Deleuze, 1968: 258), idéias das quais somos a causa adequada. Diferentemente, portanto, das idéias confusas que nos chegam através da sensibilidade, as noções comuns se apresentam como idéias claras e distintas, porquanto dependem unicamente da própria afirmação da racionalidade, cuja atividade consiste em ligar o que convém com a nossa composição.

Mas a razão – nunca é demais lembrar – não se exerce jamais exteriormente aos afetos. São as paixões alegres que nos conduzem, segundo Spinoza, a formar as noções comuns que lhes correspondem, gerando assim o princípio indutor da atividade da razão. Assim, se a idéia produzida por uma paixão alegre tem sua causa fora de nós, a idéia, que essa paixão induz, do que é comum a nosso corpo e ao que lhe é exterior é produto da razão somente, manifestando assim nossa potência de agir. … Pois a razão, insiste Spinoza, não demanda nada contra a Natureza; ela pede somente que cada um busque o que lhe é útil, que cada um deseje o que o conduza realmente a um estado de perfeição maior, que cada um, enfim, se esforce, segundo sua potência, em se conservar no ser.

homologia entre a ética espinosista do bem pensar e a ética lacaniana do bem dizer.

distintamente da perspectiva de Spinoza, para quem a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil, o que está de acordo com a sua composição, o que convém a seu esforço de perseverar no ser, o que a psicanálise isola, no cerne de sua experiência, é justamente o objeto causa de desejo como algo de essencialmente inútil, que em nada serve a seu esforço de perseverar no ser.

O que a psicanálise isola no fundo, diz Jacques-Alain Miller (2004-2005), é uma peça sem uso, uma peça fora de toda e qualquer conexão na maquinaria significante. Esta peça avulsa, que para nada serve, é a figura do sem sentido, figura daquilo que não se emenda na significação, que não se ajusta à composição do ser falante.

Essa peça corresponde, enfim, como se pode adivinhar, à radical ausência, que a psicanálise explicita, da conexão sexual enquanto elemento irredutível de contingência. … Não é em todo caso fortuito, vale lembrar, antes de concluir, que a beatitude espinosista, enquanto lugar de realização de uma racionalidade integral, esteja condicionada pelo esquecimento da questão da sexualidade, diante da qual todo pensamento é débil (Miller, 2004-2005).



[acesso: 16.07.2009]
@Antônio M. R. Teixeira Depression or thought’s laziness? Reflexions on Lacan’s Spinoza


LIBERDADE É FAZER O QUE SE QUER E QUERER O QUE SE FEZ

In academic bursary, life2009 on July 14, 2009 at 10:20 pm

Abril deste ano foi um mês-espiral pra mim.

Enquanto alguns rapazes [ao redor dos 20 anos de idade] pichavam — livres e radicais — os muros da cidade com uma frase que, aos aficcionados por cinema, parecia oriunda do cinema marginal da década de 70, a cidade sintonizava-se, pelo menos a quem a recebia e percebia: falávamos todos de amor, de amar. Com um fascínio louco por sair gritando isto por aí, que obrigassem a tds a  escutá-los, a nos escutar!!!

A verdade é que eu não sei se eu vi ou se me falaram. Ou se primeiro eu vi e dps me falaram ou vice-versa… mas, virou uma certa memória comum tbm aqui no espaçø públicø de mentes coletivas:

O amor é importante, porra! [28deMarçode2009]

——– ——— ——– poesia em rede:

[25 min. a pé de casa, num caminhar tranquilo]

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos, qto mais curtos…

ou seria

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos… qto mais, curtos…

?

[e lá, a terra dos antropoemicos e antropofagicos cidadaos civilizados!]

ETICA NA REDE

In academic bursary on July 14, 2009 at 6:05 pm

a etica na rede eh uma “etica positiva”?

————————————————————————————–
axioma/ ver.#1 “Para nos relacionarmos precisamos de encontros, a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos

————————————————————————————-#Spinoza [linka onde? em quais protocolos? Google, Yahoo! Amazon Answers Creative Commos delicious eBay Wikipedia … Get more search engines]

dificil criar pseudônimos-reais em uma sociedade virtual… […]

positivo em uma “lógica ‘capitalista'”? #cookies

positivo = paz de espírito? :: paz de espírito = no nóias/ no split minds!]

DESEJO em SPINOZA #01

In academic bursary on July 14, 2009 at 1:35 pm

Estou há semanas para digitalizar os grifos & notes da Etica de Baruch Spinoza [1632-1677]

pra quê?! >> ‘just’ google it, copy & paste << then quote

— TAGs: Spinoza | Afeto | Potência | Conatus —

resumao rapido:
[dei uma grifada aki nas questoes basicas de Spinoza]

  1. Para nos relacionarmos precisamos de encontros, e Spinoza diz que a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos.
  2. O índice em nós para sabermos se o encontro foi bom ou ruim é o que ele define como sendo afeto.
  3. Afeto é então definido como uma variação intensiva, uma quantidade intensiva,
  4. que está diretamente relacionada com o aumento ou diminuição das nossas potências.
  5. Spinoza nos fala de dois afetos, ou paixões primárias da alma, que são: a alegria e a tristeza.
  6. A alegria é o afeto que aumenta nossa potência de agir, seria uma variação intensiva positiva, para mais.
  7. Já a tristeza é o afeto que faz com que aconteça uma diminuição da nossa potência de agir.
  8. Podemos dizer então que a alegria está ligada à expansão, e a tristeza ao constrangimento. Os outros afetos variam desses dois.

—————

<< Os afetos primitivos (ou primários) são três: desejo (conatus), alegria (quando gera aumento do conatus) e tristeza (quando gera diminuição do conatus). >>
vou ter q reler a etica e as notes veias… nao lembrava de q ‘desejo’ era um dos primitivos afetos em spinoza…
desejo=conatus

  1. Conatus (Latin for effort; endeavor; impulse, inclination, tendency; undertaking; striving) is a term used in early philosophies of psychology and metaphysics to refer to an innate inclination of a thing to continue to exist and enhance itself.
  2. o conceito de conatus=a força genética do comportamento. É um impulso original ou “começo interno” do movimento animal para se aproximar do que lhe causa satisfação ou para fugir do que lhe desagrada. Esse conatus impulsiona o homem a vencer sempre. A vida começa com o conatus positivo, o desejo. Em termos de vida social, ultrapassar o outro é fonte primordial de satisfação, por isso estar continuamente ultrapassado é miséria enquanto ultrapassar continuamente quem está adiante é felicidade. É da sua natureza o egoísmo, constituído por “um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder que só termina com a morte” .
  3. Espinosa faz uma distinção perspicaz entre apetites e desejos. Os apetites são pulsões originalmente corporais, como a fome, a sede e as relacionadas à sexualidade. Os desejos correspondem à consciência dos apetites — são os apetites percebidos no plano consciente. A difererença que Espinosa estabelece entre apetites e desejos é semelhante à que o neurocientista António Damásio faz, respectivamente, entre emoções e sentimentos.21 Para Espinosa, o desejo é a essência do ser humano. Não desejamos as coisas porque as consideramos boas: ao contrário, nós as consideramos boas porque as desejamos.22 A idéia espinosana de desejo mais tarde encontraria ressonância no que Schopenhauer, no século 19, chamaria de vontade de viver, e Nietzsche, no mesmo século, denominaria de vontade de poder.

links quick-research:

tornar-se outro [Outrar-se vs. Antropofagia e Antropoemia]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 14, 2009 at 3:28 am

Outrar-se não é “tornar-se outro” em sentido frenia [mente/ personalidade #schizofrénie] … mas talvez dialogue perfeitamente com o vocábulo deleuziano, desterritorializar-se…

Outrar-se pode ser um “tornar-se outro” a medida em que, ao nos relacionarmos com os outros somos afetados [assim como afetamos] e nestas constantes trocas nos transformamos em um novo ser.

Não devoramos o outro [o desapropriando],

mas nos permitimos sermos penetrados

numa relação de penetração e reapropriação mútua.

Claude Lévi-Strauss … sugeriu em Tristes Trópicos que apenas duas estratégias foram utilizadas na história humana quando a necessidade de enfrentar a alteridade dos outros surgiu: uma era a antropoêmica [Antropoemia], a outra, a antropofágica [Antropofagia].

A primeira estratégia consiste em ‘vomitar’, cuspir os outros vistos como incuravelmente estranhos e alheios: impedir o contato físico, o diálogo, a interação social e todas as variedades de commercium, comensalidade e connubium.

A segunda estratégia consiste numa ‘soi-disant’ — alienação — das substâncias alheias: ‘ingerir’, ‘devorar’ corpos e espíritos estranhos de modo a fazê-los, pelo metabolismo, idênticos aos corpos que os ingerem, e portanto não distinguíveis deles. Essa estratégia também assumiu ampla gama de formas: do canibalismo à assimilação forçada — cruzadas culturais, guerras declaradas contra costumes locais, contra calendários, cultos, dialetos e outros ‘preconceitos’ e ‘superstições’.

Se a primeira estratégia [Antropoemia] visava ao exílio ou aniquilação dos ‘outros’, a segunda [Antropofagia] visava à suspensão ou aniquilação de sua alteridade.

@Bauman Modernidade Líquida. 2000

Chego aqui, portanto, na questão de “outrar-se” versus “antropofagia”; como se deu a ‘invenção’ de tal ‘conceito’:

Outrar-se refere-se à compreensão da existência de novas maneiras de se relacionar no mundo, com ‘o outro’, portanto à necessidade de criação de toda uma nova ética e novas morais tomando por base um novo século decorrente de uma nova cultura.

Outrar-se diz respeito a uma via dupla de contágio [contaminação?…] de algo ou outrem [objetos e/ ou sujeitos] com sentidos novos e diferentes* (primeiro por exposição, seguindo-se de contemplação e aprofundamento do ‘outro’: linguagens, pensamentos… trocas), transformando-se num novo ser humano [urbano?], com acréscimos de multiplicidades [formas de estar no mundo].

*no Outrar-se há sempre um deslumbramento com o novo — podendo este novo [o outro] ser ‘o diferente’ ou mesmo ‘o espelho’ –, e é a partir deste “deslumbramento” que estamos aptos a sermos penetrados pela alteridade e, assim, incentivados também a nos doarmos. Não há outrar-se que não seja uma “via de mão dupla”, um perder-se no encontro com ‘o outro’.

Outrar-se refere-se sempre a um exercício de despersonalização sobre um corpo sem orgãos a ser formado.

————————————————–

qdo lançamos mão – colocamos em público – de um “conceito” ou “idéia”, isto facilita nossa pesquisa em rede, a medida em que, os interessados – mtos? Qtos? Como? Quais? Por quê? – estarão googleando [lê-se gugando] o mesmo conceito: em alguns poucos dias [perceba-se que iniciei este teste há cerca de 3 semanas, quando da divulgação em distintas ‘redes sociais online’ sobre este conceito “outrar-se” …] deu-se então um diferencial de “visibilidade” encontrado – que encontramos – no Google [como ferramenta de busca online] em diferentes períodos ao longo deste curto espaço de tempo. O resultado tem sido – exponencialmente – mto maior e também de maior credibilidade [informação vs. Conhecimento] dos links apontados em cada busca de outrar-se [então como TAG].

o Outrar-se, portanto, faz parte de uma nova ética: a ética da confiança na rede. confia-se que o enunciador do discurso apreendido — blog ou outro sítio— publicou [digitalizou sua escrita e a tornou pública] na data referente ao post [publicação relacionada à pesquisa]. E é a partir desta primeira ética — em rede – que pode ser validada a enunciação d’outrem: citação/ pertencente a @ #link

Outrar-se exige, portanto, estima, respeito e confiança no ‘outro’ e no relacionar-se:

Os sentimentos de estima, respeito e confiança são exemplos práticos que apontam para os meios de integração de nossa simpatia com as simpatias de outros. Conquistar a estima, o respeito e a confiança de um estranho significa trabalhar na construção de um laço afetivo mais amplo que aquele de nossas parcialidades.

E esse é um dos papéis, senão o mais importante, das instituições: não exatamente o de governar ou regular as relações entre os homens, mas o de mobilizar suas tendências, integrando-as num todo maior, utilizando para tal o artifício dos valores e normas.

“… a forma como comportamentos e idéias se propagam, o modo como notícias afluem de um ponto a outro do planeta etc. A explosão das comunidades virtuais parece ter se tornado um verdadeiro desafio para nossa compreensão. … o fato de estarmos cada vez mais interconectados uns aos outros implica que tenhamos de nos confrontar, de algum modo, com nossas próprias preferências e sua relação com aquelas de outras pessoas. E não podemos esquecer que tal negociação não é nem evidente nem tampouco fácil. …

Na corrente dessa mudança de perspectiva do conceito de “comunidade” para “redes sociais”, vários autores das ciências sociais passaram a investigar, desde os anos de 1990, o conceito empírico de capital social (Burt, 2005; Lin, 2005; Narayan, 1999; Portes, 1998; Grootaert, 1997; Fukuyama, 1996; Putnam, 1993; Coleman, 1990). Essa noção poderia ser entendida como: a capacidade de interação dos indivíduos, seu potencial para interagir com os que estão a sua volta, com seus parentes, amigos, colegas de trabalho, mas também com os que estão distantes e que podem ser acessados remotamente. Capital social significaria aqui a capacidade de os indivíduos produzirem suas próprias redes, suas comunidades pessoais. … normas e valores que governam as interações entre as pessoas e as instituições com as quais elas estão envolvidas. A importância do papel das instituições é muito clara aqui, pois estas funcionam como mediadoras da interação social, uma vez que propagam valores de integração entre homens e mulheres.

Contudo, as instituições, como apontamos, exercem um papel regulador e mediador de processos mais profundos. O que nos interessa, no caso de uma análise do capital social, são as variáveis microssociológicas, como a sociabilidade, cooperação, reciprocidade, pró-atividade, confiança, o respeito, as simpatias. …

Mas por que seria isso considerado precisamente como “capital”? Ora, as relações sociais passam a ser percebidas como um “capital” justamente quando o processo de crescimento econômico passa a ser determinado não apenas pelo capital natural (recursos naturais), produzido (infraestrutura e bens de consumo) e pelo financeiro. Além desses, seria ainda preciso determinar o modo como os atores econômicos interagem e se organizam para gerar crescimento e desenvolvimento. A compreensão dessas interações passa a ser considerada como riqueza a ser explorada, capitalizada. …

O problema da sociedade, nesse sentido, não é um problema de limitação, mas de integração. Integrar as simpatias é fazer com que a simpatia ultrapasse sua contradição, sua parcialidade natural. A estima, o respeito e a confiança são a integral das simpatias. Nosso desafio é estender as simpatias para que seja possível constituir grupos maiores do que aqueles envolvidos pela simpatia parcial. Trata-se de inventar os meios e artifícios para que os homens consigam estender suas simpatias para além de seu clã, família, vizinhança. Ou seja, trata-se de estender as simpatias para além daquilo que se configura ainda como uma parcialidade: as “comunidades” em seu sentido mais tradicional. Para nos constituirmos em sociedade, precisamos empreender a integração das simpatias de forma a constituir um todo maior. …

Um dos aspectos essenciais para a consolidação de comunidades pessoais ou redes sociais é, sem dúvida, o sentimento de confiança mútua que precisa existir em maior ou menor escala entre as pessoas. A construção dessa confiança está diretamente relacionada com a capacidade que cada um teria de entrar em relação com os outros, de perceber o outro e incluí-lo em seu universo de referência. Esse tipo de inclusão ou integração diz respeito à atitude tão simples e por vezes tão esquecida que é justamente a de reconhecer, no outro, suas habilidades, competências, conhecimentos, hábitos… Quanto mais um indivíduo interage com outros, mais ele está apto a reconhecer comportamentos, intenções e valores que compõem seu meio. … reconhecer é também, e ao mesmo tempo, dar valor a alguém, aceitá-lo em seu meio, integrá-lo como colega ou parceiro.

Esta dinâmica do reconhecimento é com certeza uma das bases para a construção da confiança não apenas individual, mas coletiva. Redes sociais só podem ser construídas com base na confiança mútua disseminada entre os indivíduos. Isso pode se verificar em maior ou menor grau, mas de qualquer forma a confiança deve estar presente da forma a mais ampla possível. …

É cada indivíduo que está apto a construir sua própria rede de relações, sem que essa rede possa ser definida precisamente como “comunidade”. Mais profundamente, é no bojo da revolução tecnológica atual que se percebe a força de um conceito como aquele de Hume, o de simpatia parcial. A possibilidade de integração de simpatias dentro da cibercultura é da ordem do jamais visto em nossa história. Os homens conseguem encontrar zonas de proximidade lá onde isso pareceria impossível: pessoas compartilham idéias, conhecimentos e informações sobre seus problemas, dificuldades e carências. …”

[Costa, Rogério da. Por Um Novo Conceito de Comunidade in Interface – Comunic, Saúde, Educ, v.9, n.17, p.235-48, mar/ago 2005 | acesso em maio de 2009]

Manifesto Antropofágico [rev#3]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 13, 2009 at 11:34 pm

Cheguei onde eu queria: rever o conceito de Antropofagia e Antropoemia [rev#2 >> 02.07.2007] … 3a revisão [tentativa de compreensão — apreensão — da Modernidade e Pós-Modernidade, na busca – anseio – de se propor uma nova ética e novas morais a uma geração já nascida na web 2.0]

proposição um: ano de 1928 [como se dava esta “troca em rede”: com quem os artistas, intelectuais, empresários — agentes culturais — dialogavam ao redor do mundo? e como?]

o Direito = a Garantia do Exercício da Possibilidade. @Galli Mathias

Só a Antropofagia[1 #Bauman] nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo.

Expressão mascarada

de todos os individualismos,

de todos os coletivismos.

De todas as religiões.

De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses.

[E contra a mãe dos Gracos #2].

“Só me interessa o que não é meu”: Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama.

[Freud #3 acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.]

O que atropelava a verdade era a roupa,o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior.[4 #Sennet]

A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará [#5].

Filhos do sol, mãe dos viventes.[6]

Encontrados e amados ferozmente,

com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande. [7]

Foi porque nunca tivemos gramáticas,

nem coleções de velhos vegetais.

E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental.

Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante [8], uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. [9]

……………………………………..A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl [10] estudar.

Queremos a Revolução Caraiba [11]. Maior que a Revolução Francesa.

A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação.

O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. [12] Montaig-ne. [12a]

O homem natural: Rousseau [13]

Da Revolução Francesa ao Romantismo,

……………………………………………à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling [14]. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo [15].

Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica [16] entre nós.

Contra o Padre Vieira [17].

[Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão.]

O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia.

[Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.]

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. [18]

O antropomorfismo. [19]

Necessidade da vacina antropofágica [20]: Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular. [21]

Tínhamos a justiça codificação da vingança. [22]

A ciência codificação da Magia. [23]

Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

——————————–

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários.[24]

E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. [25] Só a maquinaria [26]. E os transfusores de sangue [27]

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.”

(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

Copy&Paste [último acesso: 13julho2009]


obs. Macunaíma é de 1928. Em 1927, o mestre Mário [então com 33 p/34 anos de idade] faz a sua “viagem etnográfica” pelo Brasil [maio-agosto].

TAG “antropofagia o que é” [auto-post da Google a partir de Antropofagia, 186.000 resultados]

in Só me interessa o que não é meu: a antropofagia de Oswald de Andrade”, @Maria Cândida Ferreira de Almeida ICBV [s/ data. .doc acessado em 13julho2009]:

  • A antropofagia, enquanto conceito, apresenta uma face produtiva, diversa da pura destruição com que costuma aparecer no discurso “civilizado”  sobre a “barbárie”, que utiliza o ato canibal como signo da violência máxima. Sob a perspectiva oswaldiana e selvagem, a antropofagia preconiza uma espécie de transubstanciação na qual  aquele que é o devorador se altera no devorado. A“morte”  e “devoração” do outro recria o próprio; dentro desta perspectiva, o discurso ressentido das relações coloniais torna-se discurso produtivo de identidades.
  • A revista tinha penetração na Agência Brasileira que possuía uma extensa rede de jornais por todo o país e divulgava os “atos antropofágicos” para os círculos letrados das outras regiões. “A Antropofagia, nessa fase, não pretendia ensinar nada. Dava apenas lições de desrespeito aos canastrões das letras. Fazia inventário da massa falida de uma poesia bobalhona e sem significado”(Bopp, 1966: 37) … Na maioria absoluta das vezes o canibal será o outro, distante geográfica e culturalmente; até para aqueles que praticam a androfagia, pois eles vêem o seu próprio canibalismo como socializado, ao contrário do canibalismo do outro, ou seja, dos deuses e dos inimigos, que praticariam um canibalismo “selvagem”. Assim, o antropófago será, principalmente, o bárbaro, aquele que está distante da civilização que detém o discurso enunciador. @op.cit.
  • Oswald de Andrade reverte essa ordem, ao se apresentar como antropófago, propondo a antropofagia como gesto relacional próprio da cultura brasileira, na qual, muitas vezes, as diversidades se apresentam como inconciliáveis e o outro, como uma distinção, uma alteridade, é interno, formado por parte da população ameríndia, afrodescendente, oriental, asiática e mesmo europeus de imigrações mais recentes do século XX.
  • Na obra de Oswald, particularmente ao cunhar o conceito de antropofagia, está evidente a influência da leitura de Sigmund Freud. Um ponto levantado pelo psicanalista, em seu texto Totem e Tabu, “a apropriação das qualidades do objeto”, é apontado por muitos críticos como marca dessa influência. Em Freud, tal apropriação refere-se à devoração do pai, e esse foi o mote do modernista para proclamar seu “alto canibalismo”, um canibalismo produtivo, já que a morte do pai leva à distribuição das mulheres entre os filhos e, portanto, a sua reprodução, contra um “baixo canibalismo”, restrito ao âmbito da destruição.
  • o conceito de antropofagia foi delineado pelo escritor em oposição ao modelo “salvacionista civilizado” criando um lugar discursivo e de atuação para o americano. … um modo de atuar a partir de outros paradigmas, que não aqueles colocados pela tradição grego-romana próprios da cultura européia. … destacando, por fim, a relação das elites políticas e de pensamento com a língua popular e com a própria concepção de canibalismo.
  • Para Oswald, como sintetizou Augusto de Campos: “(a) operação metafísica que se liga ao rito antropofágico é a da transformação do tabu em totem, do valor oposto, em valor favorável. A vida é devoração pura. Nesse devorar que ameaça a cada minuto a existência humana, cabe ao homem totemizar o tabu” @Campos, Augusto de. 1978. Poesia antipoesia antropofagia. São Paulo: Cortez e Moraes.
  • Com a apologia da devoração da diferença, Oswald ultrapassa a concepção freudiana que limitava o canibalismo à devoração de objetos com qualidades desejáveis. … Na Revista de Antropofagia, a devoração do “inimigo” ou do contrário aparece em um texto intitulado “O homem que comi aos bocadinhos”, assinado por João do Presente (seria Oswald?). A cada frase do “homem”, do tipo, “Viver por outrem viver às claras”, que desagradava seu interlocutor suscitava como resposta uma mordida, até que ele termina todo devorado, tal como os peixes, pois morreu “pela boca” por causa de sua fala chavão: “O coitado é positivista, e talvez por isso estava com a carne mesmo no ponto de ser comida. E eu comi.”
  • “um modo antropofágico de subjetivação se reconheceria pela presença de um grau considerável de abertura, o que implica numa certa fluidez: encarnar o mais possível a antropofagia das forças, deixando-se desterritorializar, ao invés de se anestesiar de pavor; dispor do maior jogo de cintura possível para improvisar novos mundos toda vez que isso se faz necessário, ao invés de bater o pé no mesmo lugar por medo de ficar sem chão.” @Rolnik, Suely. 1996. “Guerra dos Gêneros & Guerra aos Gêneros”. En:  item 4 revista de arte nº4 novembro, Rio de Janeiro.
  • “…com a ‘Antropofagia’ de Oswald de Andrade, nos anos 20 (retomada depois, em termos de cosmovisão filosófico-existencial, nos anos 50, na tese A Crise da Filosofia Messiânica), tivemos um sentido agudo da necessidade de pensar o nacional em relacionamento dialético com o universal.(…) Ela não envolve uma submissão (uma catequese), mas uma transculturação: melhor ainda uma ‘transvaloração’: uma visão crítica da história como função negativa (no sentido de Nietzche), capaz tanto de uma de apropriação como de desapropriação, desierarquização, desconstrução” @Campos, Haroldo de. 1983. “Da razão antropofágica: diálogo e diferença na cultura brasileira”. Boletim bibliográfico – Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, v.44, jan./dez.
  • … Quando Tarsila e Oswald regressam de Paris, em 1926, liam diariamente o rodapé do “Diário da Noite” de São Paulo que publicava em capítulos, a adaptação de Lobato das aventuras de “Hans Staden entre os Selvagens do Brasil”, obra que colocava a antropofagia em cena; …
  • Em 1922, aconteceu um “escândalo” que tomamos como exemplar para entender a relação da sociedade institucional brasileira, formada por uma elite que se quer branca, e a cultura popular desenvolvida pela população negra. A polêmica tinha começado alguns anos antes, como descreveu o jornal Gazeta de Notícias, que também nos fornece um retrato da sociedade carioca do começo dos anos 20: … Em uma sociedade que se apresentava como européia em diversas facetas a presença da população negra visibilizada por sua expressão artística, instalava um incômodo, que segundo reivindicação de parte da sociedade da época, deveria ser combatido através das intituições, como os jornais e o aparelho de estado. “Os Oito Batutas” , formado por Pinxinguinha, China, Donga e Nelson Alves, entre outros embarcou, em janeiro de 1922, para Paris causando mal-estar entre brasileiros, alguns chegaram a “taxar a viagem como desmoralizadora”  e pediram “providências do Ministério das Relações Exteriores” (Silva, 1979:68)  uma vez que não podiam aceitar a cultura popular e negra representando o Brasil na Europa. Estes conflitos cotidianamente ocupavam as páginas dos periódicos, nos quais emergia indiretamente a discussão de qual o lugar que a população negra deveria ocupar na sociedade brasileira.
  • A antropofagia oswaldiana não seria uma atitude passiva do colonizado, mas uma atitude ao mesmo tempo de receptividade e de escolha crítica. “Só a antropofagia nos salva por assumir alegremente a escolha da transformação do velho, do alheio em próprio, em original. Por reconhecer que a originalidade nunca é mais do que uma questão de arranjo novo” (Perrone-Moisés, 1990:98-99).
  • … louvar a 24ª Bienal de São Paulo de 1998, cujo tema foi a antropofagia …
  • Não há um lugar estável dentro do discurso da modernidade para a expressão do outro; mesmo que nos últimos anos, vozes e mais vozes tenham se erguido contra o monopólio discursivo dos lugares tidos como centrais. Dentro desse cenário, ficamos outra vez com  Oswald de Andrade, para quem “(a) Antropofagia fazia lembrar que a vida é devoração opondo-se a todas as ilusões salvacionistas”.
  • [A Antropofagia é sempre] Tomada como vanguarda, permanece vanguarda, instiga o pensamento, a criação, o debate contemporâneos.

buscar tbm:

  1. Almeida, Maria Cândida 1999. Tornar-se outro: o topos canibal na literatura brasileira. (tese de doutoramento) Belo Horizonte: Fale/UFMG. ou aqui sebo
  2. e Guimarães Rosa [1908-1967]

links quick research:

obs2: ética da confiança na rede: confia-se que o enunciador do discurso apreendido — blog — publicou [digitalizou sua escrita] na data referente ao post [publicação relacionada à pesquisa]. A partir desta primeira ética — em rede –, valida-se a enunciação d’outrem: citação/ pertencente a @ #link

http://www.angelfire.com/mn/macunaima/

http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/modernismo/brasil/1_fase/mario_andrade.html