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Posts Tagged ‘Foucault’

o que conta é a novidade do próprio regime de enunciação

In A Little About My Master Degree, academic bursary on November 25, 2009 at 12:33 am

Todo o dispositivo
se define, pois, pelo que detém em novidade e criatividade, o qual marca,
ao mesmo tempo, sua capacidade de se transformar ou se fissurar em
proveito de um dispositivo do futuro.


Pertencemos a certos dispositivos e neles agimos. A novidade de um
dispositivo em relação aos anteriores é o que chamamos sua atualidade,
nossa atualidade. O novo é o atual. O atual não é o que somos, mas aquilo
em que vamos nos tornando, o que chegamos a ser, quer dizer, o outro,
nossa diferente evolução. É necessário distinguir, em todo o dispositivo, o
que somos (o que não seremos mais), e aquilo que somos em devir: a
parte da história e a parte do atual. A história é o arquivo, é a configuração
do que somos e deixamos de ser, enquanto o atual é o esboço daquilo em
que vamos nos tornando. Sendo que a história e o arquivo são o que nos
separa ainda de nós próprios, e o atual é esse outro com o qual já
coincidimos.

Devemos separar em todo dispositivo as linhas do passado recente e as linhas do futuro
próximo; a parte do arquivo e a do atual, a parte da história e a do devir, a
parte da analítica e a do diagnóstico. …
Não se trata de predizer, mas estar atento ao desconhecido que
bate à nossa porta.

rompe o fio das teleologias transcendentais e aí onde
o pensamento antropológico interrogava o ser do
homem ou sua subjetividade, faz com que o outro e o
externo se manifestem com evidência. …
estabelece que somos diferença, que nossa razão é a
diferença dos discursos, nossa história a diferença
dos tempos, nosso eu a diferença das máscaras.

Se Foucault deu tanta importância às suas [performances públicas] até o fim
da vida, em França e mais ainda no estrangeiro, não foi pelo gosto da
entrevista, mas porque as linhas de atualização que traçava exigiam um
outro modo de expressão diferente daquele próprio dos grandes livros. As
[aparições] são [espécies de] diagnósticos.

#Deleuze + #Foucault

momento descanso de meu “put it in writing!”

In academic bursary, life2009, the 'old' ones :: master pieces on July 10, 2009 at 3:04 am


diretamente da rede now:

  • “A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.” “Maladie Mentale et Psychologie”
  • A alma, prisão do corpo.” Vigiar e Punir
  • “Quanto àqueles para quem esforçar-se, começar e recomeçar, experimentar, enganar-se, retomar tudo de cima a baixo e ainda encontrar meio de hesitar a cada passo, àqueles para quem, em suma, trabalhar mantendo-se em reserva e inquietação equivale à demissão, pois bem, é evidente que não somos do mesmo planeta.” História da Sexualidade 2
  • A ordem é ao mesmo tempo aquilo que se oferece nas coisas como sua lei interior, a rede secreta segundo a qual elas se olham de algum modo umas às outras e aquilo que só existe através do crivo de um olhar, de uma atenção, de uma linguagem…” As Palavras e as Coisas. p. 9-12.
  • “Chamamos de loucura essa doença dos órgãos do cérebro…” início do Cap. 7 de A história da loucura na Idade Clássica.
  • “Uma tarde eu estava ali, olhando muito, falando pouco, ouvindo o menos possível, quando fui abordado por uma das mais bizarras personagens desse país, que Deus não deixou que faltasse. É um misto de altura, baixeza, bom senso e desatino”. No momento em que a dúvida atingia seus perigos maiores, Descartes tinha consciência de que não podia estar louco – sem que isso impedisse que reconhecesse, durante muito tempo ainda e até o mau gênio, que todos os poderes do desatino espreitavam à volta do seu pensamento.(…)”Michel Foucault, início da Introdução da Parte III de História da loucura na Idade Clássica.
  • “Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação.”Edipe ne s’est pas crevé les yeux par culpabilité, mais par excès d’information
    citado em reportagem intitulada “Lula était le “sauveur du peuple”, il ne l’est plus : le blues des intellectuels et des artistes face aux scandales”, Data: 30/07/2005 @Le Monde
  • “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível” La fiction consiste donc non pas à faire voir l’invisible, mais à faire voir combien est invisible l’invisibilité du visible
    citado em “Qu’est-ce qu’un espace littéraire?”‎ – Página 31, de Xavier Garnier, Pierre Zoberman, Pascale Hellégouarc’h, Maarten Van Delden [2006]
  • “Pois toda felicidade não é mais, talvez, que felicidade de expressão” citado em “A refração da sombra”‎ – Página vii, de Paulo Cesar Lopes [2004]
  • “As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas” na obra “Vigiar e Punir”, página 183, de Michel Foucault; citado em “Modernidade e Dominação” – página 105, de Sílvio Cesar Camargo

A Ordem do Discurso

A ordem do discurso aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970
  • “A disciplina é um princípio de controle da produção do discurso. Ela lhe fixa os limites pelo jogo de uma identidade que tem a forma de uma reatualização permanente das regras” A Ordem do Discurso, p.36
  • “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar” A Ordem do Discurso, p.10
  • “Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo” A Ordem do Discurso, p.44
  • “O novo não está no que é dito, mas no acontecimento de sua volta” A Ordem do Discurso, p.26

I’m lasy here… in English…

In thinking: i purchase on September 24, 2008 at 5:25 am

this blog started to be my english public diary… i didn’t write here!… even in English!…

oh, my English is a shit, but I’m sure it’s better than your portuguese!… 😉

Preferiria que atrás de mim houvesse (tendo há muito tomado a palavra, dizendo antecipadamente tudo o que eu vou dizer) uma voz que falasse assim: “Devo continuar. Eu não posso continuar. Devo continuar. Devo dizer palavras enquanto as houver. Devo dizê-las até que elas me encontrem. Até elas me dizerem — estranha dor, estranha falta. Devo continuar. Talvez isso já tenha acontecido. Talvez já me tenham dito. Talvez já me tenham levado até ao limiar da minha história,…

Há em muitos, julgo, um desejo semelhante de não ter de começar, um desejo semelhante de se encontrar, de imediato, do outro lado do discurso, sem ter de ver do lado de quem está de fora aquilo que ele pode ter de singular, de temível, de maléfico mesmo. A este querer tão comum a instituição responde de maneira irónica, porque faz com que os começos sejam solenes, porque os acolhe num rodeio de atenção e silêncio, e lhes impõe, para que se vejam à distância, formas ritualizadas.

O desejo diz: “Eu, eu não queria ser obrigado a entrar nessa ordem incerta do discurso; não queria ter nada que ver com ele naquilo que tem de peremptório e de decisivo; queria que ele estivesse muito próximo de mim como uma transparência calma, profunda, indefinidamente aberta, e que os outros respondessem à minha expectativa, e que as verdades, uma de cada vez, se erguessem; bastaria apenas deixar-me levar, nele e por ele, como um barco à deriva, feliz.” E a instituição responde: “Tu não deves ter receio em começar; estamos aqui para te fazer ver que o discurso está na ordem das leis; que sempre vigiámos o seu aparecimento; que lhe concedemos um lugar, que o honra, mas que o desarma; e se ele tem algum poder, é de nós, e de nós apenas, que o recebe.”

Mas talvez esta instituição e este desejo não sejam mais do que duas réplicas a uma mesma inquietação: inquietação face àquilo que o discurso é na sua realidade material de coisa pronunciada ou escrita; inquietação face a essa existência transitória destinada sem dúvida a apagar-se, mas segundo uma duração que não nos pertence…

….

Penso na oposição da razão e da loucura (folie). Desde os arcanos da Idade Média que o louco é aquele cujo discurso não pode transmitir-se como o dos outros: ou a sua palavra nada vale e não existe, não possuindo nem verdade nem importância, não podendo testemunhar em matéria de justiça, não podendo autentificar um acto ou um contrato… Ou caía no nada — rejeitada de imediato logo que proferida;…

Ora esta vontade de verdade, tal como os outros sistemas de exclusão, apoia-se numa base institucional: ela é ao mesmo tempo reforçada e reconduzida por toda uma espessura de práticas como a pedagogia, claro, o sistema dos livros, da edição, das bibliotecas, as sociedades de sábios outrora, os laboratórios hoje. Mas é também reconduzida, e de um modo mais profundo sem dúvida, pela maneira como o saber é disposto numa sociedade, como é valorizado, distribuído, repartido e, de certa forma, atribuído.

mais em: http://www.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/ordem.html

The Discourse on Language, Foucault

(2nd December 1970)