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Archive for the ‘life2009’ Category

Protected: WHO CARES?

In life2009 on August 25, 2009 at 10:22 pm

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bons tempos…

In life2009 on August 11, 2009 at 6:02 pm

…velhos jah… enfim…

ūüėČ

…podia ter sido uma hist√≥ria de amor…

…mas qdo a gnt eh “bichinha”, √†s vezes n√£o rola mais nada msm…

“Ter todos os gestos e todas as atitudes / de qualquer coisa que nem somos, / nem pretendemos ser, / nem pretendemos ser tomados como sendo.”

e ent√£o, neste exato momento, ela me re-responde:

[com mais intensidade]

Talvez você consiga ser menos rei / E um pouco mais real

e como só agora compreendo, eu lhe diria:

Esqueça / As horas nunca andam para trás

já que nós duas sabíamos:

Porque / Eu não pertenço ao mesmo lugar

Em que você se afunda tão raso / Não dá nem pra tentar te salvar

……………

enfim… hj ela me diz:

“n√£o menos rei, mas com certeza mais real”

…Feiti√ßo dos Encontros…

[e talvez um dia eu tente voltar a estar aberta para um al√©m-deslumbramento desta magia-encantamento que se d√° nos encontros — porque hj pra mim td eh tao pouco e tampouco sei hj o que mais quero, mas … ent√£o: aprofundar-se em mim, hoje, pode ser um erro, um des-futuro. fechada pra qualquer tipo de intimidade, aproxima√ß√Ķes de aprofundamento em mim… completamente menos rei e seguramente des-real…]

E como o triste Fernando Pessoa disse — em seu blog — ao longo de seus 30 anos de idade:

Assim, n√£o sabendo crer em Deus,

e n√£o podendo crer numa soma de animais [os humanos],

fiquei, como os outros da orla das gentes, naquela dist√Ęncia de tudo

a que comumente se chama Decadência.

A Decadência é a perda total da inconsciência;

porque a inconsciência é o fundamento da vida.

O coração, se pudesse pensar, pararia.

A quem, como eu, assim, vivendo n√£o sabe ter vida, que resta sen√£o, como a meus pares, a ren√ļncia por modo e a contempla√ß√£o por destino? … E, assim, alheios √† solenidade de todos os mundos, indiferentes ao divino e desprezadores do humano, entregamo-nos futilmente √† sensa√ß√£o sem prop√≥sito, cultivada num epicurismo subtilizado, como conv√©m aos nossos nervos cerebrais. … Considero a vida uma estalagem onde [hoje] tenho que me demorar at√© que chegue a dilig√™ncia do abismo. N√£o sei onde ela me levar√°, porque nada sei. Poderia considerar esta estalagem uma pris√£o [este s√©culo das afetividades], porque estou compelido a nela aguardar; poderia consider√°-la um lugar de soci√°veis, porque aqui me encontro com outros. … Sento-me √† porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento [hoje], para mim s√≥, vagos cantos que componho enquanto espero. … Gozo a brisa que me d√£o e a alma que me deram para goz√°-la,

e n√£o interrogo mais nem procuro.

Se o que eu deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem.

Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.

……………………….

…Quem quiser encontrar o amor / Vai ter que sofrer / Vai ter que chorar…

Amor assim n√£o √© amor / √Č sonho e ilus√£o

Pedindo tantas coisas / Que não são do coração

Geraldo Vandré

ABSURDO

In friends&artists, life2009, personal ... trainee on July 28, 2009 at 12:54 am

√ļnica divindade da raz√£o: o acaso

“Somos obrigados √†s mesmas precau√ß√Ķes que o domador:

Se ele tem a infelicidade

[antes de entrar na jaula]

de auto-cortar-se com a navalha

Que banquete para as feras!”

La Chute — Camus, aos 42-43 anos de idade

…………………………..

recebi um email h√° algumas semanas com este exato subject. na linha que se seguia visualizava-se: (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, fragmento 23) abri o email [msm sem conhecer o remetente, mas este n√£o ca√≠ra no spam-‘malha fina’ del gran google & filters…]

Tornarmo-nos esfinges,

ainda que falsas,

até chegarmos ao ponto

de j√° n√£o sabermos quem somos.

Porque,

de resto,

nós o que somos é

esfinges falsas

e n√£o sabemos o que somos realmente.

O √ļnico modo de estarmos de acordo com a vida

é estarmos em desacordo com nós próprios.

O absurdo é o divino.

Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente,

s√≥ para depois agirmos contra elas ‚Äď agirmos e justificar as nossas a√ß√Ķes com teorias que as condenam.

Talhar um caminho na vida,

e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho.

Ter todos os gestos e todas as atitudes

de qualquer coisa que nem somos,

nem pretendemos ser,

nem pretendemos ser tomados como sendo.

Comprar livros para n√£o os ler; ir a concertos nem para ouvir a m√ļsica nem para ver quem l√° est√°; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo s√≥ porque o campo nos aborrece.

coincidentemente chegou a mim tal email exatamente um dia após a publicação deste post: Liberdade é fazer o que se quer e querer o que se fez

LIBERDADE √Č FAZER O QUE SE QUER E QUERER O QUE SE FEZ

In academic bursary, life2009 on July 14, 2009 at 10:20 pm

Abril deste ano foi um mês-espiral pra mim.

Enquanto alguns rapazes [ao redor dos 20 anos de idade] pichavam — livres e radicais — os muros da cidade com uma frase que, aos aficcionados por cinema, parecia oriunda do cinema marginal da d√©cada de 70, a cidade sintonizava-se, pelo menos a quem a recebia e percebia: fal√°vamos todos de amor, de amar. Com um fasc√≠nio louco por sair gritando isto por a√≠, que obrigassem a tds a¬† escut√°-los, a nos escutar!!!

A verdade √© que eu n√£o sei se eu vi ou se me falaram. Ou se primeiro eu vi e dps me falaram ou vice-versa… mas, virou uma certa mem√≥ria comum tbm aqui no espa√ß√ł p√ļblic√ł de mentes coletivas:

O amor é importante, porra! [28deMarçode2009]

——– ——— ——– poesia em rede:

[25 min. a pé de casa, num caminhar tranquilo]

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos, qto mais curtos…

ou seria

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos… qto mais, curtos…

?

[e l√°, a terra dos antropoemicos e antropofagicos cidadaos civilizados!]

momento descanso de meu “put it in writing!”

In academic bursary, life2009, the 'old' ones :: master pieces on July 10, 2009 at 3:04 am


diretamente da rede now:

  • “A psicologia nunca poder√° dizer a verdade sobre a loucura, pois √© a loucura que det√©m a verdade da psicologia.” “Maladie Mentale et Psychologie”
  • A alma, pris√£o do corpo.” Vigiar e Punir
  • “Quanto √†queles para quem esfor√ßar-se, come√ßar e recome√ßar, experimentar, enganar-se, retomar tudo de cima a baixo e ainda encontrar meio de hesitar a cada passo, √†queles para quem, em suma, trabalhar mantendo-se em reserva e inquieta√ß√£o equivale √† demiss√£o, pois bem, √© evidente que n√£o somos do mesmo planeta.” Hist√≥ria da Sexualidade 2
  • A ordem √© ao mesmo tempo aquilo que se oferece nas coisas como sua lei interior, a rede secreta segundo a qual elas se olham de algum modo umas √†s outras e aquilo que s√≥ existe atrav√©s do crivo de um olhar, de uma aten√ß√£o, de uma linguagem…” As Palavras e as Coisas. p. 9-12.
  • “Chamamos de loucura essa doen√ßa dos √≥rg√£os do c√©rebro…” in√≠cio do Cap. 7 de A hist√≥ria da loucura na Idade Cl√°ssica.
  • “Uma tarde eu estava ali, olhando muito, falando pouco, ouvindo o menos poss√≠vel, quando fui abordado por uma das mais bizarras personagens desse pa√≠s, que Deus n√£o deixou que faltasse. √Č um misto de altura, baixeza, bom senso e desatino‚ÄĚ. No momento em que a d√ļvida atingia seus perigos maiores, Descartes tinha consci√™ncia de que n√£o podia estar louco ‚Äď sem que isso impedisse que reconhecesse, durante muito tempo ainda e at√© o mau g√™nio, que todos os poderes do desatino espreitavam √† volta do seu pensamento.(…)”Michel Foucault, in√≠cio da Introdu√ß√£o da Parte III de Hist√≥ria da loucura na Idade Cl√°ssica.
  • “A fic√ß√£o consiste n√£o em fazer ver o invis√≠vel, mas em fazer ver at√© que ponto √© invis√≠vel a invisibilidade do vis√≠vel” La fiction consiste donc non pas √† faire voir l’invisible, mais √† faire voir combien est invisible l’invisibilit√© du visible
    citado em “Qu’est-ce qu’un espace litt√©raire?”‚Äé – P√°gina 31, de Xavier Garnier, Pierre Zoberman, Pascale Hell√©gouarc’h, Maarten Van Delden [2006]
  • “Pois toda felicidade n√£o √© mais, talvez, que felicidade de express√£o” citado em “A refra√ß√£o da sombra”‚Äé – P√°gina vii, de Paulo Cesar Lopes [2004]
  • “As luzes que descobriram as liberdades inventaram tamb√©m as disciplinas” na obra “Vigiar e Punir”, p√°gina 183, de Michel Foucault; citado em “Modernidade e Domina√ß√£o” – p√°gina 105, de S√≠lvio Cesar Camargo

A Ordem do Discurso

A ordem do discurso aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970
  • “A disciplina √© um princ√≠pio de controle da produ√ß√£o do discurso. Ela lhe fixa os limites pelo jogo de uma identidade que tem a forma de uma reatualiza√ß√£o permanente das regras” A Ordem do Discurso, p.36
  • “O discurso n√£o √© simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de domina√ß√£o, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar” A Ordem do Discurso, p.10
  • “Todo sistema de educa√ß√£o √© uma maneira pol√≠tica de manter ou de modificar a apropria√ß√£o dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo” A Ordem do Discurso, p.44
  • “O novo n√£o est√° no que √© dito, mas no acontecimento de sua volta” A Ordem do Discurso, p.26

Protected: Outrar-se again

In life2009 on July 10, 2009 at 12:46 am

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PUBLIC FEELLINGS :: PUBLIC AFFECTS [JUNHO]

In academic bursary, friends&artists, life2009 on July 6, 2009 at 4:40 pm

“O mito de pandora – Notando que, entre todas as criaturas vivas, n√£o havia¬† uma s√≥ capaz de descobrir, utilizar adequadamente as for√ßas da natureza, comandar os demais seres e estabelecer a ordem e a harmonia, comunicar-se pelo pensamento com os deuses e enteder a ess√™ncia e o rp√≠ncipio das coisas, o semi deus Prometeu criou o homem. Admirada com a beleza da obra de Prometeu, MInerva, a deusa da sabedoria, ofereceu ajuda para a perfei√ßoa-la…http://mariabit.blogspot.com/– lu tognon [22dejunhode2009]

“n√£o se esque√ßa que os prov√©rbios tamb√©m s√£o uma deriva√ß√£o da lei da pregui√ßa, um viver morrendo” – miguel [23dejunho2009], a partir do ultimo txt que enviei aa ele!… ūüôā

“os outros s√£o indispens√°veis. E assim, apesar de que o processo de relacionar-se com os outros possa envolver dificuldades, brigas e improp√©rios, temos de procurar manter uma atitude de amizade e carinho, a fim de levar um estilo de vida no qual haja INTERA√á√ÉO suficiente com outras pessoas para que se tenha uma vida feliz” – Dalai Lama [26dejunho2009, Cibele Sofia]

“liberdade: √© fazer o que se quer e querer o que se fez!” [29dejunhode2009, mariana schizo]

“Mas carinho √© como √°gua, sambador. S√≥ corre pra onde tem.” [29dejunhode2009,¬† andressa]


‘meus’:

22/junho:
“Como se o esbo√ßo fosse a moradia das almas … Desta forma ela reinventa o mundo e este acaba tamb√©m por reinvent√°-Ia.”, C√£o‚ÄČGuimar√£es. Londres, 1997

o feiticeiro eh sempre cego assim como o lobo caminha no escuro?

23/junho:
If we are going to take a theory of labor to heart, we also have to remember that bodies and attention and affect are molded by what people do, day in and day out.

pra acreditar mais na vida e nos rumos que ela traz, sem q a gente precise pensar tanto … sentir mais

26/junho:
“Os sentimentos de estima, respeito e confian√ßa s√£o exemplos pr√°ticos que apontam para os meios de integra√ß√£o de nossa simpatia com as simpatias de outros. Conquistar a estima, o respeito e a confian√ßa de um estranho significa trabalhar na constru√ß√£o de um la√ßo afetivo mais amplo que aquele de nossas parcialidades.”

29/junho:
“Deve-se entender as palavras em seus conceitos originais, e n√£o apenas banaliz√°-las em seus usos. As palavras – assim como o imagin√°rio – s√£o produtoras de realidades…”

O papel de todo ser moderador [facilitador social] “√© acalmar os perturbados e perturbar os que se encontram muito calmos”, rav Ruben

30/junho:
“Vou mudando de personalidade, vou enriquecendo-me na capacidade de crear personalidades novas, novos typos de fingir que comprehendo o mundo, ou, antes, de fingir que se p√≥de comprehendel-lo.”, Fernando Pessoa

PUBLIC FEELLINGS :: PUBLIC AFFECTS [MAIO]

In academic bursary, friends&artists, life2009 on July 6, 2009 at 4:31 pm

Tenho colecionado os status de meus contatos no gtalk nestes √ļltimos dois meses…

segue uma primeira publicação aqui:


Compaix√£o para com todos ‚Äď isto seria dureza e tirania para com voc√™, caro pr√≥ximo! – Nietzsche. [Andreh Dib – Maio]

não basta que o pensamento procure sua realização. é preciso que a realidade procure o pensamento! [Marcio Jr. РMaio]

“pra achar o fluxo, √© s√≥ ficar distra√≠da..” [natalia nogush – maio]


“Fundada em uma troca permanente de humilha√ß√Ķes e de atitudes agressivas, a economia da vida cotidiana dissimula uma t√©cnica de desgaste, ela pr√≥pria alvo do dom de destrui√ß√£o que ela contraditoriamente evoca. Hoje em dia, quanto mais o homem √© objeto, mais ele √© um ser social.”
[andressa – maio]


“esforcei-me por seguir o percurso veloc√≠ssimo dos circuitos mentais que captam e re√ļnem pontos long√≠nquos do espa√ßo e do tempo” [fabio tremonte – maio]

“precisa-se de uma analista de sistemas pra reconfigura√ß√Ķes e um upgrade!” [stelajornalista – maio]

“The way to love anything is to realise that it may be lost.” [mari @ msn – maio]


“√Č manifesto que os pobres t√™m mais do que os ricos. As pessoas desperdi√ßam a parte boa e ret√™m s√≥ a m√°. √Č invis√≠vel e vis√≠vel, e as crian√ßas brincam com ela na rua. Mas os ignorantes pisam nela cotidianamente.”
[andressa – maio]

‘minhas’:
“Em cent√≠metros, quilos e sal√°rios, n√≥s nos avaliamos – avaliamos o poder que exercemos sobre outros homens e mulheres e o poder que eles exercem sobre n√≥s.”

“tuvieron que asesinarlo muchas veces/
porque el hombre de la paz era una fortaleza,” , Mario Benedetti :: 1920-2009

“matar y matar m√°s para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad” , Mario Benedetti :: 1920-2009

“creo que tenes razon: la culpa es de uno cuando no enamora/ y no de los pretextos ni del tiempo” , Mario Benedetti :: 1920-2009

“If I am the storm if I am the wonder / Will I have flashlights, nightmares and sudden explosions ”

“…para aguentar com um destino desses, √© preciso ter um desejo de se ‚Äėvingar‚Äô da vida, e uma ensolarada sa√ļde mental…”

tanto afeto tanto afeto … como viver no varejo depois da delicia do atacado?

amor acaba sempre sendo no atacado, nao vareja………………. talvez seja esta a dor de amar! eu adorei o atacado!…. varias pe√ßas da mesma pe√ßa!…… mesmo cheiro, pele, sabor td!…………… variar eh bom, mas descobri tbm q atacado tem lah suas delicias……… de amor……. o resto eh um vago amar…. paixoes…….

“Todo dia √© dia de aprender um pouco/ Do muito que a vida traz/ Porque muito pra mim √© t√£o pouco/ E pouco √© um pouco demais”

‘N√£o me importo muito para onde estou indo’, disse a menina. ‘Ent√£o n√£o importa que caminho vc deve tomar’, disse o sorriso do gato de Alice.

“Porque te amo, Dion√≠sio,/ √© que me fa√ßo assim t√£o simult√Ęnea/ Madura, adolescente/ E porisso talvez/ Te aborre√ßas de mim”, Hilda Hilst

“Muito pra mim √© t√£o pouco/ E pouco eu n√£o quero mais”

“aprendera a ter coragem de ter f√© ‚Äď muita coragem, f√© em qu√™?”

“ilus√£o, palavra cheia de sentido que significa literalmente ’em jogo’…”

“If you feel like you wanna make love/ under the stars above/ Love on, love on”

Poema em linha reta: entre lobos e matilhas

In life2009 on June 30, 2009 at 2:07 am

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos t√™m sido campe√Ķes em tudo.


E eu,

tantas vezes reles,

tantas vezes porco,

tantas vezes vil,


Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu,

que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu,

que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco,

mesquinho,

submisso e arrogante,


Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando n√£o tenho calado,

tenho sido mais ridículo ainda;
Eu,

que tenho sido c√īmico √†s criadas de hotel,
Eu,

que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu,

que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu,

que, quando a hora do soco surgiu,

me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;


Eu,

que tenho sofrido a ang√ļstia das pequenas coisas rid√≠culas,
Eu verifico que n√£o tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi sen√£o pr√≠ncipe – todos eles pr√≠ncipes – na vida…


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse n√£o um pecado,

mas uma inf√Ęmia;


Que contasse, não uma violência,

mas uma cobardia!


N√£o, s√£o todos o Ideal,

se os oiço e me falam.


Quem h√° neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
√ď pr√≠ncipes, meus irm√£os,


Arre, estou farto de semideuses!


Onde é que há gente no mundo?


Ent√£o sou s√≥ eu que √© vil e err√īneo nesta terra?


Poder√£o as mulheres n√£o os terem amado,
Podem ter sido traídos Рmas ridículos nunca!


E eu,

que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?


Eu,

que venho sido vil,

literalmente vil,


Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa
[@ √Ālvaro de Campos]

‚Äúoutrar‚ÄĚ, no verbo de Fernando Pessoa

In academic bursary, life2009 on June 30, 2009 at 1:53 am

Só consigo me reconhecer fora de mim e em relação a.
√Č minha forma de ‚Äúoutrar‚ÄĚ, no verbo de Fernando Pessoa.


Por isso, adoro esta passagem de Brecht:
“eu pensava dentro de outras cabeças;
e na sua, outros, além dele, pensavam.
Este √© o verdadeiro conhecimento.”

http://jaldes-campodeensaio.blogspot.com/2008/03/dia-triunfal.html

_______________________________

“…Gosto de Palavrar. As palavras s√£o para mim corpos toc√°veis, sereias vis√≠veis, sensualidades incorporadas.
Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie Рnem sequer mental ou de sonho -,
Transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritimos verbais, ou os escuta de outros.
Estremeço se dizem bem.


Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente.
E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas.
São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indeferem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas.
Assim as idéias, as imagens, trêmulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de idéia bruxuleia, malhado e confuso.

… Mas odeio, com √≥dio verdadeiro, com o √ļnico √≥dio que sinto n√£o quem escreve mal portugu√™s,
n√£o quem n√£o sabe sintaxe, n√£o quem escreve em ortografia simplificada,
mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente.
A palavra é completa vista e ouvida.

E a gala da translitera√ß√£o greco-romana veste-ma do seu vero manto r√©gio, pelo qual √© senhora e rainha.”
[“Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares. Vol. I, het. de Fernando Pessoa]
____________________

“… √Č extraordinariamente bem feita a sua observa√ß√£o sobre a ausencia em mim do que possa legitimamente chamar-se uma evolu√ß√£o qualquer.

Ha poemas meus, escriptos aos vinte annos, que s√£o eguaes em valia – tanto quanto posso appreciar – aos que escrevo hoje.

N√£o escrevo melhor do que ent√£o, salvo quanto ao conhecimento da lingua portugueza – caso cultural e n√£o poetico.

Escrevo differentemente. Talvez a solução do caso esteja no seguinte.

O que sou essencialmente Рpor traz das mascaras involuntarias do poeta, do raciocinador e do que mais haja Рé dramaturgo.
O phenomeno da minha despersonalização instinctiva, a que alludi em minha carta anterior, para explicação da existencia dos heteronymos, conduz naturalmente a essa definição.


Sendo assim, n√£o evoluo: VIAJO.

(Por um lapso das teclas das maiusculas, sahiu-me, sem que eu quizesse, essa palavra em lettra grande. Est√° certo, e assim deixo ficar.)
Vou mudando de personalidade, vou (aqui é que póde haver evolução) enriquecendo-me na capacidade de crear personalidades novas, novos typos de fingir que comprehendo o mundo, ou, antes, de fingir que se póde comprehendel-lo.
Porisso dei essa marcha em mim como comparavel, não a uma evolução, mas a uma viagem:
n√£o subi de um andar para outro; segui, em planicie, de um para outro logar.
Perdi, é certo, algumas simplezas e ingenuidades, que havia nos meus poemas de adolescencia;
isso, por√©m, n√£o √© evolu√ß√£o, mas envelhecimento. …”

http://us.geocities.com/marco_lx_pt/pescartaviajo.htm

__________________

A multiplicidade √© destacada por √ćtalo Calvino como sendo um dos valores que ele gostaria que fosse transferido para a Literatura do novo mil√™nio. Para Calvino quanto mais √† obra tende para a multiplicidade mais se distancia da sinceridade interior de quem escreve.

Fernando Pessoa, poeta m√ļltiplo, j√° procurava despersonalizar-se para fazer surgirem v√°rios eus nesta perspectiva. A fragmenta√ß√£o instala-se em sua poesia demonstrando que o conceito de individualidade inexiste exprimindo um car√°ter m√ļltiplo do ser. N√£o sei quantas almas tenho

√ćtalo Calvino pergunta, portanto a cerca desta quest√£o:

Quem somos n√≥s, quem √© cada um de n√≥s sen√£o uma combinat√≥ria de experi√™ncias, de informa√ß√Ķes, de leituras, de imagina√ß√Ķes? Cada vida √© uma enciclop√©dia, uma biblioteca, um invent√°rio de objetos, uma amostragem de estilos onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras. 2

Assim Calvino também contribui para a concepção sobre a inexistência de uma personalidade unificada como garantia de uma verdade que não seja parcial.

O poema se intitula e se inicia com a frase: N√£o sei quantas almas tenho. Essa coloca√ß√£o evidencia ao mesmo tempo duvidas existenciais e a certeza de um eu m√ļltiplo. Tal aspecto √© almejado por √ćtalo Calvino ao idealizar: Quem dera fosse poss√≠vel uma obra que nos permitisse sair da perspectiva limitada do eu individual. 3 Essa expectativa de Calvino √© demonstrada nesta poesia de Fernando Pessoa, a qual revela a consci√™ncia da multiplicidade, da mutabilidade, e da limita√ß√£o de apenas ser um ser:

Nota-se que a mutabilidade e a inconst√Ęncia revelam o desconhecimento de um eu devido ao seu car√°ter de multiplicidade: Torno-me eles e n√£o eu.. Para tanto, nota-se que o conceito de individualidade inexiste j√° que.

Cada meu sonho ou desejo
√Č do que nasce e n√£o meu.

http://www.webartigos.com/articles/1040/1/fernando-pessoa-as-multiplas-almas-que-dividem-um-ser/pagina1.html