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MARGINÁLIA: Seja Marginal, Seja Herói

In A Little About My Master Degree, the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on August 26, 2009 at 2:11 am

Em 12 dezembro de 1968, a jornalista e fotógrafa Marisa Alvarez Lima publica na revista O Cruzeiro o artigo “Marginália – arte e cultura na idade da pedrada” e divulga publicamente os primeiros nomes e trabalhos ligados ao tema da cultura marginal.

[O Ato Institucional Nº 5, ou simplesmente AI 5, entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968]

Através de uma relação criativa entre a arte brasileira e o cotidiano social das grandes cidades, a marginália passa a incorporar em seus trabalhos uma série de elementos e representações da violência diária.

Seu intuito era propor uma crítica aos conservadorismos da sociedade. Fruto direto do avanço da contracultura no Brasil, muitas vezes a cultura marginal 
é associada à idéia do desbunde ou da curtição, termos relacionados 
a uma parcela da juventude brasileira desse período.

[desbunde e curtição :: HOT & COOL … mcluhan e as gírias/ dialetos :: línguas-sociedade-linguagem]

Como obras de destaque relacionados à marginália, encontram-se os filmes:

  • “Câncer” de Glauber Rocha (1968),
  • “A Margem” de Ozualdo Candeias (1967) e
  • “O Bandido da Luz Vermelha” de Rogério Sganzerla (1968)

livros:

  • Me segura que eu vou dar um troço de Waly Salomão (1972) e
  • Urubu-Rei de Gramiro de Mattos (1972)

textos de Hélio Oiticica, de Rogério Duarte, de Décio Pignatari e dos irmãos Campos, publicados em jornais alternativos como Flor Do Mal, Presença e O Verbo Encantado (todos de 1972), além das colunas publicadas por Torquato Neto no jornal Última Hora, com o título emblemático de “Geléia Geral” e o almanaque 
de exemplar único Navilouca (1973).

Após uma intensa produção no cinema, na imprensa, na música popular e na literatura, esse grupo se desfaz aos poucos na busca de caminhos individuais de trabalho e tem seu término “oficial” no suicídio de Torquato Neto em novembro de 1972.

“Seja Marginal, Seja Herói”, Hélio Oiticica

[jovens — a nova geração — se inspiram nas pesadas décadas do AI-5 para criarem arte tecnológica nos dias atuais e despontam junto aa midiaticos curadores. enfim o futuro existe… existe ou ‘simplesmente’ se repete?… HOT vs. COOL vs. HYPE vs. ….?]

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O Bailado de Flávio de Carvalho

In the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 27, 2009 at 2:14 am

“…o extremo cuidado com cada palavra e gesto diante da presença do outro!

…mas já não mais o outro ‘de fora’, mas o Outro em mim!

Não existe o tocar que não seja, simultaneamente, ser tocado.

…conduz nosso olhar para aquele que foi um dos primeiros performers brasileiros

(embora, Flávio, preferisse o termo ‘experiência’)…”

txt retirado do “programa-da-peça”*

flavio de carvalho1

Flávio de Carvalho em Experiência nº 3, [Traje de Verão, Traje Tropical :: realizada publicamente em 1956]

“ele sai andando pelas ruas de São Paulo vestido com o traje de verão do “novo homem dos trópicos” (ou new look), desenhado por ele, e que consistia em uma roupa para ambos os sexos: uma blusa de náilon, um saiote com pregas e um chapéu transparente, vestidos com meia-arrastão e sandálias de couro.”

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

experiência —

“Explorando o campo semântico de experiência, vamos nos deparar com a acumulação de conhecimentos, o saber que advém das vivências, os atravessamentos que os acontecimentos impõem a todo aquele que se encontre em posição de enfrentar o desconhecido, e a superação de limites, inclusive de riscos. … respeitando sua etimologia pode ser:

uma travessia de risco.

* O Bailado de Flávio de Carvalho @ Centro Cultural FIESP

“… propõe uma reaproximação do universo turbulento, teatral e plástico desse artista insuficientemente visitado. Seus escritos e atitudes provocadores e radicais já prenunciavam nos anos 30 do século passado os dias atuais…

…O eixo condutor do espetáculo é a peça Bailado do Deus Morto, escrita e encenada por ele em 1933. Em torno desse eixo, estão as famosas experiências do artista, as pinturas e as suas instigantes reflexões acerca do homem moderno.”

flavio de carvalho3

demais links acessados [imagens] para este post:

http://luccasjc.flogbrasil.terra.com.br/foto16283763.html

http://www.artesdoispontos.com/viu.php?tb=viu&id=18

Elogio aos errantes. Breve histórico das errâncias urbanas (1) por Paola Berenstein Jacques | outubro 2004

“…O engenheiro civil, arquiteto, escultor e decorador Flávio de Carvalho, como ele se denominava, ficou mais conhecido por suas pinturas e obras arquitetônicas, do que por suas errâncias urbanas, que ele denominou de Experiências.

A Experiência nº 2 realizada em 1931 e publicada em livro homônimo (com o subtítulo, uma possível teoria e uma experiência), consistia na prática de uma deambulação, com um tipo de boné cobrindo a cabeça, no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi pelas ruas de São Paulo, como ele conta em seu livro: “Tomei logo a resolução de passar em revista o cortejo, conservando o meu chapéu na cabeça e andando em direção oposta à que ele seguia para melhor observar o efeito do meu ato ímpio na fisionomia dos crentes.” Depois de algum tempo a multidão se voltou contra ele, que teve que fugir e se refugiar em uma leiteria. Quando a polícia o prendeu ele disse que estava realizando uma “experiência sobre a psicologia das multidões”. Nos jornais do dia seguinte as manchetes destacavam: “Na procissão uma experiência sobre a psicologia das multidões da qual resultou sério distúrbio” (O Estado de São Paulo. São Paulo, 9 de junho de 1931). …”

TAGs & GOOGLE – metodologias de aprendizagens

In A Little About My Master Degree, academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 22, 2009 at 2:17 am

metodologias de aprendizagem em tempos de rede:

“A composição baseada em tags é mashup.”

[frase-status no gtalk de um de meus contatos online | 20 de julho de 2009]

tags: “max weber” | encantamento

__________________________________________

#1 >> “Max Weber e Michel Foucault: uma análise sobre o poder”

O poder é um fenômeno que vem merecendo muitos e variados enfoques nos estudos organizacionais da atualidade. Mas, a preocupação com este tema remonta de datas bem antigas. Daí, dado as restrições temporais e em termos de espaço, não nos darmos a uma descrição dos variados autores com os múltiplos olhares sobre o poder, mas sim, centralizarmos nosso foco analítico em duas figuras principais: Max Weber e Michel Foucault. O primeiro entendendo o fenômeno em termos de uma materialidade, que, portanto, poderia se metamorfosear em termos de transmissão da base de origem de uma forma a outra, sendo ela ora a tradição, ora o carisma, ora regras impessoais e universais a certas instituições burocráticas que unidas formariam a sociedade como um todo. O segundo, entendendo o fenômeno como uma correlação de forças no interior de instituições de reclusão denominadas “disciplinares”, nas quais os corpos seriam distribuídos, individualizados, adestrados, vigiados, sancionados e examinados no intuito de aumentar suas forças produtivas a um máximo e reduzir suas forças políticas a um mínimo. Nas palavras de Foucault: criação de corpos dóceis.


É importante salientar que a abordagem foucaultiana não se esgota na descrição do exercício do poder disciplinar, ele ainda abordou outra forma de exercício de poder que denominou biopolíticas que em vez de focalizarem os corpos individuais como alvo de exercício procurariam controlar fenômenos próprios à população para que os mesmos entrassem no interior dos cálculos infinitesimais dos controles estatais.

Assim, podemos afirmar, que enquadrados, distribuídos espacialmente, individualizados, postos em relação a uma atividade, vigiados para por fim gerarem um registro que dará forma e conteúdo a diversas disciplinas de saber; os corpos, além de se tornarem dóceis e úteis, ainda produziriam um incorpóreo que possuiria nele próprio todas as regras e princípios da clausura, e este incorpóreo seria nada mais, nada menos que suas próprias subjetividades.

O tipo de sociedade que poria em funcionamento este tipo específico de poder foi classificada por Foucault de sociedade disciplinar “na qual o comando social é construído mediante uma rede difusa de dispositivos ou aparelhos que produzem e regulam os costumes, os hábitos e as práticas produtivas (HARDT; NEGRI, 2001, p. 42)”, sendo posta em funcionamento através de instituições também classificadas por Foucault como disciplinares (a prisão, a fábrica, o asilo, o hospital, a universidade, a escola e etc) que estruturariam o terreno social e forneceriam explicações lógicas e adequadas para a razão da disciplina (HARDT; NEGRI, 2001).


Foucault, ao contrário de Weber, partiria para a observação do que descreveu em sua forma real, ou seja, as observações acerca do funcionamento da prisão, da fábrica, da escola e etc, seriam em sentido lato, “o como” o poder realmente é exercido nestas instituições e as descrições sobre os efeitos desse poder, realmente apresentariam os resultados nos corpos dos afetos das relações de força características deste poder.

Mas, ponto comum entre as duas abordagens é o contexto do exercício do poder. Tanto para Foucault quanto para Weber relações de poder só poderiam existir caso os membros envolvidos em tais relações gozassem de liberdade.

Ao contrário do pensamento usual, o poder não é contrário à liberdade. Sociedades nas quais seus membros não gozem de liberdade política estão sob o jugo de relações de submissão e não relações de poder.

Parece fazer mais sentido acreditar que as pessoas aceitam serem lideradas por o conteúdo do trabalho as afetarem de alguma forma, ou seja, as atividades que tem de executar fazerem algum sentido para as mesmas e, como última observação, podemos citar também a importância do conceito da produção subjetiva como fator explicativo para a atual debilidade e inoperância dos movimentos trabalhistas.

Marcadores [Post Tags]: ciência política, Foucault, poder, Weber

Terça-feira, 16 de Junho de 2009 [acesso em 22 de julho de 2009]

an old a[u]nt

In A Little About My Research Project, the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 20, 2009 at 7:51 pm

devemos ter a noção — base referencial — de que estas novas* gerações [já nascidas na web 2.0] são de uma ética e morais

Post-Blade Runner:

nascidos Pós-1984

the new generation since 1984

…My schedule for today lists a six-hour self-accusatory depression. What? Why did u schedule that? It defeated the whole purpose of the mood organ. At that moment when I had the TV sound off, I was in a 382 mood; I had just dialed it. So although I heard the emptiness intellectually, I didn’t feel it. My first reaction consisted of being grateful that we could afford a Penfield mood organ. But then I realized how unhealthy it was, sensing the absence of life, not just in this building but everywhere, and not reacting — do you see? I guess u dont. But that used to be considered a sign of mental illness; they called it ‘absence of appropriate affect’. So I left the TV sound off and I sat down at my mood organ and I experimented. And I finally found a setting for despair. — Her dark, pert face showed satisfaction, as if she had achieved something of worth. — So I put it on my schedule for twice a month; I think that’s a reasonable amount of time to feel hopeless about everything, about staying here on Earth after everybody who’s smart has emigrated, dont u think? But mood like that u r apt to stay in it, not dial your way out. Despair like that, about total reality, is self-perpetuating. I program an automatic resetting for 3hs later. A 481. Awareness of the manifold possibilities open to me in the future; new hope... Listen, even with an automatic cutoff it’s dangerous to undergo a depression, any kind. Forget what u’ve scheduled and I’ll forget what I’ve scheduled; we’ll dial a 104 together and both experience it, and then u stay in it while I reset mine for my usual businesslike attitude. Dial 888: the desire to watch TV, no matter what’s on it. …dial 3. I can’t dial a setting that stimulates my cerebral cortex into wanting to dial! If I don’t want to dial, I don’t want to dial that most of all, because then I will want to dial, and wanting to dial is right now the most alien drive I can imagine; I just want to sit here on the bed and stare at the floor. Okay, I give up; I’ll dial. Anything u want me to be; ecstatic sexual bliss — I feel so bad I’ll even endure that. What the hell. What difference does it make? I’ll dial for both of us, …dialed 594: pleased acknowledgment of husband’s superior wisdom in all matters. On his own console he dialed for a creative and fresh attitude toward his job, although this he hardly needed; such was his habitual, innate approach without recourse to Penfield artificial brain stimulation.

…nao sei se haverá energia para o doutorado. creio fielmente que não; então vou postando a pesquisa-prévia [1999-2008]… talvez alguém possa utilizá-la em prol de algo, de vida, de sentido de viver e viver-se…

*que hoje se ncontram na chamada ‘idade universitária’ [the 20’s people]

tornar-se outro [Outrar-se vs. Antropofagia e Antropoemia]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 14, 2009 at 3:28 am

Outrar-se não é “tornar-se outro” em sentido frenia [mente/ personalidade #schizofrénie] … mas talvez dialogue perfeitamente com o vocábulo deleuziano, desterritorializar-se…

Outrar-se pode ser um “tornar-se outro” a medida em que, ao nos relacionarmos com os outros somos afetados [assim como afetamos] e nestas constantes trocas nos transformamos em um novo ser.

Não devoramos o outro [o desapropriando],

mas nos permitimos sermos penetrados

numa relação de penetração e reapropriação mútua.

Claude Lévi-Strauss … sugeriu em Tristes Trópicos que apenas duas estratégias foram utilizadas na história humana quando a necessidade de enfrentar a alteridade dos outros surgiu: uma era a antropoêmica [Antropoemia], a outra, a antropofágica [Antropofagia].

A primeira estratégia consiste em ‘vomitar’, cuspir os outros vistos como incuravelmente estranhos e alheios: impedir o contato físico, o diálogo, a interação social e todas as variedades de commercium, comensalidade e connubium.

A segunda estratégia consiste numa ‘soi-disant’ — alienação — das substâncias alheias: ‘ingerir’, ‘devorar’ corpos e espíritos estranhos de modo a fazê-los, pelo metabolismo, idênticos aos corpos que os ingerem, e portanto não distinguíveis deles. Essa estratégia também assumiu ampla gama de formas: do canibalismo à assimilação forçada — cruzadas culturais, guerras declaradas contra costumes locais, contra calendários, cultos, dialetos e outros ‘preconceitos’ e ‘superstições’.

Se a primeira estratégia [Antropoemia] visava ao exílio ou aniquilação dos ‘outros’, a segunda [Antropofagia] visava à suspensão ou aniquilação de sua alteridade.

@Bauman Modernidade Líquida. 2000

Chego aqui, portanto, na questão de “outrar-se” versus “antropofagia”; como se deu a ‘invenção’ de tal ‘conceito’:

Outrar-se refere-se à compreensão da existência de novas maneiras de se relacionar no mundo, com ‘o outro’, portanto à necessidade de criação de toda uma nova ética e novas morais tomando por base um novo século decorrente de uma nova cultura.

Outrar-se diz respeito a uma via dupla de contágio [contaminação?…] de algo ou outrem [objetos e/ ou sujeitos] com sentidos novos e diferentes* (primeiro por exposição, seguindo-se de contemplação e aprofundamento do ‘outro’: linguagens, pensamentos… trocas), transformando-se num novo ser humano [urbano?], com acréscimos de multiplicidades [formas de estar no mundo].

*no Outrar-se há sempre um deslumbramento com o novo — podendo este novo [o outro] ser ‘o diferente’ ou mesmo ‘o espelho’ –, e é a partir deste “deslumbramento” que estamos aptos a sermos penetrados pela alteridade e, assim, incentivados também a nos doarmos. Não há outrar-se que não seja uma “via de mão dupla”, um perder-se no encontro com ‘o outro’.

Outrar-se refere-se sempre a um exercício de despersonalização sobre um corpo sem orgãos a ser formado.

————————————————–

qdo lançamos mão – colocamos em público – de um “conceito” ou “idéia”, isto facilita nossa pesquisa em rede, a medida em que, os interessados – mtos? Qtos? Como? Quais? Por quê? – estarão googleando [lê-se gugando] o mesmo conceito: em alguns poucos dias [perceba-se que iniciei este teste há cerca de 3 semanas, quando da divulgação em distintas ‘redes sociais online’ sobre este conceito “outrar-se” …] deu-se então um diferencial de “visibilidade” encontrado – que encontramos – no Google [como ferramenta de busca online] em diferentes períodos ao longo deste curto espaço de tempo. O resultado tem sido – exponencialmente – mto maior e também de maior credibilidade [informação vs. Conhecimento] dos links apontados em cada busca de outrar-se [então como TAG].

o Outrar-se, portanto, faz parte de uma nova ética: a ética da confiança na rede. confia-se que o enunciador do discurso apreendido — blog ou outro sítio— publicou [digitalizou sua escrita e a tornou pública] na data referente ao post [publicação relacionada à pesquisa]. E é a partir desta primeira ética — em rede – que pode ser validada a enunciação d’outrem: citação/ pertencente a @ #link

Outrar-se exige, portanto, estima, respeito e confiança no ‘outro’ e no relacionar-se:

Os sentimentos de estima, respeito e confiança são exemplos práticos que apontam para os meios de integração de nossa simpatia com as simpatias de outros. Conquistar a estima, o respeito e a confiança de um estranho significa trabalhar na construção de um laço afetivo mais amplo que aquele de nossas parcialidades.

E esse é um dos papéis, senão o mais importante, das instituições: não exatamente o de governar ou regular as relações entre os homens, mas o de mobilizar suas tendências, integrando-as num todo maior, utilizando para tal o artifício dos valores e normas.

“… a forma como comportamentos e idéias se propagam, o modo como notícias afluem de um ponto a outro do planeta etc. A explosão das comunidades virtuais parece ter se tornado um verdadeiro desafio para nossa compreensão. … o fato de estarmos cada vez mais interconectados uns aos outros implica que tenhamos de nos confrontar, de algum modo, com nossas próprias preferências e sua relação com aquelas de outras pessoas. E não podemos esquecer que tal negociação não é nem evidente nem tampouco fácil. …

Na corrente dessa mudança de perspectiva do conceito de “comunidade” para “redes sociais”, vários autores das ciências sociais passaram a investigar, desde os anos de 1990, o conceito empírico de capital social (Burt, 2005; Lin, 2005; Narayan, 1999; Portes, 1998; Grootaert, 1997; Fukuyama, 1996; Putnam, 1993; Coleman, 1990). Essa noção poderia ser entendida como: a capacidade de interação dos indivíduos, seu potencial para interagir com os que estão a sua volta, com seus parentes, amigos, colegas de trabalho, mas também com os que estão distantes e que podem ser acessados remotamente. Capital social significaria aqui a capacidade de os indivíduos produzirem suas próprias redes, suas comunidades pessoais. … normas e valores que governam as interações entre as pessoas e as instituições com as quais elas estão envolvidas. A importância do papel das instituições é muito clara aqui, pois estas funcionam como mediadoras da interação social, uma vez que propagam valores de integração entre homens e mulheres.

Contudo, as instituições, como apontamos, exercem um papel regulador e mediador de processos mais profundos. O que nos interessa, no caso de uma análise do capital social, são as variáveis microssociológicas, como a sociabilidade, cooperação, reciprocidade, pró-atividade, confiança, o respeito, as simpatias. …

Mas por que seria isso considerado precisamente como “capital”? Ora, as relações sociais passam a ser percebidas como um “capital” justamente quando o processo de crescimento econômico passa a ser determinado não apenas pelo capital natural (recursos naturais), produzido (infraestrutura e bens de consumo) e pelo financeiro. Além desses, seria ainda preciso determinar o modo como os atores econômicos interagem e se organizam para gerar crescimento e desenvolvimento. A compreensão dessas interações passa a ser considerada como riqueza a ser explorada, capitalizada. …

O problema da sociedade, nesse sentido, não é um problema de limitação, mas de integração. Integrar as simpatias é fazer com que a simpatia ultrapasse sua contradição, sua parcialidade natural. A estima, o respeito e a confiança são a integral das simpatias. Nosso desafio é estender as simpatias para que seja possível constituir grupos maiores do que aqueles envolvidos pela simpatia parcial. Trata-se de inventar os meios e artifícios para que os homens consigam estender suas simpatias para além de seu clã, família, vizinhança. Ou seja, trata-se de estender as simpatias para além daquilo que se configura ainda como uma parcialidade: as “comunidades” em seu sentido mais tradicional. Para nos constituirmos em sociedade, precisamos empreender a integração das simpatias de forma a constituir um todo maior. …

Um dos aspectos essenciais para a consolidação de comunidades pessoais ou redes sociais é, sem dúvida, o sentimento de confiança mútua que precisa existir em maior ou menor escala entre as pessoas. A construção dessa confiança está diretamente relacionada com a capacidade que cada um teria de entrar em relação com os outros, de perceber o outro e incluí-lo em seu universo de referência. Esse tipo de inclusão ou integração diz respeito à atitude tão simples e por vezes tão esquecida que é justamente a de reconhecer, no outro, suas habilidades, competências, conhecimentos, hábitos… Quanto mais um indivíduo interage com outros, mais ele está apto a reconhecer comportamentos, intenções e valores que compõem seu meio. … reconhecer é também, e ao mesmo tempo, dar valor a alguém, aceitá-lo em seu meio, integrá-lo como colega ou parceiro.

Esta dinâmica do reconhecimento é com certeza uma das bases para a construção da confiança não apenas individual, mas coletiva. Redes sociais só podem ser construídas com base na confiança mútua disseminada entre os indivíduos. Isso pode se verificar em maior ou menor grau, mas de qualquer forma a confiança deve estar presente da forma a mais ampla possível. …

É cada indivíduo que está apto a construir sua própria rede de relações, sem que essa rede possa ser definida precisamente como “comunidade”. Mais profundamente, é no bojo da revolução tecnológica atual que se percebe a força de um conceito como aquele de Hume, o de simpatia parcial. A possibilidade de integração de simpatias dentro da cibercultura é da ordem do jamais visto em nossa história. Os homens conseguem encontrar zonas de proximidade lá onde isso pareceria impossível: pessoas compartilham idéias, conhecimentos e informações sobre seus problemas, dificuldades e carências. …”

[Costa, Rogério da. Por Um Novo Conceito de Comunidade in Interface – Comunic, Saúde, Educ, v.9, n.17, p.235-48, mar/ago 2005 | acesso em maio de 2009]

Manifesto Antropofágico [rev#3]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 13, 2009 at 11:34 pm

Cheguei onde eu queria: rever o conceito de Antropofagia e Antropoemia [rev#2 >> 02.07.2007] … 3a revisão [tentativa de compreensão — apreensão — da Modernidade e Pós-Modernidade, na busca – anseio – de se propor uma nova ética e novas morais a uma geração já nascida na web 2.0]

proposição um: ano de 1928 [como se dava esta “troca em rede”: com quem os artistas, intelectuais, empresários — agentes culturais — dialogavam ao redor do mundo? e como?]

o Direito = a Garantia do Exercício da Possibilidade. @Galli Mathias

Só a Antropofagia[1 #Bauman] nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo.

Expressão mascarada

de todos os individualismos,

de todos os coletivismos.

De todas as religiões.

De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses.

[E contra a mãe dos Gracos #2].

“Só me interessa o que não é meu”: Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama.

[Freud #3 acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.]

O que atropelava a verdade era a roupa,o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior.[4 #Sennet]

A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará [#5].

Filhos do sol, mãe dos viventes.[6]

Encontrados e amados ferozmente,

com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande. [7]

Foi porque nunca tivemos gramáticas,

nem coleções de velhos vegetais.

E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental.

Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante [8], uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. [9]

……………………………………..A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl [10] estudar.

Queremos a Revolução Caraiba [11]. Maior que a Revolução Francesa.

A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação.

O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. [12] Montaig-ne. [12a]

O homem natural: Rousseau [13]

Da Revolução Francesa ao Romantismo,

……………………………………………à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling [14]. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo [15].

Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica [16] entre nós.

Contra o Padre Vieira [17].

[Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão.]

O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia.

[Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.]

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. [18]

O antropomorfismo. [19]

Necessidade da vacina antropofágica [20]: Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular. [21]

Tínhamos a justiça codificação da vingança. [22]

A ciência codificação da Magia. [23]

Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

——————————–

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários.[24]

E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. [25] Só a maquinaria [26]. E os transfusores de sangue [27]

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.”

(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

Copy&Paste [último acesso: 13julho2009]


obs. Macunaíma é de 1928. Em 1927, o mestre Mário [então com 33 p/34 anos de idade] faz a sua “viagem etnográfica” pelo Brasil [maio-agosto].

TAG “antropofagia o que é” [auto-post da Google a partir de Antropofagia, 186.000 resultados]

in Só me interessa o que não é meu: a antropofagia de Oswald de Andrade”, @Maria Cândida Ferreira de Almeida ICBV [s/ data. .doc acessado em 13julho2009]:

  • A antropofagia, enquanto conceito, apresenta uma face produtiva, diversa da pura destruição com que costuma aparecer no discurso “civilizado”  sobre a “barbárie”, que utiliza o ato canibal como signo da violência máxima. Sob a perspectiva oswaldiana e selvagem, a antropofagia preconiza uma espécie de transubstanciação na qual  aquele que é o devorador se altera no devorado. A“morte”  e “devoração” do outro recria o próprio; dentro desta perspectiva, o discurso ressentido das relações coloniais torna-se discurso produtivo de identidades.
  • A revista tinha penetração na Agência Brasileira que possuía uma extensa rede de jornais por todo o país e divulgava os “atos antropofágicos” para os círculos letrados das outras regiões. “A Antropofagia, nessa fase, não pretendia ensinar nada. Dava apenas lições de desrespeito aos canastrões das letras. Fazia inventário da massa falida de uma poesia bobalhona e sem significado”(Bopp, 1966: 37) … Na maioria absoluta das vezes o canibal será o outro, distante geográfica e culturalmente; até para aqueles que praticam a androfagia, pois eles vêem o seu próprio canibalismo como socializado, ao contrário do canibalismo do outro, ou seja, dos deuses e dos inimigos, que praticariam um canibalismo “selvagem”. Assim, o antropófago será, principalmente, o bárbaro, aquele que está distante da civilização que detém o discurso enunciador. @op.cit.
  • Oswald de Andrade reverte essa ordem, ao se apresentar como antropófago, propondo a antropofagia como gesto relacional próprio da cultura brasileira, na qual, muitas vezes, as diversidades se apresentam como inconciliáveis e o outro, como uma distinção, uma alteridade, é interno, formado por parte da população ameríndia, afrodescendente, oriental, asiática e mesmo europeus de imigrações mais recentes do século XX.
  • Na obra de Oswald, particularmente ao cunhar o conceito de antropofagia, está evidente a influência da leitura de Sigmund Freud. Um ponto levantado pelo psicanalista, em seu texto Totem e Tabu, “a apropriação das qualidades do objeto”, é apontado por muitos críticos como marca dessa influência. Em Freud, tal apropriação refere-se à devoração do pai, e esse foi o mote do modernista para proclamar seu “alto canibalismo”, um canibalismo produtivo, já que a morte do pai leva à distribuição das mulheres entre os filhos e, portanto, a sua reprodução, contra um “baixo canibalismo”, restrito ao âmbito da destruição.
  • o conceito de antropofagia foi delineado pelo escritor em oposição ao modelo “salvacionista civilizado” criando um lugar discursivo e de atuação para o americano. … um modo de atuar a partir de outros paradigmas, que não aqueles colocados pela tradição grego-romana próprios da cultura européia. … destacando, por fim, a relação das elites políticas e de pensamento com a língua popular e com a própria concepção de canibalismo.
  • Para Oswald, como sintetizou Augusto de Campos: “(a) operação metafísica que se liga ao rito antropofágico é a da transformação do tabu em totem, do valor oposto, em valor favorável. A vida é devoração pura. Nesse devorar que ameaça a cada minuto a existência humana, cabe ao homem totemizar o tabu” @Campos, Augusto de. 1978. Poesia antipoesia antropofagia. São Paulo: Cortez e Moraes.
  • Com a apologia da devoração da diferença, Oswald ultrapassa a concepção freudiana que limitava o canibalismo à devoração de objetos com qualidades desejáveis. … Na Revista de Antropofagia, a devoração do “inimigo” ou do contrário aparece em um texto intitulado “O homem que comi aos bocadinhos”, assinado por João do Presente (seria Oswald?). A cada frase do “homem”, do tipo, “Viver por outrem viver às claras”, que desagradava seu interlocutor suscitava como resposta uma mordida, até que ele termina todo devorado, tal como os peixes, pois morreu “pela boca” por causa de sua fala chavão: “O coitado é positivista, e talvez por isso estava com a carne mesmo no ponto de ser comida. E eu comi.”
  • “um modo antropofágico de subjetivação se reconheceria pela presença de um grau considerável de abertura, o que implica numa certa fluidez: encarnar o mais possível a antropofagia das forças, deixando-se desterritorializar, ao invés de se anestesiar de pavor; dispor do maior jogo de cintura possível para improvisar novos mundos toda vez que isso se faz necessário, ao invés de bater o pé no mesmo lugar por medo de ficar sem chão.” @Rolnik, Suely. 1996. “Guerra dos Gêneros & Guerra aos Gêneros”. En:  item 4 revista de arte nº4 novembro, Rio de Janeiro.
  • “…com a ‘Antropofagia’ de Oswald de Andrade, nos anos 20 (retomada depois, em termos de cosmovisão filosófico-existencial, nos anos 50, na tese A Crise da Filosofia Messiânica), tivemos um sentido agudo da necessidade de pensar o nacional em relacionamento dialético com o universal.(…) Ela não envolve uma submissão (uma catequese), mas uma transculturação: melhor ainda uma ‘transvaloração’: uma visão crítica da história como função negativa (no sentido de Nietzche), capaz tanto de uma de apropriação como de desapropriação, desierarquização, desconstrução” @Campos, Haroldo de. 1983. “Da razão antropofágica: diálogo e diferença na cultura brasileira”. Boletim bibliográfico – Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, v.44, jan./dez.
  • … Quando Tarsila e Oswald regressam de Paris, em 1926, liam diariamente o rodapé do “Diário da Noite” de São Paulo que publicava em capítulos, a adaptação de Lobato das aventuras de “Hans Staden entre os Selvagens do Brasil”, obra que colocava a antropofagia em cena; …
  • Em 1922, aconteceu um “escândalo” que tomamos como exemplar para entender a relação da sociedade institucional brasileira, formada por uma elite que se quer branca, e a cultura popular desenvolvida pela população negra. A polêmica tinha começado alguns anos antes, como descreveu o jornal Gazeta de Notícias, que também nos fornece um retrato da sociedade carioca do começo dos anos 20: … Em uma sociedade que se apresentava como européia em diversas facetas a presença da população negra visibilizada por sua expressão artística, instalava um incômodo, que segundo reivindicação de parte da sociedade da época, deveria ser combatido através das intituições, como os jornais e o aparelho de estado. “Os Oito Batutas” , formado por Pinxinguinha, China, Donga e Nelson Alves, entre outros embarcou, em janeiro de 1922, para Paris causando mal-estar entre brasileiros, alguns chegaram a “taxar a viagem como desmoralizadora”  e pediram “providências do Ministério das Relações Exteriores” (Silva, 1979:68)  uma vez que não podiam aceitar a cultura popular e negra representando o Brasil na Europa. Estes conflitos cotidianamente ocupavam as páginas dos periódicos, nos quais emergia indiretamente a discussão de qual o lugar que a população negra deveria ocupar na sociedade brasileira.
  • A antropofagia oswaldiana não seria uma atitude passiva do colonizado, mas uma atitude ao mesmo tempo de receptividade e de escolha crítica. “Só a antropofagia nos salva por assumir alegremente a escolha da transformação do velho, do alheio em próprio, em original. Por reconhecer que a originalidade nunca é mais do que uma questão de arranjo novo” (Perrone-Moisés, 1990:98-99).
  • … louvar a 24ª Bienal de São Paulo de 1998, cujo tema foi a antropofagia …
  • Não há um lugar estável dentro do discurso da modernidade para a expressão do outro; mesmo que nos últimos anos, vozes e mais vozes tenham se erguido contra o monopólio discursivo dos lugares tidos como centrais. Dentro desse cenário, ficamos outra vez com  Oswald de Andrade, para quem “(a) Antropofagia fazia lembrar que a vida é devoração opondo-se a todas as ilusões salvacionistas”.
  • [A Antropofagia é sempre] Tomada como vanguarda, permanece vanguarda, instiga o pensamento, a criação, o debate contemporâneos.

buscar tbm:

  1. Almeida, Maria Cândida 1999. Tornar-se outro: o topos canibal na literatura brasileira. (tese de doutoramento) Belo Horizonte: Fale/UFMG. ou aqui sebo
  2. e Guimarães Rosa [1908-1967]

links quick research:

obs2: ética da confiança na rede: confia-se que o enunciador do discurso apreendido — blog — publicou [digitalizou sua escrita] na data referente ao post [publicação relacionada à pesquisa]. A partir desta primeira ética — em rede –, valida-se a enunciação d’outrem: citação/ pertencente a @ #link

http://www.angelfire.com/mn/macunaima/

http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/modernismo/brasil/1_fase/mario_andrade.html

Google Wave #01

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 12, 2009 at 11:49 am

de cerca de 40 endereços de emails linkados à mensagem [fwd blw],

quase 90% eram da google-gmail [os demais eram hotmail-microsoft ou yahoo-yahoo!]

———- Forwarded message ———-
Date: 2009/5/14
Subject: Re: Combinados
dormir? veia de google :: google na veia
…………………………

O Ovo da Serpente 2.0: ANTROPOFOBIA?

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 10, 2009 at 5:06 am

“Look at the screen and you’ll see some interesting pictures. They were taken during our experiment on here at St. Anna Clinic. This is the resistence experiment:

… Our technic is not be quite perfected. You would like to see more, wouldn’t you? … This is one of our most recently interesting experiments:

… I’m not a monster, Abel.

What you have seen are the first fortunes steps of a necessarily and logical development.

… The law will confiscate our results and then they will filed them.

In a few years science will ask for the documents and they will continue our experiments on a gigantic scale.

We are a head of an army [vanguard], baby. … It’s on the logical.

… Look at that picture! [07’07” @ video fwd below]

Look at all of those people…

They are incapable of a revolution.

They are fare [or fatigued] to be humiliated, to afraid, to downtrodden.

But… in ten years… but then, the ten years old will be twenty; the 15 years old will be 25.

To the hatred which they’d inherited from their parents, they will ad their own idealism and impatience.

Someone will step forward and put the unspoken feelings into words.

Someone will promise a future.

Someone will make their demands.

Someone will talk of greatness and sacrifice.

The young and the unexperienced will regard their courage and their faith to the tired and the uncertain ones.

And then there will be a revolution

… In ten years, no more…

Those people will create a new society,

an unequally in our World History.

… Despite of the fact that anyone who makes the lowest effort can see what is waiting in the future.

It’s like the serpent’s egg: through the thin membrane you can clearly discern…”

[free transcription from the movie. tags: screenplay script Serpent’s Egg Bergman]

related to:

redes | pactos:

Uma anestesia que tende a se confundir com o próprio espaço de convivência pública a reboque do crescimento das redes sociais, como o MySpace e Facebook. Nessas redes, prevalece um regime de alianças entre amigos tão sólido, que suprime a possibilidade de conflito. Espaços de relacionamento protegidos, espécie de jardins murados de redes dentro das redes, levam-nos a perguntar: “Mas quem são seus inimigos? O que significam os amigos para a constituição do colaborativo? O que acontece à lógica criativa da tensão, que lhe é constitutiva, quando tudo o que se tem é uma afirmação sem fim?” (Rossiter, 2007).

TAGs:

… recursos de personalização do conteúdo que a web 2.0 oferece por meio do bem sucedido sistema de tags.

É bom lembrar aqui que esse “2.0” não remete à emergência de um novo protocolo de internet, mas a novos padrões de organização dos dados e de arquitetura de linkagem, que modifica a internet por viabilizar outros usos. Ao invés de ser apenas um gigantesco arquivo de páginas, ou seja de conteúdo disponível para consumo, ela passa a funcionar como plataforma para desenvolvimento de aplicativos e conteúdos.

… é inegável que a arquitetura de linkagem da web 2.0 pode indicar que a internet, enfim, sofrerá a passagem da cultura da página à cultura dos dados, ou de um ambiente baseado na taxonomia para um baseado em “companheironomias”.

Tudo gira em torno de tags cadastradas … que são apresentadas em ordem alfabética ou hierárquica. Palavras escritas com letras menores indicam pouco acesso, as maiores são as mais populares. São as “nuvens de informação” (“clouds”), outro termo que é uma das marcas registradas da web 2.0.

Prevalece aqui o conceito de inteligência distribuída que revigora o poder das “nanoaudiências”, mas também do funil de informações que associa maior quantidade com melhor qualidade (identidade não necessariamente verdadeira…).

academic researches:

“As formas de comunicação mediadas por computador estão se desenvolvendo em direção à personalização, com mais controle das pessoas sobre as fontes das quais querem receber mensagens, quando e sobre o quê. Essa forma de comunicação e as interações que dela decorrem são mais adequadas às preferências e necessidades pessoais, promovendo um modo mais individualizado de interagir e uma forma de mobilização como redes fluidas de engajamento parcial. Isso pode facilmente fragmentar organizações políticas, mas pode também facilitar a construção de coalizões entre organizações políticas” (Wellman, Quan-Haase, Boase & Chen, 2003)

Giselle Beiguelman [publicado online em 22 de maio de 2008 | último acesso em 10 de julho de 2009]

momento descanso de meu “put it in writing!”

In academic bursary, life2009, the 'old' ones :: master pieces on July 10, 2009 at 3:04 am


diretamente da rede now:

  • “A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.” “Maladie Mentale et Psychologie”
  • A alma, prisão do corpo.” Vigiar e Punir
  • “Quanto àqueles para quem esforçar-se, começar e recomeçar, experimentar, enganar-se, retomar tudo de cima a baixo e ainda encontrar meio de hesitar a cada passo, àqueles para quem, em suma, trabalhar mantendo-se em reserva e inquietação equivale à demissão, pois bem, é evidente que não somos do mesmo planeta.” História da Sexualidade 2
  • A ordem é ao mesmo tempo aquilo que se oferece nas coisas como sua lei interior, a rede secreta segundo a qual elas se olham de algum modo umas às outras e aquilo que só existe através do crivo de um olhar, de uma atenção, de uma linguagem…” As Palavras e as Coisas. p. 9-12.
  • “Chamamos de loucura essa doença dos órgãos do cérebro…” início do Cap. 7 de A história da loucura na Idade Clássica.
  • “Uma tarde eu estava ali, olhando muito, falando pouco, ouvindo o menos possível, quando fui abordado por uma das mais bizarras personagens desse país, que Deus não deixou que faltasse. É um misto de altura, baixeza, bom senso e desatino”. No momento em que a dúvida atingia seus perigos maiores, Descartes tinha consciência de que não podia estar louco – sem que isso impedisse que reconhecesse, durante muito tempo ainda e até o mau gênio, que todos os poderes do desatino espreitavam à volta do seu pensamento.(…)”Michel Foucault, início da Introdução da Parte III de História da loucura na Idade Clássica.
  • “Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação.”Edipe ne s’est pas crevé les yeux par culpabilité, mais par excès d’information
    citado em reportagem intitulada “Lula était le “sauveur du peuple”, il ne l’est plus : le blues des intellectuels et des artistes face aux scandales”, Data: 30/07/2005 @Le Monde
  • “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível” La fiction consiste donc non pas à faire voir l’invisible, mais à faire voir combien est invisible l’invisibilité du visible
    citado em “Qu’est-ce qu’un espace littéraire?”‎ – Página 31, de Xavier Garnier, Pierre Zoberman, Pascale Hellégouarc’h, Maarten Van Delden [2006]
  • “Pois toda felicidade não é mais, talvez, que felicidade de expressão” citado em “A refração da sombra”‎ – Página vii, de Paulo Cesar Lopes [2004]
  • “As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas” na obra “Vigiar e Punir”, página 183, de Michel Foucault; citado em “Modernidade e Dominação” – página 105, de Sílvio Cesar Camargo

A Ordem do Discurso

A ordem do discurso aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970
  • “A disciplina é um princípio de controle da produção do discurso. Ela lhe fixa os limites pelo jogo de uma identidade que tem a forma de uma reatualização permanente das regras” A Ordem do Discurso, p.36
  • “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar” A Ordem do Discurso, p.10
  • “Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo” A Ordem do Discurso, p.44
  • “O novo não está no que é dito, mas no acontecimento de sua volta” A Ordem do Discurso, p.26

SPIRALS OF AFFECTIVITY [EXPERIENCES]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on June 19, 2009 at 10:30 am


  1. A lógica do swarmming [e/ou mídia tática]

  2. A multiplicidade rizomática/ agenciamentos de afetividade

  3. Lobos e matilhas

spirals of affectivity

spirals of affectivity

A solucao sem general* aparece para uma multiplicidade a-centrada que comporta um numero finito de estados e sinais de velocidade correspondente, do ponto de vista de um rizoma de guerra ou de uma logica da guerrilha, sem decalque, sem copia de uma ordem central. Demonstra-se mesmo que uma tal multiplicidade, agenciamento ou sociedade maquinicos, rejeita como intruso a-social todo automato-centralizador, unificador. … o rizoma [portanto] conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer e cada um de seus trazos não remete necessariamente a trazos de mesma natureza; ele poe em jogo regimes de signos muito diferentes, inclusive estados de nao-signos. … Ele não eh feito de unidades, mas de dimensoes, ou antes de direcoes movedizas. … Eis modelos de escrita nomade e rizomatica. A escrita esposa uma maquina de guerra e linhas de fuga, abandona os estratos, as segmentaridades, a sedentaridade, o aparelho de Estado. … Existem unicamente multiplicidades de multiplicidades que formam um mesmo agenciamento: as matilhas nas massas e inversamente. [Guatari&Deleuze | op. Cit.]

*estabelecida na dicotomia a uma sociedade hierarquica nao-rizomatica [detentora da “ciencia regia”…]

desenho antigo sobre redes: virtual feudals

desenho antigo sobre redes: virtual feudals