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Manifesto Antropofágico [rev#3]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 13, 2009 at 11:34 pm

Cheguei onde eu queria: rever o conceito de Antropofagia e Antropoemia [rev#2 >> 02.07.2007] … 3a revisão [tentativa de compreensão — apreensão — da Modernidade e Pós-Modernidade, na busca – anseio – de se propor uma nova ética e novas morais a uma geração já nascida na web 2.0]

proposição um: ano de 1928 [como se dava esta “troca em rede”: com quem os artistas, intelectuais, empresários — agentes culturais — dialogavam ao redor do mundo? e como?]

o Direito = a Garantia do Exercício da Possibilidade. @Galli Mathias

Só a Antropofagia[1 #Bauman] nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo.

Expressão mascarada

de todos os individualismos,

de todos os coletivismos.

De todas as religiões.

De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses.

[E contra a mãe dos Gracos #2].

“Só me interessa o que não é meu”: Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama.

[Freud #3 acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.]

O que atropelava a verdade era a roupa,o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior.[4 #Sennet]

A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará [#5].

Filhos do sol, mãe dos viventes.[6]

Encontrados e amados ferozmente,

com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande. [7]

Foi porque nunca tivemos gramáticas,

nem coleções de velhos vegetais.

E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental.

Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante [8], uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. [9]

……………………………………..A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl [10] estudar.

Queremos a Revolução Caraiba [11]. Maior que a Revolução Francesa.

A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação.

O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. [12] Montaig-ne. [12a]

O homem natural: Rousseau [13]

Da Revolução Francesa ao Romantismo,

……………………………………………à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling [14]. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo [15].

Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica [16] entre nós.

Contra o Padre Vieira [17].

[Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão.]

O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia.

[Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.]

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. [18]

O antropomorfismo. [19]

Necessidade da vacina antropofágica [20]: Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular. [21]

Tínhamos a justiça codificação da vingança. [22]

A ciência codificação da Magia. [23]

Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

——————————–

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários.[24]

E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. [25] Só a maquinaria [26]. E os transfusores de sangue [27]

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.”

(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

Copy&Paste [último acesso: 13julho2009]


obs. Macunaíma é de 1928. Em 1927, o mestre Mário [então com 33 p/34 anos de idade] faz a sua “viagem etnográfica” pelo Brasil [maio-agosto].

TAG “antropofagia o que é” [auto-post da Google a partir de Antropofagia, 186.000 resultados]

in Só me interessa o que não é meu: a antropofagia de Oswald de Andrade”, @Maria Cândida Ferreira de Almeida ICBV [s/ data. .doc acessado em 13julho2009]:

  • A antropofagia, enquanto conceito, apresenta uma face produtiva, diversa da pura destruição com que costuma aparecer no discurso “civilizado”  sobre a “barbárie”, que utiliza o ato canibal como signo da violência máxima. Sob a perspectiva oswaldiana e selvagem, a antropofagia preconiza uma espécie de transubstanciação na qual  aquele que é o devorador se altera no devorado. A“morte”  e “devoração” do outro recria o próprio; dentro desta perspectiva, o discurso ressentido das relações coloniais torna-se discurso produtivo de identidades.
  • A revista tinha penetração na Agência Brasileira que possuía uma extensa rede de jornais por todo o país e divulgava os “atos antropofágicos” para os círculos letrados das outras regiões. “A Antropofagia, nessa fase, não pretendia ensinar nada. Dava apenas lições de desrespeito aos canastrões das letras. Fazia inventário da massa falida de uma poesia bobalhona e sem significado”(Bopp, 1966: 37) … Na maioria absoluta das vezes o canibal será o outro, distante geográfica e culturalmente; até para aqueles que praticam a androfagia, pois eles vêem o seu próprio canibalismo como socializado, ao contrário do canibalismo do outro, ou seja, dos deuses e dos inimigos, que praticariam um canibalismo “selvagem”. Assim, o antropófago será, principalmente, o bárbaro, aquele que está distante da civilização que detém o discurso enunciador. @op.cit.
  • Oswald de Andrade reverte essa ordem, ao se apresentar como antropófago, propondo a antropofagia como gesto relacional próprio da cultura brasileira, na qual, muitas vezes, as diversidades se apresentam como inconciliáveis e o outro, como uma distinção, uma alteridade, é interno, formado por parte da população ameríndia, afrodescendente, oriental, asiática e mesmo europeus de imigrações mais recentes do século XX.
  • Na obra de Oswald, particularmente ao cunhar o conceito de antropofagia, está evidente a influência da leitura de Sigmund Freud. Um ponto levantado pelo psicanalista, em seu texto Totem e Tabu, “a apropriação das qualidades do objeto”, é apontado por muitos críticos como marca dessa influência. Em Freud, tal apropriação refere-se à devoração do pai, e esse foi o mote do modernista para proclamar seu “alto canibalismo”, um canibalismo produtivo, já que a morte do pai leva à distribuição das mulheres entre os filhos e, portanto, a sua reprodução, contra um “baixo canibalismo”, restrito ao âmbito da destruição.
  • o conceito de antropofagia foi delineado pelo escritor em oposição ao modelo “salvacionista civilizado” criando um lugar discursivo e de atuação para o americano. … um modo de atuar a partir de outros paradigmas, que não aqueles colocados pela tradição grego-romana próprios da cultura européia. … destacando, por fim, a relação das elites políticas e de pensamento com a língua popular e com a própria concepção de canibalismo.
  • Para Oswald, como sintetizou Augusto de Campos: “(a) operação metafísica que se liga ao rito antropofágico é a da transformação do tabu em totem, do valor oposto, em valor favorável. A vida é devoração pura. Nesse devorar que ameaça a cada minuto a existência humana, cabe ao homem totemizar o tabu” @Campos, Augusto de. 1978. Poesia antipoesia antropofagia. São Paulo: Cortez e Moraes.
  • Com a apologia da devoração da diferença, Oswald ultrapassa a concepção freudiana que limitava o canibalismo à devoração de objetos com qualidades desejáveis. … Na Revista de Antropofagia, a devoração do “inimigo” ou do contrário aparece em um texto intitulado “O homem que comi aos bocadinhos”, assinado por João do Presente (seria Oswald?). A cada frase do “homem”, do tipo, “Viver por outrem viver às claras”, que desagradava seu interlocutor suscitava como resposta uma mordida, até que ele termina todo devorado, tal como os peixes, pois morreu “pela boca” por causa de sua fala chavão: “O coitado é positivista, e talvez por isso estava com a carne mesmo no ponto de ser comida. E eu comi.”
  • “um modo antropofágico de subjetivação se reconheceria pela presença de um grau considerável de abertura, o que implica numa certa fluidez: encarnar o mais possível a antropofagia das forças, deixando-se desterritorializar, ao invés de se anestesiar de pavor; dispor do maior jogo de cintura possível para improvisar novos mundos toda vez que isso se faz necessário, ao invés de bater o pé no mesmo lugar por medo de ficar sem chão.” @Rolnik, Suely. 1996. “Guerra dos Gêneros & Guerra aos Gêneros”. En:  item 4 revista de arte nº4 novembro, Rio de Janeiro.
  • “…com a ‘Antropofagia’ de Oswald de Andrade, nos anos 20 (retomada depois, em termos de cosmovisão filosófico-existencial, nos anos 50, na tese A Crise da Filosofia Messiânica), tivemos um sentido agudo da necessidade de pensar o nacional em relacionamento dialético com o universal.(…) Ela não envolve uma submissão (uma catequese), mas uma transculturação: melhor ainda uma ‘transvaloração’: uma visão crítica da história como função negativa (no sentido de Nietzche), capaz tanto de uma de apropriação como de desapropriação, desierarquização, desconstrução” @Campos, Haroldo de. 1983. “Da razão antropofágica: diálogo e diferença na cultura brasileira”. Boletim bibliográfico – Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, v.44, jan./dez.
  • … Quando Tarsila e Oswald regressam de Paris, em 1926, liam diariamente o rodapé do “Diário da Noite” de São Paulo que publicava em capítulos, a adaptação de Lobato das aventuras de “Hans Staden entre os Selvagens do Brasil”, obra que colocava a antropofagia em cena; …
  • Em 1922, aconteceu um “escândalo” que tomamos como exemplar para entender a relação da sociedade institucional brasileira, formada por uma elite que se quer branca, e a cultura popular desenvolvida pela população negra. A polêmica tinha começado alguns anos antes, como descreveu o jornal Gazeta de Notícias, que também nos fornece um retrato da sociedade carioca do começo dos anos 20: … Em uma sociedade que se apresentava como européia em diversas facetas a presença da população negra visibilizada por sua expressão artística, instalava um incômodo, que segundo reivindicação de parte da sociedade da época, deveria ser combatido através das intituições, como os jornais e o aparelho de estado. “Os Oito Batutas” , formado por Pinxinguinha, China, Donga e Nelson Alves, entre outros embarcou, em janeiro de 1922, para Paris causando mal-estar entre brasileiros, alguns chegaram a “taxar a viagem como desmoralizadora”  e pediram “providências do Ministério das Relações Exteriores” (Silva, 1979:68)  uma vez que não podiam aceitar a cultura popular e negra representando o Brasil na Europa. Estes conflitos cotidianamente ocupavam as páginas dos periódicos, nos quais emergia indiretamente a discussão de qual o lugar que a população negra deveria ocupar na sociedade brasileira.
  • A antropofagia oswaldiana não seria uma atitude passiva do colonizado, mas uma atitude ao mesmo tempo de receptividade e de escolha crítica. “Só a antropofagia nos salva por assumir alegremente a escolha da transformação do velho, do alheio em próprio, em original. Por reconhecer que a originalidade nunca é mais do que uma questão de arranjo novo” (Perrone-Moisés, 1990:98-99).
  • … louvar a 24ª Bienal de São Paulo de 1998, cujo tema foi a antropofagia …
  • Não há um lugar estável dentro do discurso da modernidade para a expressão do outro; mesmo que nos últimos anos, vozes e mais vozes tenham se erguido contra o monopólio discursivo dos lugares tidos como centrais. Dentro desse cenário, ficamos outra vez com  Oswald de Andrade, para quem “(a) Antropofagia fazia lembrar que a vida é devoração opondo-se a todas as ilusões salvacionistas”.
  • [A Antropofagia é sempre] Tomada como vanguarda, permanece vanguarda, instiga o pensamento, a criação, o debate contemporâneos.

buscar tbm:

  1. Almeida, Maria Cândida 1999. Tornar-se outro: o topos canibal na literatura brasileira. (tese de doutoramento) Belo Horizonte: Fale/UFMG. ou aqui sebo
  2. e Guimarães Rosa [1908-1967]

links quick research:

obs2: ética da confiança na rede: confia-se que o enunciador do discurso apreendido — blog — publicou [digitalizou sua escrita] na data referente ao post [publicação relacionada à pesquisa]. A partir desta primeira ética — em rede –, valida-se a enunciação d’outrem: citação/ pertencente a @ #link

http://www.angelfire.com/mn/macunaima/

http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/modernismo/brasil/1_fase/mario_andrade.html

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