surveillanceme

Archive for July, 2009|Monthly archive page

ABSURDO

In friends&artists, life2009, personal ... trainee on July 28, 2009 at 12:54 am

única divindade da razão: o acaso

“Somos obrigados às mesmas precauções que o domador:

Se ele tem a infelicidade

[antes de entrar na jaula]

de auto-cortar-se com a navalha

Que banquete para as feras!”

La Chute — Camus, aos 42-43 anos de idade

…………………………..

recebi um email há algumas semanas com este exato subject. na linha que se seguia visualizava-se: (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, fragmento 23) abri o email [msm sem conhecer o remetente, mas este não caíra no spam-‘malha fina’ del gran google & filters…]

Tornarmo-nos esfinges,

ainda que falsas,

até chegarmos ao ponto

de já não sabermos quem somos.

Porque,

de resto,

nós o que somos é

esfinges falsas

e não sabemos o que somos realmente.

O único modo de estarmos de acordo com a vida

é estarmos em desacordo com nós próprios.

O absurdo é o divino.

Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente,

só para depois agirmos contra elas – agirmos e justificar as nossas ações com teorias que as condenam.

Talhar um caminho na vida,

e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho.

Ter todos os gestos e todas as atitudes

de qualquer coisa que nem somos,

nem pretendemos ser,

nem pretendemos ser tomados como sendo.

Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece.

coincidentemente chegou a mim tal email exatamente um dia após a publicação deste post: Liberdade é fazer o que se quer e querer o que se fez

O Bailado de Flávio de Carvalho

In the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 27, 2009 at 2:14 am

“…o extremo cuidado com cada palavra e gesto diante da presença do outro!

…mas já não mais o outro ‘de fora’, mas o Outro em mim!

Não existe o tocar que não seja, simultaneamente, ser tocado.

…conduz nosso olhar para aquele que foi um dos primeiros performers brasileiros

(embora, Flávio, preferisse o termo ‘experiência’)…”

txt retirado do “programa-da-peça”*

flavio de carvalho1

Flávio de Carvalho em Experiência nº 3, [Traje de Verão, Traje Tropical :: realizada publicamente em 1956]

“ele sai andando pelas ruas de São Paulo vestido com o traje de verão do “novo homem dos trópicos” (ou new look), desenhado por ele, e que consistia em uma roupa para ambos os sexos: uma blusa de náilon, um saiote com pregas e um chapéu transparente, vestidos com meia-arrastão e sandálias de couro.”

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

experiência —

“Explorando o campo semântico de experiência, vamos nos deparar com a acumulação de conhecimentos, o saber que advém das vivências, os atravessamentos que os acontecimentos impõem a todo aquele que se encontre em posição de enfrentar o desconhecido, e a superação de limites, inclusive de riscos. … respeitando sua etimologia pode ser:

uma travessia de risco.

* O Bailado de Flávio de Carvalho @ Centro Cultural FIESP

“… propõe uma reaproximação do universo turbulento, teatral e plástico desse artista insuficientemente visitado. Seus escritos e atitudes provocadores e radicais já prenunciavam nos anos 30 do século passado os dias atuais…

…O eixo condutor do espetáculo é a peça Bailado do Deus Morto, escrita e encenada por ele em 1933. Em torno desse eixo, estão as famosas experiências do artista, as pinturas e as suas instigantes reflexões acerca do homem moderno.”

flavio de carvalho3

demais links acessados [imagens] para este post:

http://luccasjc.flogbrasil.terra.com.br/foto16283763.html

http://www.artesdoispontos.com/viu.php?tb=viu&id=18

Elogio aos errantes. Breve histórico das errâncias urbanas (1) por Paola Berenstein Jacques | outubro 2004

“…O engenheiro civil, arquiteto, escultor e decorador Flávio de Carvalho, como ele se denominava, ficou mais conhecido por suas pinturas e obras arquitetônicas, do que por suas errâncias urbanas, que ele denominou de Experiências.

A Experiência nº 2 realizada em 1931 e publicada em livro homônimo (com o subtítulo, uma possível teoria e uma experiência), consistia na prática de uma deambulação, com um tipo de boné cobrindo a cabeça, no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi pelas ruas de São Paulo, como ele conta em seu livro: “Tomei logo a resolução de passar em revista o cortejo, conservando o meu chapéu na cabeça e andando em direção oposta à que ele seguia para melhor observar o efeito do meu ato ímpio na fisionomia dos crentes.” Depois de algum tempo a multidão se voltou contra ele, que teve que fugir e se refugiar em uma leiteria. Quando a polícia o prendeu ele disse que estava realizando uma “experiência sobre a psicologia das multidões”. Nos jornais do dia seguinte as manchetes destacavam: “Na procissão uma experiência sobre a psicologia das multidões da qual resultou sério distúrbio” (O Estado de São Paulo. São Paulo, 9 de junho de 1931). …”

outrarse again [Aristóteles & Platão]

In academic bursary on July 22, 2009 at 3:00 am

16 de Junho de 2009
O Banquete, de Platão

O Banquete trata da amizade, do amor e é um dos diálogos de Platão da categoria política.

Mas como a discussão sobre a amizade pode inserir essa obra na problemática política?

Para Platão, a amizade é uma força educadora e nexo que mantém o Estado.

A amizade é “forma fundamental de toda comunidade humana que não seja puramente natural, mas sim uma comunidade espiritual e ética.”

Não é possível existir uma comunidade que não seja baseada na amizade,

pois essa tende para aquilo que é o bem e este une os homens.

O bem é aquilo que é supremo, está impresso na alma, é o primeiro amado,

aquilo que permite a admiração pelas demais coisas,

em outras palavras, antes de tudo vem o bem, para o qual o ser humano deve voltar-se,

aquilo que tudo une,

ente unificador.

_________________________

in

http://resumofacil.blogspot.com/

[acesso: 22 de julho de 2009]

_________________________

Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Ética a Nicômaco

Três são as coisas que o homem ama, segundo Aristóteles, logo, três são as formas de amizade:

pelo útil, prazer e bem.

Os homens que amam em busca do útil,

buscam um bem imediato, riquezas ou honras.

Ama-se,

não em vista do fim em si mesmo,

mas como meio de adquirir vantagens.

A forma em função do prazer é semelhante à forma de se amar pelo útil.

Busca-se o prazer recíproco.

A amizade é estável enquanto persistir este elo prazeroso.

Estas duas espécies de amizade são acidentais.

Quando uma das partes cessa de ser agradável ou útil, a outra deixa de amá-la.

Na terceira forma, pelo bem, ama-se o outro por aquilo que ele é.

Ama-se pela bondade.

É a verdadeira forma de amizade e só é possível entre os amigos bons

com senso de justiça e equidade.

Esta forma de amizade não é muito freqüente.

Ela exige tempo, familiaridade, um habitus,

digna entre os amigos bons e virtuosos.

E a phrónesis auxilia na escolha de amigos recíprocos.

Para Aristóteles o amigo é um outro eu,

possibilidade de autoconhecimento.

Conhecemo-nos olhando para o outro.

Devido a nossa finitude, procuramos atingir à perfeição moral no espelhamento do outro.

É um momento essencial da vida feliz

e implica reconhecimento, bondade e reciprocidade,

atingindo a expansão social do eu.

Assim, a amizade também é um bem supremo,

um valor que nos conduz à eudaimonia

– vivência da plenitude humana, mediada com amigos bons e vida contemplativa –

No livro X da Ética a Nicômacos vemos o conceito de prazer e sua relação com as excelências do homem.

TAGs & GOOGLE – metodologias de aprendizagens

In A Little About My Master Degree, academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 22, 2009 at 2:17 am

metodologias de aprendizagem em tempos de rede:

“A composição baseada em tags é mashup.”

[frase-status no gtalk de um de meus contatos online | 20 de julho de 2009]

tags: “max weber” | encantamento

__________________________________________

#1 >> “Max Weber e Michel Foucault: uma análise sobre o poder”

O poder é um fenômeno que vem merecendo muitos e variados enfoques nos estudos organizacionais da atualidade. Mas, a preocupação com este tema remonta de datas bem antigas. Daí, dado as restrições temporais e em termos de espaço, não nos darmos a uma descrição dos variados autores com os múltiplos olhares sobre o poder, mas sim, centralizarmos nosso foco analítico em duas figuras principais: Max Weber e Michel Foucault. O primeiro entendendo o fenômeno em termos de uma materialidade, que, portanto, poderia se metamorfosear em termos de transmissão da base de origem de uma forma a outra, sendo ela ora a tradição, ora o carisma, ora regras impessoais e universais a certas instituições burocráticas que unidas formariam a sociedade como um todo. O segundo, entendendo o fenômeno como uma correlação de forças no interior de instituições de reclusão denominadas “disciplinares”, nas quais os corpos seriam distribuídos, individualizados, adestrados, vigiados, sancionados e examinados no intuito de aumentar suas forças produtivas a um máximo e reduzir suas forças políticas a um mínimo. Nas palavras de Foucault: criação de corpos dóceis.


É importante salientar que a abordagem foucaultiana não se esgota na descrição do exercício do poder disciplinar, ele ainda abordou outra forma de exercício de poder que denominou biopolíticas que em vez de focalizarem os corpos individuais como alvo de exercício procurariam controlar fenômenos próprios à população para que os mesmos entrassem no interior dos cálculos infinitesimais dos controles estatais.

Assim, podemos afirmar, que enquadrados, distribuídos espacialmente, individualizados, postos em relação a uma atividade, vigiados para por fim gerarem um registro que dará forma e conteúdo a diversas disciplinas de saber; os corpos, além de se tornarem dóceis e úteis, ainda produziriam um incorpóreo que possuiria nele próprio todas as regras e princípios da clausura, e este incorpóreo seria nada mais, nada menos que suas próprias subjetividades.

O tipo de sociedade que poria em funcionamento este tipo específico de poder foi classificada por Foucault de sociedade disciplinar “na qual o comando social é construído mediante uma rede difusa de dispositivos ou aparelhos que produzem e regulam os costumes, os hábitos e as práticas produtivas (HARDT; NEGRI, 2001, p. 42)”, sendo posta em funcionamento através de instituições também classificadas por Foucault como disciplinares (a prisão, a fábrica, o asilo, o hospital, a universidade, a escola e etc) que estruturariam o terreno social e forneceriam explicações lógicas e adequadas para a razão da disciplina (HARDT; NEGRI, 2001).


Foucault, ao contrário de Weber, partiria para a observação do que descreveu em sua forma real, ou seja, as observações acerca do funcionamento da prisão, da fábrica, da escola e etc, seriam em sentido lato, “o como” o poder realmente é exercido nestas instituições e as descrições sobre os efeitos desse poder, realmente apresentariam os resultados nos corpos dos afetos das relações de força características deste poder.

Mas, ponto comum entre as duas abordagens é o contexto do exercício do poder. Tanto para Foucault quanto para Weber relações de poder só poderiam existir caso os membros envolvidos em tais relações gozassem de liberdade.

Ao contrário do pensamento usual, o poder não é contrário à liberdade. Sociedades nas quais seus membros não gozem de liberdade política estão sob o jugo de relações de submissão e não relações de poder.

Parece fazer mais sentido acreditar que as pessoas aceitam serem lideradas por o conteúdo do trabalho as afetarem de alguma forma, ou seja, as atividades que tem de executar fazerem algum sentido para as mesmas e, como última observação, podemos citar também a importância do conceito da produção subjetiva como fator explicativo para a atual debilidade e inoperância dos movimentos trabalhistas.

Marcadores [Post Tags]: ciência política, Foucault, poder, Weber

Terça-feira, 16 de Junho de 2009 [acesso em 22 de julho de 2009]

toda essa merda educada

In personal ... trainee on July 21, 2009 at 11:51 pm

Teria mesmo chegado ao ponto de dizer nutro?

Teria, teria sim,

teria dito nutro e relacionamento e rompimento e afeto,

teria dito também estima e consideração e mais alto apreço

e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer

para colorir a indiferença

quando o coração ficou inteiramente gelado.


– Caio F.Abreu –

desvicia-me!

In Uncategorized on July 21, 2009 at 11:47 pm

Já fui viciada em palavras
E as palavras me impediam de sentir.

Já fui viciada em sentir
E sofria por coisas pequenas.

Já fui viciada em sofrer
E a auto-piedade me impedia de enxergar os outros

Já fui viciada em pessoas
E as pessoas me impediam de ser eu

Já fui viciada em mim mesma
E era chamada de egocêntrica por não pensar no mundo

Já fui viciada em mundo
E o conhecimento me privava da inocência

Já fui viciada em inocência
E esta me escondia a verdade

Já fui viciada em verdade
E buscando o sentido de tudo, me esquecia de
simplesmente viver.

Hoje sou viciada em vida
E acho que ainda morro disso!

Vícios (Larissa Lamas Pucci)

an old a[u]nt

In A Little About My Research Project, the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 20, 2009 at 7:51 pm

devemos ter a noção — base referencial — de que estas novas* gerações [já nascidas na web 2.0] são de uma ética e morais

Post-Blade Runner:

nascidos Pós-1984

the new generation since 1984

…My schedule for today lists a six-hour self-accusatory depression. What? Why did u schedule that? It defeated the whole purpose of the mood organ. At that moment when I had the TV sound off, I was in a 382 mood; I had just dialed it. So although I heard the emptiness intellectually, I didn’t feel it. My first reaction consisted of being grateful that we could afford a Penfield mood organ. But then I realized how unhealthy it was, sensing the absence of life, not just in this building but everywhere, and not reacting — do you see? I guess u dont. But that used to be considered a sign of mental illness; they called it ‘absence of appropriate affect’. So I left the TV sound off and I sat down at my mood organ and I experimented. And I finally found a setting for despair. — Her dark, pert face showed satisfaction, as if she had achieved something of worth. — So I put it on my schedule for twice a month; I think that’s a reasonable amount of time to feel hopeless about everything, about staying here on Earth after everybody who’s smart has emigrated, dont u think? But mood like that u r apt to stay in it, not dial your way out. Despair like that, about total reality, is self-perpetuating. I program an automatic resetting for 3hs later. A 481. Awareness of the manifold possibilities open to me in the future; new hope... Listen, even with an automatic cutoff it’s dangerous to undergo a depression, any kind. Forget what u’ve scheduled and I’ll forget what I’ve scheduled; we’ll dial a 104 together and both experience it, and then u stay in it while I reset mine for my usual businesslike attitude. Dial 888: the desire to watch TV, no matter what’s on it. …dial 3. I can’t dial a setting that stimulates my cerebral cortex into wanting to dial! If I don’t want to dial, I don’t want to dial that most of all, because then I will want to dial, and wanting to dial is right now the most alien drive I can imagine; I just want to sit here on the bed and stare at the floor. Okay, I give up; I’ll dial. Anything u want me to be; ecstatic sexual bliss — I feel so bad I’ll even endure that. What the hell. What difference does it make? I’ll dial for both of us, …dialed 594: pleased acknowledgment of husband’s superior wisdom in all matters. On his own console he dialed for a creative and fresh attitude toward his job, although this he hardly needed; such was his habitual, innate approach without recourse to Penfield artificial brain stimulation.

…nao sei se haverá energia para o doutorado. creio fielmente que não; então vou postando a pesquisa-prévia [1999-2008]… talvez alguém possa utilizá-la em prol de algo, de vida, de sentido de viver e viver-se…

*que hoje se ncontram na chamada ‘idade universitária’ [the 20’s people]

Desejo :: Spinoza em Lacan

In academic bursary on July 16, 2009 at 5:05 am

na dor de existir, uma anestesia referida à própria condição (Lacan, [1966] 1995). Sua apresentação se atesta como uma ausência de sensibilidade que acomete o sujeito incapaz de localizar, no mundo, um valor que justifique sua presença. Carente de algo que possa lhe dar sentido, o sujeito se vê privado da tensão essencial ao desejo que confere à percepção do mundo uma intencionalidade própria. … indivíduos que se mostram apáticos, desprovidos de intencionalidade, pessoas que num certo momento se vêem incapazes de localizar, na superfície extensa e tediosa que para elas se tornou a realidade, a tensão que imprime ao mundo a verticalidade do desejo.

A depressão revela a condição de desamparo de que falava Freud, da qual tentamos nos proteger construindo uma rede de vínculos ilusórios a que chamamos de amor e de sentido da vida, sem que se saiba o que isso quer dizer: é preciso estar inconsciente de uma ilusão [jogo] para que ela [este] nos sustente. … rede ilusória de sentido e amparo da qual se constitui o laço social

Tal como, para a medicina, a febre e a dor são signos externos de afecções variadas, que podem ocorrer tanto nas infecções quanto nas afecções reumáticas, a depressão, para a psicanálise, não mais é do que a expressão afetiva de um retraimento libidinal que pode ocorrer em todas as estruturas clínicas.

A falta de vontade constante … corresponde … a uma recusa ética de situar, através do pensamento, a estrutura simbólica que o determina no inconsciente.  … É preciso criar uma tensão do pensamento e examinar de perto três referências aqui essenciais para se entender o que está em questão nessa definição [para Lacan] … Essas referências são Dante, Spinoza e a noção de pecado, ou de falta moral.

Impossível não evocar aqui o filósofo Martin Heidegger ([1929-1930] 1992), para quem a experiência do tédio (Langeweile), como aquilo que nos arrasta e nos deixa vazio, alimenta-se precisamente de sua ausência de localização.

se sua ética [@Spinoza] se estabelece como um projeto que visa a determinar a lógica da afetividade, é porque ele supõe a natureza como uma rede de conexões causais cuja inteligibilidade pode e deve ser alcançada pelo pensamento.


ÉTICA = LÓGICA DA AFETIVIDADE

[a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil]

Se o corpo humano foi uma vez afetado por dois corpos ao mesmo tempo, quando mais tarde o Espírito imaginar um dos dois, imediatamente ele se lembrará do outro. Ora, as imaginações do espírito indicam mais os afetos de nosso corpo do que a natureza dos corpos exteriores: logo, se o corpo, e, por conseguinte, o espírito, foi uma vez afetado por dois afetos, quando mais tarde um dos dois o afetar, o outro o afetará também (Spinoza, 1988: 226-227).

Há, por conseguinte, aos olhos de Spinoza, uma contingência associativa entre o afeto e seu objeto, a qual se confirma logo após, na Proposição XV, quando ele afirma que “qualquer coisa pode ser acidentalmente causa de alegria, de tristeza ou desejo” (Spinoza, 1988: 226-227). Daí se entende, conforme se lê no Escólio:

que pode acontecer que amemos ou que odiemos certas coisas sem que conheçamos a razão para isso, mas somente por simpatia ou antipatia. E é a isso que se deve igualmente relacionar os objetos que nos afetam com alegria ou tristeza pelo simples fato que tenham alguma semelhança com objetos que nos causam habitualmente os mesmos afetos (Spinoza, 1988: 228-229).

Conforme se lê na definição 5 do livro I, por modo se entende “as afecções de uma substância, ou seja, o que é em outra coisa e que também se concebe por essa outra coisa” (Spinoza, 1988: 14-15). Modos são, portanto, segundo traduz Deleuze, poderes de afetar e ser afetado por aquilo que lhe é conexo, donde se infere que a Spinoza interessa uma ontologia conectiva, uma ontologia cujos elementos se definem por sua conexões. Afirmar, portanto, que “Deus (ou a natureza) produz uma infinidade de coisas numa infinidade de modos” (Livro I, proposição XVI) (Spinoza, 1988: 44-45) significa dizer que os efeitos gerados pela natureza são seres reais que têm uma essência e uma existência próprias, mas que não existem e não estão fora dos atributos nos quais eles são produzidos. Sendo a natureza uma vasta rede de conexões causais, os seres, por sua vez, são poderes de ser afetado e de afetar, tanto no plano do corpo quanto no plano do pensamento.

A ontologia espinosista refere-se assim aos seres não pela abstração de sua forma, mas pelos afetos que são capazes de provocar e receber.

Para ir diretamente ao ponto, pode-se resumir dizendo que é próprio da paixão preencher nosso poder de ser afetado por algo do qual não somos a causa, separando-nos de nossa potência de agir. Quando se encontra um corpo exterior que não convém com o nosso (ou seja: cuja conexão com ele não se compõe), nossa potência de agir é diminuída e o afeto correspondente é a tristeza. Já quando este corpo nos convém, nossa potência de agir é aumentada, suscitando a experiência da alegria. Mas a alegria ainda é uma paixão, posto que ligada a uma causa exterior. Ficamos ainda separados de nossa potência de agir. É preciso, portanto, com relação a uma paixão, chegar ao princípio exato do seu conhecimento, para assim transformá-la em ação. Nesse sentido, a tristeza corresponderia, aos olhos de Spinoza, à impotência em que se encontra o sujeito diante de um afeto que, por se mostrar confuso, não lhe permite encontrar a necessidade lógica pela qual ele determina o seu agir. Seu corolário seria o abatimento, o qual se traduz, clinicamente, ao modo da deflação libidinal que se manifesta na perda de iniciativa do sujeito

É necessário, portanto, que haja desejo de conhecimento do verdadeiro como afeto para suprimir a tristeza de nossa condição de impotência. Mas se considerarmos, como se lê na proposição XV, que o desejo oriundo do verdadeiro conhecimento pode ser extinto ou contrariado por muitos outros desejos que nascem dos demais afetos que nos dominam, como então evitar uma conclusão pessimista acerca de nossa condição, a qual em nada condiz com o programa de Spinoza?

para Spinoza, o conhecimento verdadeiro é impotente contra os afetos

Há que existir em nós um sujeito, que não é decerto uma substância, mas que se afirma no próprio ato do pensamento. Pois, se é verdade, como afirma desde o início Spinoza, que o espírito é a idéia do corpo, essa idéia não é um simples efeito ou reflexo do corpo. A idéia não é a correspondência mental do objeto, ela não somente lhe é distinta (a idéia do círculo não é circular, como já se lê desde a Reforma do Entendimento) como também supõe algo mais do que seu objeto: ela é sua afirmação.

Sendo, pois, a idéia uma afirmação, e não uma simples representação do seu objeto, ela deriva necessariamente da atividade ou do esforço de quem a afirma, esforço no qual se articulam, aos olhos de Spinoza, a razão e os afetos. É, portanto, no cerne dessa atividade que razão e afetos encontram uma raiz comum, que permite tratar um pelo outro: o conatus pelo qual se designa o esforço para perseverar no ser. Ao conatus corresponde, assim, segundo assinala Deleuze, “a função existencial da essência, ou seja, a afirmação da essência na existência do modo” que lhe confere duração. Se a razão se afirma, então, ao estabelecer relações inteligíveis entre aquilo que nos afeta, é porque sua atividade consiste em construir o que Spinoza nomeia de noções comuns, ou seja, “idéias que se explicam formalmente por meio de nossa potência de pensar” (Deleuze, 1968: 258), idéias das quais somos a causa adequada. Diferentemente, portanto, das idéias confusas que nos chegam através da sensibilidade, as noções comuns se apresentam como idéias claras e distintas, porquanto dependem unicamente da própria afirmação da racionalidade, cuja atividade consiste em ligar o que convém com a nossa composição.

Mas a razão – nunca é demais lembrar – não se exerce jamais exteriormente aos afetos. São as paixões alegres que nos conduzem, segundo Spinoza, a formar as noções comuns que lhes correspondem, gerando assim o princípio indutor da atividade da razão. Assim, se a idéia produzida por uma paixão alegre tem sua causa fora de nós, a idéia, que essa paixão induz, do que é comum a nosso corpo e ao que lhe é exterior é produto da razão somente, manifestando assim nossa potência de agir. … Pois a razão, insiste Spinoza, não demanda nada contra a Natureza; ela pede somente que cada um busque o que lhe é útil, que cada um deseje o que o conduza realmente a um estado de perfeição maior, que cada um, enfim, se esforce, segundo sua potência, em se conservar no ser.

homologia entre a ética espinosista do bem pensar e a ética lacaniana do bem dizer.

distintamente da perspectiva de Spinoza, para quem a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil, o que está de acordo com a sua composição, o que convém a seu esforço de perseverar no ser, o que a psicanálise isola, no cerne de sua experiência, é justamente o objeto causa de desejo como algo de essencialmente inútil, que em nada serve a seu esforço de perseverar no ser.

O que a psicanálise isola no fundo, diz Jacques-Alain Miller (2004-2005), é uma peça sem uso, uma peça fora de toda e qualquer conexão na maquinaria significante. Esta peça avulsa, que para nada serve, é a figura do sem sentido, figura daquilo que não se emenda na significação, que não se ajusta à composição do ser falante.

Essa peça corresponde, enfim, como se pode adivinhar, à radical ausência, que a psicanálise explicita, da conexão sexual enquanto elemento irredutível de contingência. … Não é em todo caso fortuito, vale lembrar, antes de concluir, que a beatitude espinosista, enquanto lugar de realização de uma racionalidade integral, esteja condicionada pelo esquecimento da questão da sexualidade, diante da qual todo pensamento é débil (Miller, 2004-2005).



[acesso: 16.07.2009]
@Antônio M. R. Teixeira Depression or thought’s laziness? Reflexions on Lacan’s Spinoza


LIBERDADE É FAZER O QUE SE QUER E QUERER O QUE SE FEZ

In academic bursary, life2009 on July 14, 2009 at 10:20 pm

Abril deste ano foi um mês-espiral pra mim.

Enquanto alguns rapazes [ao redor dos 20 anos de idade] pichavam — livres e radicais — os muros da cidade com uma frase que, aos aficcionados por cinema, parecia oriunda do cinema marginal da década de 70, a cidade sintonizava-se, pelo menos a quem a recebia e percebia: falávamos todos de amor, de amar. Com um fascínio louco por sair gritando isto por aí, que obrigassem a tds a  escutá-los, a nos escutar!!!

A verdade é que eu não sei se eu vi ou se me falaram. Ou se primeiro eu vi e dps me falaram ou vice-versa… mas, virou uma certa memória comum tbm aqui no espaçø públicø de mentes coletivas:

O amor é importante, porra! [28deMarçode2009]

——– ——— ——– poesia em rede:

[25 min. a pé de casa, num caminhar tranquilo]

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos, qto mais curtos…

ou seria

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos… qto mais, curtos…

?

[e lá, a terra dos antropoemicos e antropofagicos cidadaos civilizados!]

ETICA NA REDE

In academic bursary on July 14, 2009 at 6:05 pm

a etica na rede eh uma “etica positiva”?

————————————————————————————–
axioma/ ver.#1 “Para nos relacionarmos precisamos de encontros, a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos

————————————————————————————-#Spinoza [linka onde? em quais protocolos? Google, Yahoo! Amazon Answers Creative Commos delicious eBay Wikipedia … Get more search engines]

dificil criar pseudônimos-reais em uma sociedade virtual… […]

positivo em uma “lógica ‘capitalista'”? #cookies

positivo = paz de espírito? :: paz de espírito = no nóias/ no split minds!]