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Poema em linha reta: entre lobos e matilhas

In life2009 on June 30, 2009 at 2:07 am

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu,

tantas vezes reles,

tantas vezes porco,

tantas vezes vil,


Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu,

que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu,

que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco,

mesquinho,

submisso e arrogante,


Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado,

tenho sido mais ridículo ainda;
Eu,

que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu,

que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu,

que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu,

que, quando a hora do soco surgiu,

me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;


Eu,

que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado,

mas uma infâmia;


Que contasse, não uma violência,

mas uma cobardia!


Não, são todos o Ideal,

se os oiço e me falam.


Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!


Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!


E eu,

que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?


Eu,

que venho sido vil,

literalmente vil,


Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa
[@ Álvaro de Campos]

“outrar”, no verbo de Fernando Pessoa

In academic bursary, life2009 on June 30, 2009 at 1:53 am

Só consigo me reconhecer fora de mim e em relação a.
É minha forma de “outrar”, no verbo de Fernando Pessoa.


Por isso, adoro esta passagem de Brecht:
“eu pensava dentro de outras cabeças;
e na sua, outros, além dele, pensavam.
Este é o verdadeiro conhecimento.”

http://jaldes-campodeensaio.blogspot.com/2008/03/dia-triunfal.html

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“…Gosto de Palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas.
Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -,
Transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritimos verbais, ou os escuta de outros.
Estremeço se dizem bem.


Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente.
E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas.
São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indeferem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas.
Assim as idéias, as imagens, trêmulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de idéia bruxuleia, malhado e confuso.

… Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto não quem escreve mal português,
não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada,
mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente.
A palavra é completa vista e ouvida.

E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.”
[“Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares. Vol. I, het. de Fernando Pessoa]
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“… É extraordinariamente bem feita a sua observação sobre a ausencia em mim do que possa legitimamente chamar-se uma evolução qualquer.

Ha poemas meus, escriptos aos vinte annos, que são eguaes em valia – tanto quanto posso appreciar – aos que escrevo hoje.

Não escrevo melhor do que então, salvo quanto ao conhecimento da lingua portugueza – caso cultural e não poetico.

Escrevo differentemente. Talvez a solução do caso esteja no seguinte.

O que sou essencialmente – por traz das mascaras involuntarias do poeta, do raciocinador e do que mais haja – é dramaturgo.
O phenomeno da minha despersonalização instinctiva, a que alludi em minha carta anterior, para explicação da existencia dos heteronymos, conduz naturalmente a essa definição.


Sendo assim, não evoluo: VIAJO.

(Por um lapso das teclas das maiusculas, sahiu-me, sem que eu quizesse, essa palavra em lettra grande. Está certo, e assim deixo ficar.)
Vou mudando de personalidade, vou (aqui é que póde haver evolução) enriquecendo-me na capacidade de crear personalidades novas, novos typos de fingir que comprehendo o mundo, ou, antes, de fingir que se póde comprehendel-lo.
Porisso dei essa marcha em mim como comparavel, não a uma evolução, mas a uma viagem:
não subi de um andar para outro; segui, em planicie, de um para outro logar.
Perdi, é certo, algumas simplezas e ingenuidades, que havia nos meus poemas de adolescencia;
isso, porém, não é evolução, mas envelhecimento. …”

http://us.geocities.com/marco_lx_pt/pescartaviajo.htm

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A multiplicidade é destacada por Ítalo Calvino como sendo um dos valores que ele gostaria que fosse transferido para a Literatura do novo milênio. Para Calvino quanto mais à obra tende para a multiplicidade mais se distancia da sinceridade interior de quem escreve.

Fernando Pessoa, poeta múltiplo, já procurava despersonalizar-se para fazer surgirem vários eus nesta perspectiva. A fragmentação instala-se em sua poesia demonstrando que o conceito de individualidade inexiste exprimindo um caráter múltiplo do ser. Não sei quantas almas tenho

Ítalo Calvino pergunta, portanto a cerca desta questão:

Quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras. 2

Assim Calvino também contribui para a concepção sobre a inexistência de uma personalidade unificada como garantia de uma verdade que não seja parcial.

O poema se intitula e se inicia com a frase: Não sei quantas almas tenho. Essa colocação evidencia ao mesmo tempo duvidas existenciais e a certeza de um eu múltiplo. Tal aspecto é almejado por Ítalo Calvino ao idealizar: Quem dera fosse possível uma obra que nos permitisse sair da perspectiva limitada do eu individual. 3 Essa expectativa de Calvino é demonstrada nesta poesia de Fernando Pessoa, a qual revela a consciência da multiplicidade, da mutabilidade, e da limitação de apenas ser um ser:

Nota-se que a mutabilidade e a inconstância revelam o desconhecimento de um eu devido ao seu caráter de multiplicidade: Torno-me eles e não eu.. Para tanto, nota-se que o conceito de individualidade inexiste já que.

Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.

http://www.webartigos.com/articles/1040/1/fernando-pessoa-as-multiplas-almas-que-dividem-um-ser/pagina1.html

PARASHÁ#01

In life2009 on June 29, 2009 at 3:37 pm

O papel de todo ser moderador [facilitador social] é:

“acalmar os perturbados

e

perturbar um pouco

aqueles que estão muito calmos”

rav. Reuben [27-06-2009]

qdo desblogarse?…

In personal ... trainee, therefore i am, thinking: i purchase on June 24, 2009 at 12:25 am

…memorias da orfandade.

ALIENAÇÃO #01

In academic bursary on June 23, 2009 at 10:33 pm

TAG @ GOOGLE:

alienação

paciência#01 [acesso em 22 de junho de 2009]

:: momento copy&paste … linking ::

Podemos falar em três grandes formas de alienação existentes nas sociedades modernas ou capitalistas:

Alienação Social, na qual os humanos não se reconhecem como produtores das instituições sociopolíticas e oscilam entre duas atitudes: …

Nos dois casos, a sociedade é o outro (alienus),

algo externo a nós, separado de nós, diferente de nós e com poder total ou nenhum poder sobre nós.

Marilena Chauí, “Convite à filosofia” – Ed. Ática, p.172-5

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Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo.

A palavra alienação tem várias definições: cessão de bens, transferência de domínio de algo, perturbação mental, na qual se registra uma anulação da personalidade individual, arrombamento de espírito, loucura. A partir desses significados traçam algumas diretrizes para melhor analisar o que é a alienação, e assim buscar alguns motivos por quais as pessoas se alienam. Ainda assim, os processos alienantes da vida humana foram tratados de maneira atemporal, defraudada, abstraído de processos sócio-econômicos concreto.

A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, se tornando sua própria negação.

Alienação se refere á diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprio.

A sobrevivência do homem implica uma transformação da natureza e do outro à sua imagem e semelhança, o que impõe uma transformação de si mesmo à imagem e semelhança do mundo e do outro. Viver para o homem é objetivar-se, ser fora de si.

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ALIENAÇÃO, PÚBLICO E ARTE CONTEMPORÂNEA, por Thais Rivitti
last modified 05/01/2007 19:44

Segundo Jappe, tanto Debord como Adorno concordam com a afirmação de que o público das artes, bem como toda a sociedade, é composto por sujeitos alienados. Isso significa que são sujeitos incapazes de decidir seu destino, de refletir e formular questões sobre o mundo a sua volta. Esta posição comum decorre da tradição marxista da qual os dois autores provêm, que aponta a esfera econômica da troca como base da alienação.

… para Adorno o que aliena o sujeito de seu mundo é sua propensão a “devorar” o objeto. Lukács, conforme a leitura de Jappe, teria relacionado o processo de fetichização da mercadoria _ou seja, o processo que faz com que passemos a atribuir às coisas as características humanas da sua produção_, ao da reificação. A extensão da mercadoria e seu fetichismo a totalidade da vida faz também com que as ações humanas passem ser vistas como um conjunto de coisas que, independente do poder humano, seguem apenas suas próprias leis.

… Adorno, por sua vez, atribui a alienação à existência do sujeito dominador, que se sobrepõe ao objeto e que só é capaz de entendê-lo como algo derivado da sua percepção. O pensamento subjetivista busca a identidade entre sujeito e objeto por não suportar o que lhe é externo (objeto), e a alienação decorre desta repressão ao diferente e ao estranho.

O discurso da dissolução da arte na vida está presente na cena brasileira de arte contemporânea. São artistas (ou grupos) que assumem claramente sua filiação ao pensamento de Debord e dos situacionistas. Eles falam em implodir o sistema (capitalista) e têm como estratégia desqualificar todas as instituições, termo entendido em seu sentido mais amplo, como tudo aquilo que está estabelecido: desde galerias até o pensamento produzido nas universidades. Colocam-se contra o consumo e contra a globalização: freqüentemente são usados termos políticos para designar suas ações. Alguns deles atuam no corpo a corpo com o público visando proporcionar uma vivência emancipadora que por vezes se confunde com afeto, atenção e inclusão. Há críticas possíveis para cada trabalho, em cada caso. Mas, genericamente, pode-se dizer que estas práticas “situacionistas” oriundas das manifestações de 68 precisam ser reformuladas frente às novas condições sociais para não serem (mais uma vez) engolidas. É necessário um desenvolvimento real da teoria e da prática para que sejam elaboradas ações de fato propulsoras de uma nova vida social e que não se tornem um novo modismo, com seus segundos de aparição na mídia ou ações voluntaristas incapazes de transformação.

Eis dois caminhos para a arte que partem de uma crítica da sociedade, negam-se a ser objetos de consumo e se colocam como resistência. Vejo que eles se opõem radicalmente àquele tipo de manifestação de caráter pessoal, dado a descobertas de pequenas verdades e produto de um sujeito enredado em suas próprias limitações _esse sim extremamente em voga nos dias de hoje.

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O conceito de “alienação” corresponde, em Hegel, em sua forma mais geral, ao processo pelo qual o Espírito se projeta para fora de si para, em seguida, por etapas sucessivas, retomar, no absoluto, a identidade consigo mesmo. A alienação corresponde ao segundo termo da tríade dialética em que o Espírito se projeta para fora de si mesmo como natureza, toda sua evolução fenomenológica consistindo no processo de negação da negação, da reassunção final da identidade do “em si” é do “por si”, que se realiza através das várias etapas da história humana.

Na “Fenomenologia”, a alienação surge para a consciência como sua dimensão essencial quando, para atingir a consciência de si, exige o reconhecimento de si pelo outro. …

… pelo trabalho adquire a cultura que só pertence ao senhor de forma mediatizada, mas pertence ao escravo de forma imediata e definitiva. Pela potência da negatividade e a cultura que lhe traz o trabalho, o escravo percebe sua possibilidade de ser livre, de atingir a liberdade que reside em ordenar sua existência a partir da idéia que faça de si mesmo.

Sem condições de efetivar esta liberdade que sabe possuidora, a consciência do escravo se transforma em consciência infeliz, que busca a liberdade dentro de si mesma, sem efetivá-la concretamente. Torna-se estóica, cética, e finalmente religiosa, projetando para fora de si a liberdade que sabe possuir mas não assume.

É uma dialética que busca atingir, conforme a perspectiva de Hyppolite, uma dimensão ontológica, como fenomenologia de um problema universal “que é o da consciência de si humana que, incapaz de se pensar como um Cogito separado, não se encontra senão no mundo que edifica, nos outros eu que ela reconhece ou em que, por vezes, se desconhece”

Mas a ontologia hegeliana não admite esta limitação à abstração genérica, exigindo uma dimensão concreta. No Mundo ético da Cidade Grega, o indivíduo é confundido com a coletividade, e assim é livre e universal de forma imediata, sem a consciência de sua individualidade como “em si”. À dissolução da Cidade Grega corresponde a cisão entre o eu e sua essência imediata, e é ai então que se opera a alienação que coloca, de um lado, a sociedade e a cultura como exterior ao eu, e de outro o eu como um “em si” que inicia a dialética histórica da desalienação.

Separado de si mesmo, e separado do outro, separado do mundo humano da cultura, o Espirito…

Lefort vai buscar a raiz do conceito de alienação não na análise clássica do feitichismo da mercadoria, como quer Lefebvre, mas na análise da própria sociedade industrial, que ao mesmo tempo universaliza e particulariza o homem, ao mesmo tempo estabelece a unidade de todos os atos produtivos – uma sociedade universal – e é ao mesmo tempo o movimento pelo qual se constituem as esferas estanques das atividades do trabalho. A alienação estaria não em uma “irrealidade” do mundo das mercadorias, oposta à “realidade” do trabalho natural – pois o real não pode ser nada além da que as relações sociais concretas entre os homens -; mas na contradição entre a particularização e a universalidade, que se expressaria em diversas formas, no dinheiro e na mercadoria como forma geral da alienação na sociedade capitalista.

Neste sentido são importantes as indicações de Lefebvre [Henry], procurando determinar, na quotidianeidade da vida humana, a presença de alienações. “A alienação se descobre na vida de cada dia, na do proletário como na do pequeno burguês ou dos capitalistas“. Esta noção “permite descobrir como o homem (cada homem) cede às ilusões e crê se encontrar e se possuir através delas, e quais angústias ele inflige a si mesmo; ou como luta para trazer à luz o seu ‘núcleo’ de realidade humana“(Critique de la Vie Quotidienne, L’Arche Editeur, Paris, 1958). A determinação da alienação na quotidianeidade se realiza através do conhecimento crítico da vida quotidiana, em que se estabelece o contraste entre o que os homens são e o que crêem ser, entre o que vivem e o que crêem viver . “Na vida social como na vida individual, o viver e o vivido não coincidem “. “Entre as pessoas e elas mesmas se intercalam imagens, ‘modelos’ “. “O conhecimento da vida tenta eliminar o que separa o viver do vivido, tornando então consciente a vida. O que implica na superação dos dois termos”

Pela visão do processo político brasileiro tal como a esboçamos, podemos indicar a conclusão de que a manifestação aguda de alienação política no Brasil significa o fim daquelas formas que poderíamos chamar, em comparação com as formas contemporâneas, de alienação direta, social, recoberta externamente por um Estado político atrofiado. A fase atual parece corresponder ao apogeu do Estado político brasileiro, que passa cada vez mais a penetrar em todas as estruturas locais de dominação. Para o futuro, teríamos ou a perspectiva de uma acentuação da alienação política, através de governos capazes de levar à frente a galvanização demagógica das massas, ou o caos político que pode redundar em solução de força. As perspectivas de desalienação, em vista do processo de desenvolvimento econômico, se situam no surgimento de novas instituições de massa, partidárias, sindicais e camponesas, fundamentalmente, que possam efetivar a ligação entre as massas e o poder. As transformações políticas que o desenvolvimento destas instituições acarretariam já escapam às possibilidades de previsão clara.


Chegamos, neste ponto como nos demais, à mesma postura metodológica. A consideração do o normal e do patológico implica, ao lado suas exigências de máxima racionalidade, a inserção do fenômeno dentro de uma hipótese de trabalho que, por ser empiricamente indemonstrável, pelas implicações que acarreta a toda a atividade intelectual do estudioso, e pela identificação com um poder de vontade concretamente existente, equivale, no plano vivido, a uma opção existencial do sociólogo. E nada há que estranhar nisto, se a própria sociedade é a construção do homem por ele mesmo, enquanto ser que aspira à liberdade.

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Uma frase que gostei de conhecer hoje é: “A habilidade de controlar informação é a habilidade de controlar mentes”.

Estariamos então sob a dominação de algum controlador de informação. Google podemos dizer?

Então o Google pode não ter transformado todos em estúpidos, mas nos transformou em pensadores em massa e então perdemos o lance da individualidade. Se esse realmente for o caso (alias, é! quem é relevante com somente um link? no Google precisamos de muitos), temos algo aqui mais alienante do que a TV foi.

Neste caso e para efeitos de “eu pensei primeiro”: Google, Digg, RSS e Twitter são a TV (no sentido de alienação) do mundo atual. Espero que você também pense sobre isso.

A questão é mostrar que os filtros de conteúdo (que servem para medir relevância) ao mesmo tempo que nos deixam livres do lixo que a quantidade de informação disponível possui, nos faz pensar como uma massa. Que quando os filtros tentam se basear na rede social do individuo ou no “voto comunitário” para caracterizar relevância eles estão na verdade transformando todos em pensadores em massa.

Repito: Eu só quero que façam isso e que quem fizer me dê a porcaria do link.

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Second Life: esquizofrenia, alienação ou realidade?

Alienação. Processo que deriva de uma ligação essencial à ação, à sua consciência e à situação dos indivíduos, pelo qual se oculta ou se falsifica essa ligação de modo que o processo e os seus produtos apareçam como indiferentes, independentes ou superiores aos homens que são, na verdade, seus criadores. No momento em que a uma pessoa o mundo parece constituído de coisas – independentes umas das outras e não relacionadas – indiferentes à sua consciência, diz-se que esse indivíduo se encontra em estado de alienação. Condições de trabalho, em que as coisas produzidas são separadas do interesse e do alcance de quem as produziu, são consideradas alienantes. Em sentido amplo afirma-se que é alienado o indivíduo que não tem visão – política, econômica, social – da sociedade e do papel que nela desempenha. (Dicionário de Sociologia)

Mas o SL não se enquadra em nenhum destes modelos. Em uma primeira análise rápida poderia parecer que é um sistema do primeiro tipo, algo que só existe dentro do computador. Mas então qual o motivo de empresas estarem colocando sites neste mundo virtual? Então li um artigo “O virtual não se opõe ao real” de Juremir Machado da Silva, publicado no jornal Correio do Povo de Porto Alegre, dia 11 de agosto [de 2007], sobre a palestra de  Pierre Lévy está sendo apresentada hoje.

O virtual é um problema que demanda uma resposta. Para explicar isso, Lévy recorre a uma metáfora simples: o virtual é a semente. O atual é a árvore que dela brota: “Contrariamente ao possível, estático já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou novidade qualquer, e que chama um processe de resolução: a atualização (…) A atualização aparece então como a solução de um problema, uma solução que não estava contida previamente no enunciado. A atualização é criação, invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e de finalidades (…) O real assemelha-se ao possível; em troca, o atual em nada assemelha-se ao virtual: responde-lhe”. Não há ilusão. Somente criação. De algum modo, Pierre Lévy parece empregar to­das as suas forcas para advertir a todos de que algo muito mais importante do que se diz está acontecendo. A Internet não é apenas um bom instrumento para arranjar amigos ou parceiros sexuais, nem somente um extraordinário banco de dados, mas principalmente uma ferramenta cognitiva que altera a percepção, a memória e o sistema de produção e gestão do saber.

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Existe uma concepção filosófico-social de alienação em sua relação com a produção que complementa e aprofunda o pensamento exposto. Trata-se da concepção weberiana e aristotélica de alienação. Em Aristóteles, alienado é tudo aquilo que é forçado, ou seja, o que vêm de fora do sujeito, uma concepção de alienação muito mais profunda que aquela que a reduz à sua dimensão concreta. Weber (1963) aponta que a burocracia acarreta no aprisionamento da subjetividade uma vez que encerra o trabalho, fonte de emancipação e projeção da subjetividade humana, de acordo com as normas e regras determinadas pela organização burocrática racional e eficiente, orientada pelas decisões dos seus dirigentes. Weber percebe que o estado socialista nem acaba com a Mais-valia como aprofunda a rotinização da vida em sua forma mais eficiente, a burocracia. Ou seja, o socialismo científico em sua versão soviética aprofunda a alienação.

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a alienação primitiva e a alienação objetivada. A primeira refere-se à exteriorização do homem como ser-no-mundo, definindo tanto a historicidade do homem quanto a sua realização na História. Constitui-se na pedra angular do conceito de liberdade enquanto liberdade de escolha, porque indica como a exteriorização do homem aponta a infinitização do finito. A segunda diz respeito à exterioridade que acontece no encontro de dois ou mais projetos humanos, não sendo possível à liberdade humana desenvolver-se à margem da necessidade até os dias atuais, já que estes ilustram a força do fenômeno da escassez na História. Assim, a alienação objetivada corresponde à finitização do infinito.

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Do Espírito Absoluto de Hegel à realidade concreta, José Renato Salatiel [Ensino Médio: Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação]

Tanto em Marx quanto em Hegel, alienação está ligada ao trabalho. Para Hegel, o trabalho é a essência do homem, quer dizer, é somente por meio de seu trabalho que o homem pode realizar plenamente suas habilidades em produções materiais.

Alienação, para Marx, tem um sentido negativo (em Hegel, é algo positivo) em que o trabalho, ao invés de realizar o homem, o escraviza; ao invés de humanizá-lo, o desumaniza. O homem troca o verbo SER pelo TER: sua vida passa a medir-se pelo que ele possui, não pelo que ele é. Isso parece familiar? Pois é, vamos ver os detalhes.

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A tal da alienação…

A alienação acaba afetando também as relações sociais, criando um clima de indiferença entre as pessoas. Tornando as relações mais frias. Nessa sociedade alienada as pessoas têm medo de se mostras, escondem-se atrás de aparências, sem se preocupar com o que são, fazem ou sabem.. Não importa mais a auto-realização o que importa é se os outros estão gostando, se sua popularidade está aumentando mesmo que para isso seja necessário sofrer e se privar da espontaneidade.
As pessoas estão muito preocupadas com a opinião alheia, dane-se o que os outros vão pensar! Seja feliz sendo você!

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Alienação é um privilégio das mulheres bonitas?

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GOOGLE HAS BEEN CAUGHT US…

In academic bursary on June 23, 2009 at 1:09 pm

outrar-se e a ciência do afeto

outrarse google

!? FÉTICHE vs. ENCHANTÉ ?!

In academic bursary on June 23, 2009 at 12:29 pm

enchanter v.t. (lat. incantare, prononcer des formules magiques) [conj. 3]

  1. Agir sur qqn par des procédés magiques, des incantations: Dans ce conte, une fée a enchanté la princesse (ensorceler, envoûter).
  2. Remplir d’un vif plaisir; charmer: L’idée de partir en vacances avec eux m’enchante (plaire à, ravir; déplaire à, mécontenter).

Larousse Pratique. © 2005 Editions Larousse.

verbe enchanter

1. Littéraire. Jeter un sort à quelqu’un.

ensorceler, envoûter -littéraire: charmer.

// Larousse Le Grand Dictionnaire des Synonymes et Contraires. © 2004 Editions Larousse.

adjectif enchanté Qui est très content.

enchanté de faire votre connaissance
se dit lorsqu’on rencontre qqn pour la première fois

adj. enchanté, enchantée

  1. Qui est doté d’un pouvoir magique;
  2. Extrêmement heureux. (charmé, ravi; insatisfait, mécontent).

source enchanter

FÉTICHE

n.m. fétiche (port. feitiço, sortilège)

Objet ou animal auquel sont attribuées des propriétés magiques, bénéfiques (amulette, gri-gri, talisman).
n.m. fétichisme

  1. Ensemble de pratiques religieuses dédiées aux fétiches; en Afrique, religion traditionnelle, animisme (par opp. au christianisme et à l’islam).
  2. Vénération outrée, superstitieuse pour qqch, qqn: Il a le fétichisme de la propreté (culte).
  3. Trouble du comportement sexuel dans lequel la jouissance est liée à la vue ou au toucher d’objets déterminés.

// <![CDATA[// Larousse Pratique. © 2005 Editions Larousse.

Synonymes et Contraires
Admiration sans réserve pour.
adoration, culte, idolâtrie, vénération -littéraire: dévotion.

Larousse Le Grand Dictionnaire des Synonymes et Contraires. © 2004 Editions Larousse.

BE FUNNY :: He’s Barak Obama

In Uncategorized on June 21, 2009 at 10:30 am

momento diversão:

by JibJab

Brothers Gregg and Evan Spiridellis founded JibJab in 1999 with a few thousand dollars worth of computer equipment, a dial-up Internet connection and a dream of building a global entertainment brand. In 2004, their election parody “This Land” spark an international sensation and was viewed more than 80 million times online. NASA even contacted the brothers to send a copy to the International Space Station! Since then, JibJab has premiered ten original productions on The Tonight Show with Jay Leno and received coverage on every major news outlet. In 2004, Peter Jennings named the brothers “People of the Year.”

tip by msn [the microsoft networked]: Video Highlights

OUTRAR-SE : VERBO

In academic bursary, therefore i am, thinking: i purchase on June 19, 2009 at 11:08 pm

[IN]TRANSITIVO DIRETO OU INDIRETO?………….

Comum ver nos status:

  1. do msn: OUTRANDO-ME [mari]
  2. do gtalk: othering yourself :: othering myself! [mi]

Conjugação?

  • OUTREM-SE
  • OUTRE-SE
  • OUTREM-ME


?relação com outridade, Octávio Paz : poesia como prática?

SWARMING

In academic bursary on June 19, 2009 at 1:28 pm

The term “swarming” that has been used increasingly to refer to “systems in which autonomy, emergence and distributedness replace control, preprogramming an centralization” is swarming.

Text messaging has enabled, in the recent past, swarming actions, that have had very major social and cultural impacts. Howard Rheingold’s book, entitled Smart Mobs, explains and describes in much detail how text messaging has enabled groups of several thousands people to move and act rapidly by self-coordinating itself via SMS mobile phone messaging.

Though recently the term “swarming” has been mostly associated with military strategies, the same term can indeed come to refer to the ability of groups of people that can move and act in unison even when not in direct physical communication with each other.

source: http://www.masternewmedia.org/news/2006/06/10/mobile_messaging_extends_groups_communication.htm

[accessed: 19th June 2009]

more: http://globalguerrillas.typepad.com/globalguerrillas/2004/05/global_guerrill.html