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Tomei a paciência de copiar estas frases da carta de V. pra que vc as guarde consigo

In 16's, personal ... trainee on May 19, 2009 at 2:02 pm

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I must say “thank you” again [& always?], because you’ve been listened in all my last emails, those letters unanswering, then you’ve been listened it quietly, without contributing to the conversation

you used to say to me that you couldn’t let me run away [escape] from you……………

then i discovered that i can’t get free by/ from you i.e. i think i’ll never stay away from you again & again!……………

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ainda na mesma carta, ele fala da situação do país à época e então retorna às questões pessoais de seu jovem interlocutor:

“…eu vejo o reflexo disto tudo na sua carta [em vc]. Mas como vc eh moço e ainda nao estah ‘acomodado’ na vida, V. se exaspera e se desespera. E sofre muito [grifo do proprio autor]. … você e varios outros moços d’ai, vcs olham isso e enxergam; e por isso sofrem muito, naquele estado dinamico do sofrimento que exige perpetrar um gesto. Você exige de si mesmo o gesto, mas ao mesmo tempo a qualidade da sua inteligência enche V. de perguntas e nao sabe o gesto, o ato que pode fazer. Você se lembra em ‘Fantasia’, de Walt Disney, aquela passagem da Fuga de Bach, em que se veh um tunel confuso e aquele como que caixão de defunto se bota andando e se anula tunel adentro? A inteligencia de vcs [jovens brasileiros] estah mto assim. Nao eh consciencia: eh excesso de consciencia. Alem da duvida, sempre nobre, sobre o valor pessoal, mas que quando desprovida de ingenuidade nos imobiliza em caixao de defunto, vcs exigem saber o que vao encontrar no fundo obscuro do tunel. E vcs nao tem certeza que seja uma qualquer especie de dia. Assim, nem mesmo o caixao se bota andando. … eh a estagnacao. De mtos moços [ – assim, parecidos com vc – ] tenho ouvido ultimamente os julgamentos, as analises mais implacavelmente clarividentes sobre o confusionismo do momento que passa e as incertezas pessimistas sobre o futuro proximo. O que me assombra e me entristece mto, eh que toda essa clarividencia sadica eh um pretexto para não fazer.

E é preciso antes de mais nada, fazer. … Eu creio que vc vive justamente num elemento estagnado em que o seu dever eh fazer. Vc estah arrepiado de perguntas inuteis. ‘Coragem eu tenho, se for necessario. Mas eh necessario?’; ‘Cheguei a um ponto em que sinto que eh preciso tomar alguma decisao….’; ‘Porque isto de sacrificar amor, felicidade, tudo enfim, eu topo mesmo, estou disposto. Mas sacrificar os outros?’; ‘Nada pior para um individuo do que o dia em que percebe que nao ha compreensao possivel, isso eh quimera,e que ele serah sempre como uma regiao amaldizoada onde ninguem consegue penetrar. E minha obra serah sacrificada com isso?’. Tomei a paciencia de copiar estas frases da carta de V. pra que vc as guarde consigo. Foram escritas aos 19 anos … !!! [Há exatamente um século, outros jovens autores consagrados de suas épocas] escreviam essas mesmas frases. E vc sabe como elas saíram vividas, verdadeiras de dentro de vc. É você. Mas eu sei como elas saíram igualmente vividas e sofridas [daqueles outros jovens] maiores e menores de todos os tempos.

“Mas vc me interromperá com todíssima razão: ‘Mas eu nao tenho nada [a ver com eles] … ! É o meu sofrimento, é o meu caso que eu tenho que resolver’. E vc tem razao. O que eu quis foi apenas dar mais humanidade ao seu egoísmo. Digo mesmo: dar mais egoísmo, dar mais profundidade ao seu sofrimento e ao seu egoismo. Pq vc ainda nao eh o ‘egoista’ no sentido em que Milton, Goethe, Dante, Camões o foram, no sentido em que o artista, o homem tem de ser egoista. Pra se realizar. Vc pensa ‘nos outros’, hesita em ‘sacrificar os outros’, e esta aparencia de humanidade eh que me parece desumana. Mesquinhamente humana. Apoucadamente humana, como se a sua humanidade de vc se resumisse aas quatro ou cinco pessoas que vc toca com a mao!

“… Tudo não estarah indo certo? E neste caso o seu sofrimento e as suas duvidas nao derivam nem das circunstancias da sua vida, nem da sua mocidade avida de sofrer, mas das proprias realidades tao confusas da vida atual do homem. Nao serah talvez preferivel e mais profundamente egoista vc nao sacrificar nada, nem facilidades, nem amor, nem gozo, nem inimigos, nem incompreensoes, mas viver tudo isso junto, em tudo procurando apurar o que eh você e buscando se superar em vc? Praque imaginar se do outro lado do tunel faz dia ou faz noite? Soh tem um jeito de saber: eh ir ateh lah. O perigo nao eh encontrar noite lah, mas encontrar a noite e imaginar que eh o dia. Talvez o melhor segredo da dignidade de ser homem eh ter a forza de dizer: ‘perdi’. Porque, [meu caro], nos perdemos. Nos perdemos sempre… O individuo humano serah sempre essa ‘regiao amaldizoada’ em que nao eh exatamente que ninguem consiga penetrar, mas em que toda exploracao eh imperfeita, incompleta. E por isso deformadora. …

“… Mas eu careço de me desfatigar aas vezes, nestes virtuosismos gratuitos das coisas mais serias que me abalam muito….”

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  1. Copy&Paste without permission :: from/ by my virtual-friend:
    Tue, May 19, 2009 at 8:41 AM
    “querida,
    tenho lido estes teus e-mails, sempre lindos, mas não me parecem ser emails respondíveis, só escutáveis.
    vou lendo e tendo impressão que é vc conversando com vc.
    estou errada? pode ser, mas estou por aqui.
    bjs”

  2. […] paz: esconder-me de tds os holofotes!… TV… televisão… uau! devo voltar a ler mario de andrade [para aguentar com um destino desses [ser um grande artista], antes de mais nada, é preciso ter […]

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