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May 18th :: Two years from I Started to Make Publlic My Soul [on] Here!…

In personal ... trainee, therefore i am, thinking: i purchase on May 18, 2009 at 6:07 am

Reading, Writting, Watching & Making My Soul [Mind] to/ on Public: You’re Welcome!

… Hoje – então, um ano depois de criar este life’s blog – sou paga para ler, escrever, observar e fazer de minh’alma [e mente] pública. Então, como diria o mestre Mario [de Andrade] já no final de sua vida:

…Seria estúpido eu não saber que sou ‘consagrado’.

[relação com Foucault?… A Ordem do Discurso]

Só os esforços, os esperneios, os papelões que faço pra não virar medalhão duma vez, você nem imagina.

Sucede pois, é natural, que tenho muitíssimo trabalho e também uma correspondência enorme.

Não hesito um só segundo em lhe garantir que, apesar de tudo isto,

não me pesará em nada lhe escrever muito,

auxiliar você no que eu possa.

Apenas, preliminarmente, eu desejo que você se examine bem,

num verdadeiro exame de consciência,

antes de se decidir a exigir esta correspondência.

… Se posso ser útil, meu tempo está ganho!

… Ora, F., para aguentar com um destino desses [ser um grande artista]

, antes de mais nada, é preciso ter uma ambição enorme,

uma paciência enraivecida,

um desejo de se ‘vingar’ da vida,

e uma ensolarada saúde mental.

E o que há de lindo,

de maravilhoso mesmo, neste ‘você’ que importa,

é que o que importa não é exatamente você

mas a obra-de-arte [criada por vc].

Isto é: uma forma coletiva de vida humana.

Coisa danada o destino, a psicologia do artista…

E em máxima parte este castigo de ser artista,

essa decepção eternamente insatisfeita

creio que vem desse desequilíbrio insanável,

dessa duplicidade irreconciliável:

a gente dar tudo o que tem,

todo o trabalho, todo o pensamento,

toda a dor em proveito… de outrem,

da obra-de-arte, um elemento intermediário.

Você não age diretamente,

‘sexualmente’ como um santo, um missionário, um soldado, um chefe.

Você cria um objeto que vai agir sozinho,

por si mesmo, sem mais a interferência de você.

Mas, sem que isto seja uma compensação propriamente,

você visou, criou um elemento de eternidade.

Este é o mistério bravo do destino do artista:

visar a obra-de-arte,

visar uma transcendência aleatória e problemática,

que por mais que renda (aplausos, riqueza)

tem outra finalidade que o rendimento,

por mais desvirtuada e incompreendida

visa a permanência e busca a eternidade.

Você se analise,

pense seriamente sobre você,

sobre se você sente mesmo em si

a fatalidade pesada de ser artista,

sobre se tem coragem e força para

aguentar o tranco duro que vai ser o seu.

É preciso pra você ter muita saúde mental

pra não se amolar com os outros,

com as incompreensões alheias,

com as humilhações.

Se você tem orgulho suficiente

pra mandar o mundo à puta-que-o-pariu,

em benefício desse mesmo mundo imbecil.

Bom: também não faça desse problema um caso de vida ou de morte.

O que é preciso é você ter coragem, na sua idade,

pra se afirmar diante de um espelho e com toda a seriedade

que a arte é uma coisa muito séria.

…be continue…

Mario de Andrade. São Paulo, 25 de janeiro de 1942.

…………………….

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