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últimas linhas de maio [e de Mário]

In personal ... trainee, the 'old' ones :: master pieces on May 30, 2009 at 11:24 pm

“…a culpa das nossas culpas será minha,

se culpa existe.

Sempre no meio das minhas mais destrambelhadas fraquezas,

haverá sempre uma reserva.

Não vale a pena esmiuçar;

basta apenas você lembrar os nossos

15 anos de diferença de idade

e posição.

Mas nisto você ganha de mim

numa vitória talvez escandalosa….”

últimas linhas de maio [e de Mário]

In personal ... trainee, the 'old' ones :: master pieces on May 30, 2009 at 11:09 pm

cont. da carta de 25 de janeiro:

“… O que importa é a validade do assunto na sua forma própria.

“ Você, eia que se acha de posse de um assunto. A própria coisa a fazer é analisar friamente o seu assunto. Ele vale? Com ele você obtém qualquer coisa de humano, de útil? Você expõe uma realidade da vida? Você castiga ou exalta uma classe, uma virtude, uma necessidade social? Bem, se o seu assunto você acha que tem qualquer validade funcional, agora é ver o que ele rende como arte.

“… Você, por favor, nunca venha me argumentando com as palavras ‘espontaneidade’ e ‘sinceridade’, tenho verdadeiro horror delas. É a vaidade e também a desonestidade do artista que as inventou. É a eterna e repulsiva confusão entre o artista e a obra-de-arte que lhes dá uma aparência falsa de legitimidade. Pra obra-de-arte, a sinceridade, a espontaneidade do artista não tem significação nenhuma.

“… O simples fato do artista estar sinceramente entregue ao pensamento do seu assunto, a tomar notas de frases, de traços psicológicos, de formas, de idéias o vai predispondo psicologicamente para o ato de criação. E esta chega mesmo.

“Aqui entra de novo essa fatal sinceridade na argumentação: É certo que o artista não deve ter pressa, é preciso saber esperar. Mas isso do sujeito que só se põe escrevendo ‘quando sente disposição’ é estupidez mas da miúda. … Não tem disposição? Não se trata de ter disposição: você é um operário como qualquer outro: se trata de ter horas de trabalho. Então vá escrevendo, vá trabalhando sem disposição mesmo. A coisa principia difícil, você hesita, escreve besteira, não faz mal. De resto vc percebe que, correntemente ou penosamente (isto depende da pessoa) vc está dizendo coisas acertadas, inventando belezas, forças etc. Depois, então, no trabalho de polimento, vc cortará o que não presta, descobrirá coisas pra encher os vazios etc etc

“Não há como a fatura de um filme pra exemplificar bem o trabalho de todo e qualquer artista. São cortes e mais cortes, novos close-up a fazer, tanto preparo anterior, tanto trabalho posterior, coisa lenta, difícil, penosa. …

…”

……..

há um tanto mais ainda na carta de 21-III-1942 que eu gostaria de aqui postar sobre esta “sinceridade” vs “espontaneidade” [e tanto mais restante nas demais…], mas não há tempo. meses de trabalho árduo, operário, necessário e sem descanso [ou desfoco]: vem-se o mês de junho, enfim. E não é que este ano de 2009 está a rápido [ultra]passar[nos]?!………………..

……..

não resisto mesmo:

mesmo Mário afirmando que não escreve um tratado, mas simplesmente seus pontos-de-vistas [e suas contradições enfim], nenhuma afirmativa que deva realmente ser levada ao pé-da-letra… Desconfie de tudo. Sempre. Mas leia, enfim:

“…Onde vamos parar com a sinceridade!… Mas, reconheço: tudo é porque não conceituam sinceridade nem espontaneidade. Sinceridade pra com quê? Espontaneidade imediata ou posterior? Você conhece coisa mais espontânea que uma fábula de La Fontaine? Pois tem algumas que foram refeitas dez vezes. Sinceridade com o que a gente é, ou com o que a gente tem convicção que deve ser? … A sinceridade, a espontaneidade são coisas que se modificam constantemente, dia por dia. Têm de ser repudiadas, como elementos conscientes da obra-de-arte que é artificial, artefazer, artefeitura. Sinceridade, espontaneidade … A sinceridade é, sem a gente querer. Como elementos conscientes da arte, sinceridade e espontaneidade só podem ser academismos, passadismos, preguiça, ignorância. Exclusivamente. Enfim: em arte não existe o problema da sinceridade.

…”

últimas linhas de maio [e de Mário]

In personal ... trainee, the 'old' ones :: master pieces on May 30, 2009 at 10:55 pm

é isto. postar aki mais uns trechos das cartas [para entregar o livro a quem o comprou, e livrarme enfim deste enfeitiçamento]. o fim desta leitura se foi há mais de uma semana já, mas há uma tamanha frescura em minha memória de frases inteiras [e conceitos]…….. enfim. e não podia fechar este mês sem estas linhas [e talvez outras mais q não terei mesmo tempo] ……. enfim.

17 de maio de 2009:
[quase todas as brincadeiras de choque das trocas ‘gramaticais’ das palavras como se por si, consciente por conciente, foram ‘corrigidas’ – talvez para horror do mestre –, mas explico-me de antemão, portanto: embora choquem em letras impressas, em uma visualidade virtual online elas não fazem mais qualquer sentido!, não são brincadeiras-de-choque como um Guimarães Rosa faria anos depois [?] sempre buscando imprimir sotaques e seus maneirismos próprios de linguagem. Quando há esta riqueza em Mário, como para por pra [ou de pra para para], as escritas são importantemente aqui respeitadas. Tornam-se necessárias e honradas porque induzem a um real coloquialismo das relações sociais em questão … Ou toda esta discussão é nula – e ingênua: sem valor – caso a ordem-regra gramatical à época fosse diferente dos dias atuais].

excertos da carta de 16-II-1942

“… Sendo a arte um produto direto da insatisfação humana, o artista, para se preservar em sua integridade, tem que renegar toda e qualquer facilidade que lhe aparecer na vida prática? … Só há uma resposta possível e imediata: Aceite o que a vida lhe oferece e experimente. … (repare que insisto em ‘facilidade’, evitando a palavra ‘felicidade’), se amor, se riqueza, deve ser uma destas duas.

A arte, para Mário de Andrade, não é filha da dor [como mtos imaginam e proferem], mas eh um penetrar-se constante de um processo de insatisfação. Mas em um desenvolvimento e compreensão crítica o artista chega a momentos fugazes de satisfação quando se dá conta da excelência de sua própria obra-de-arte que fora criada com tanto penar, “entusiasticamente, sem fadiga, seu dever, isto é, deu tudo o que tinha. … Não use então modéstia falsa … Como artista vc foi ‘moral dando tudo  que tinha. A sua obra se identifica com vc, pois que ela é tudo o que vc é. Você há-de necessariamente sentir a consciência tranquila e com isso uma espécie de satisfação, derivada deste equilíbrio relacional entre você e a sua obra. Mas desde o momento em que você tornar pública a sua obra e ela for viver independente de você, as insatisfações virão e os desgostos. As incompreensões serão fatais. [então ele volta ao relato – a falar sobre – Macunaíma, sobre “a falta de organização moral dele, (do brasileiro, que ele satiriza)” – grifo meu, e como lhe era um sofrer por seu herói.

“não existe um só artista que não artefaça com a intenção de ser amado”

e ele continua, ao falar dos críticos de seu livro: havia dois tipos que elogiavam, um por ufanismo e outros que “só retiraram do livro um reforço consciente de seu amoralismo… nacional” (grifo meu)

“Mas agora veja bem: não imagine não que eu vou bancar o incompreendido e sustentar o valor crítico do meu livro! Eu tenho bastante saúde mental pra reconhecer que a vida é uma luta, …”

Você confundiu, como fazem todos, felicidade com facilidade. … você não podia ter empregado a palavra felicidade pro seu caso atual. Será tudo o que você quiser, um deslumbramento, um delírio sublime que você está prestes a conquistar, se não já conquistou. Mas felicidade não é não. Se vc chegar a uma conceituação verdadeiramente filosófica do que seja Felicidade, vc perceberá que o sentido popular em que vc empregou a palavra é defeituoso e até imoral. Imoral porque desvia o indivíduo da sua integridade, da sua destinação coletiva e mesmo individual. Coisa muito mais alta que uma facilidade momentânea ou mesmo permanente.”

Mário de Andrade segue então a falar de felicidadeversusfacilidade [convívio] e como o ser humano nunca está satisfeito e sempre há-de querer mais “facilidade (felicidade)” e não há mal nisto (“é a marca divina do homem”, ele cita – a exemplo deste ‘divino no homem'[?] – Hitler, Stalin e Getúlio entre artistas, inventores e ladrões.

“O mal é que, embora buscando sempre aumentar insatisfeitamente a ‘felicidade’ conquistada … o mal é que vc, embora pretenda se aumentar, vc principia agindo sorrateiramente como se estivesse satisfeito: é o conformismo. Esta é a cilada que o homem encontra quotidianamente em seu caminho, o conformismo. Ela principia já por ser fisiológica: é a lei da estabilização, a lei que eu chamo de ‘preguiça’, nós vivemos morrendo. Quando o princípio moral verdadeiro [não gosto deste jogo de palavras moral-verdadeiro e artista-verdadeiro…… o que é /ou o que há de\ tão importante neste verdadeiro – falso – de/ em Mário?], é justo o contrário: nós devemos viver sempre nascendo: tudo deve ser objeto de aprimoramento pessoal e a busca da perfeição. Não hesito em afirmar: toda facilidade, toda felicidade é desmoralizante.

“… É vc não perder jamais de consciência que a sua experiência de felicidade deve ser também um objeto de aprimoramento pessoal. A felicidade, o prazer, a facilidade também é uma prova por que a gente passa … No seu caso particular de artista: o operário, cada vez que principia trabalhando, não reverifica os seus instrumentos de trabalho? não afia a foice, não azeita a máquina? Você também precisa estar sempre alerta, pra que seu trabalho seja legítimo. Você precisa reverificar constantemente os seus instrumentos de trabalho. É difícil, a facilidade tende a esquecer isso, a sequestrar a ideia da gente se repensar e se reverificar em seus trabalhos. Mas há um jeito muito humano da gente consertar essa tendência sorrateira: a fixação de uma data… comemorativa da sua grandeza de homem e de artista. Fixe uma data anual para o seu retiro espiritual, eu faço isso no fim do ano, que é mais fácil e inesquecível. O que fiz este ano que passou? no que isso me acrescenta em minha obra ou a prejudica? o que preciso fazer este ano próximo? no que devo me completar? Afinal das contas estou lhe dizendo coisas banais, que, aos banais, parece estar cheirando a confessionário. Não será tão banal assim… a vida tem de ser, muito mais que um viver-se, um continuado repensar-se. Mas a gente tem vergonha de se repensar. Fazer exame de conciência, isso é “desvio” (ah, a psicanálise!…) próprio de meninotes e das frágeis mulheres. “Eu sou um espírito forte!”, e são os mais inexistentes dos espíritos…

“Não é justo a gente se recusar uma facilidade que a vida nos ofereça, desque essa facilidade seja justa. A felicidade no amor nem é apenas justa, é uma espécie de dever. … E ainda existe esse mistério de “infelicidade me persegue”, como dizia o samba. A verdade mais insolúvel é essa… Você já reparou num fim de festa de que você participou de corpo, e alma, apaixonadamente. Festa acabou e você sente um vazio inconsistente, que não chega a doer, não chega a ser desilusão, não chega a ser nada de nitidamente qualificável: você apenas atinge uma noção vaga de mesquinhez. Tudo q que houve e que foi bom, como que não foi bastante! Não recuse a felicidade. O momento há-de vir em que você perceberá meio assustado que ela foi imensa e que não foi bastante.

“… O momento de criação é gostosíssimo, verdadeiramente aquela sublimidade de integração e de dadivosidade do ser, em que a gente fica na ejaculação sexual. É tão sublime mesmo, é tamanha a integração, que a gente não se pode ilhar num estado de conciência crítica e se analisar. O ser mais frágil do mundo, mais escravo, mais indefeso é o homem no momento da ejaculação: ele fica por completo inerme. Esse o momento da criação artística. O que sucede, é que esse momento é rapidíssimo (como a ejaculação), dura alguns segundos. E logo a gente principia o trabalho mais penoso e principalmente muito mais inquieto de artefazer, corrigir, criticar, julgar, intencionalizar, dirigir a obra-de-arte, polir, etc. etc., sacrificar coisas que gosta em proveito de uma significação funcional da obra-de-arte, que é mais importante que a gente, o diabo. Nisso é que vem muito sofrimento, muita fadiga, muita indecisão. … É preciso ser mais humilde, ainda aqui, mais operário, e não mistificar por demais essa história da arte ser filha da dor. É dolorido, é penoso, é fatigante, é sobretudo inquieto, inquietante e insatisfatório. Mas é gostoso também … é, sobretudo, de uma grande dignidade. A arte é “uma tortura”, como você diz? Apenas eu lhe pergunto uma coisa: você conhece qualquer profissionalidade humana que, realizada com dignidade, não seja uma tortura também? É a vaidade do artista individualistizado que o leva ao seu “atendite et videte si est dolor sicut dolor meus”. Isso é individualismo pretensioso. A tortura é de todos e se confunde com o que de-fato seja viver humanamente.

Será que estas digressões escritas ao léu do pensamento e sem ordenação, lhe bastam? …  Ainda havia o que comentar na sua carta, mas estou cansado. Eu aconselharia desde logo a você não se prender a equações muito nítidas e simplórias. Afinal das contas você, justamente por ser um intelectual, não pode se alimentar de provérbios; não se esqueça que os provérbios também são uma derivação da lei da preguiça, um viver morrendo. Por exemplo: no fim quase da sua carta, você me pergunta si a arte “paira acima e independente, dominando a vida e não sendo dominada por ela”. Isso é provérbio, é simplório por demais. Que a arte, sob certo ponto, paire acima da vida, inda é possível aceitar, porque se servindo de elementos estéticos (a beleza, o material transpositor, a crítica da vida, etc.) ela nunca é a vida mesma, e nos oferece uma síntese nova dessa mesma vida. A arte não há dúvida nenhuma que é uma espécie de mentira … Você não mente com a intenção de enganar, mas justo na intenção de atingir um beneficiamento maior. Mas por tudo isto mesmo, a arte jamais é independente da vida: há interdependência insolúvel e irrecorrível, que faz com que nem a vida domine a arte nem esta àquela. Não desligo assim proverbialmente duas coisas que são a mesma coisa. Até como aspiração elas são a mesma coisa: pois tudo não aspira a uma vida milhor?
Com um abraço do
Mário de Andrade”

Tomei a paciência de copiar estas frases da carta de V. pra que vc as guarde consigo

In 16's, personal ... trainee on May 19, 2009 at 2:02 pm

……………………………………..

I must say “thank you” again [& always?], because you’ve been listened in all my last emails, those letters unanswering, then you’ve been listened it quietly, without contributing to the conversation

you used to say to me that you couldn’t let me run away [escape] from you……………

then i discovered that i can’t get free by/ from you i.e. i think i’ll never stay away from you again & again!……………

………………………………………

ainda na mesma carta, ele fala da situação do país à época e então retorna às questões pessoais de seu jovem interlocutor:

“…eu vejo o reflexo disto tudo na sua carta [em vc]. Mas como vc eh moço e ainda nao estah ‘acomodado’ na vida, V. se exaspera e se desespera. E sofre muito [grifo do proprio autor]. … você e varios outros moços d’ai, vcs olham isso e enxergam; e por isso sofrem muito, naquele estado dinamico do sofrimento que exige perpetrar um gesto. Você exige de si mesmo o gesto, mas ao mesmo tempo a qualidade da sua inteligência enche V. de perguntas e nao sabe o gesto, o ato que pode fazer. Você se lembra em ‘Fantasia’, de Walt Disney, aquela passagem da Fuga de Bach, em que se veh um tunel confuso e aquele como que caixão de defunto se bota andando e se anula tunel adentro? A inteligencia de vcs [jovens brasileiros] estah mto assim. Nao eh consciencia: eh excesso de consciencia. Alem da duvida, sempre nobre, sobre o valor pessoal, mas que quando desprovida de ingenuidade nos imobiliza em caixao de defunto, vcs exigem saber o que vao encontrar no fundo obscuro do tunel. E vcs nao tem certeza que seja uma qualquer especie de dia. Assim, nem mesmo o caixao se bota andando. … eh a estagnacao. De mtos moços [ – assim, parecidos com vc – ] tenho ouvido ultimamente os julgamentos, as analises mais implacavelmente clarividentes sobre o confusionismo do momento que passa e as incertezas pessimistas sobre o futuro proximo. O que me assombra e me entristece mto, eh que toda essa clarividencia sadica eh um pretexto para não fazer.

E é preciso antes de mais nada, fazer. … Eu creio que vc vive justamente num elemento estagnado em que o seu dever eh fazer. Vc estah arrepiado de perguntas inuteis. ‘Coragem eu tenho, se for necessario. Mas eh necessario?’; ‘Cheguei a um ponto em que sinto que eh preciso tomar alguma decisao….’; ‘Porque isto de sacrificar amor, felicidade, tudo enfim, eu topo mesmo, estou disposto. Mas sacrificar os outros?’; ‘Nada pior para um individuo do que o dia em que percebe que nao ha compreensao possivel, isso eh quimera,e que ele serah sempre como uma regiao amaldizoada onde ninguem consegue penetrar. E minha obra serah sacrificada com isso?’. Tomei a paciencia de copiar estas frases da carta de V. pra que vc as guarde consigo. Foram escritas aos 19 anos … !!! [Há exatamente um século, outros jovens autores consagrados de suas épocas] escreviam essas mesmas frases. E vc sabe como elas saíram vividas, verdadeiras de dentro de vc. É você. Mas eu sei como elas saíram igualmente vividas e sofridas [daqueles outros jovens] maiores e menores de todos os tempos.

“Mas vc me interromperá com todíssima razão: ‘Mas eu nao tenho nada [a ver com eles] … ! É o meu sofrimento, é o meu caso que eu tenho que resolver’. E vc tem razao. O que eu quis foi apenas dar mais humanidade ao seu egoísmo. Digo mesmo: dar mais egoísmo, dar mais profundidade ao seu sofrimento e ao seu egoismo. Pq vc ainda nao eh o ‘egoista’ no sentido em que Milton, Goethe, Dante, Camões o foram, no sentido em que o artista, o homem tem de ser egoista. Pra se realizar. Vc pensa ‘nos outros’, hesita em ‘sacrificar os outros’, e esta aparencia de humanidade eh que me parece desumana. Mesquinhamente humana. Apoucadamente humana, como se a sua humanidade de vc se resumisse aas quatro ou cinco pessoas que vc toca com a mao!

“… Tudo não estarah indo certo? E neste caso o seu sofrimento e as suas duvidas nao derivam nem das circunstancias da sua vida, nem da sua mocidade avida de sofrer, mas das proprias realidades tao confusas da vida atual do homem. Nao serah talvez preferivel e mais profundamente egoista vc nao sacrificar nada, nem facilidades, nem amor, nem gozo, nem inimigos, nem incompreensoes, mas viver tudo isso junto, em tudo procurando apurar o que eh você e buscando se superar em vc? Praque imaginar se do outro lado do tunel faz dia ou faz noite? Soh tem um jeito de saber: eh ir ateh lah. O perigo nao eh encontrar noite lah, mas encontrar a noite e imaginar que eh o dia. Talvez o melhor segredo da dignidade de ser homem eh ter a forza de dizer: ‘perdi’. Porque, [meu caro], nos perdemos. Nos perdemos sempre… O individuo humano serah sempre essa ‘regiao amaldizoada’ em que nao eh exatamente que ninguem consiga penetrar, mas em que toda exploracao eh imperfeita, incompleta. E por isso deformadora. …

“… Mas eu careço de me desfatigar aas vezes, nestes virtuosismos gratuitos das coisas mais serias que me abalam muito….”

Morre um de meus latinos-mestres: Mario Benedetti [1920-2009]

In 16's, personal ... trainee, the 'old' ones :: master pieces on May 18, 2009 at 12:21 pm

……..recordaciones de mi juventud……..

:: tres poemas de Benedetti que caminan conmigo por el largo de mi vida hace 15 años ::

Para Matar al Hombre de La Paz | No te Salves! | La culpa es de uno

[para Allende]

Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que congregar todos los odios
y además los aviones y los tanques,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que bombardearlo hacerlo llama,
porque el hombre de la paz era una fortaleza
Para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia,
para vencer al hombre de la paz
y acallar su voz modesta y taladrante
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo
y matar mas para seguir matando,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que asesinarlo muchas veces
porque el hombre de la paz era una fortaleza,
Para matar al hombre de la paz
tuvieron que imaginar que era una tropa,
una armada, una hueste, una brigada,
tuvieron que creer que era otro ejercito,
pero el hombre de la paz era tan solo un pueblo
y tenia en sus manos un fusil y un mandato
y eran necesarios mas tanques mas rencores
mas bombas mas aviones mas oprobios
porque el hombre de la paz era una fortaleza
Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que afiliarse siempre a la muerte
matar y matar mas para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad,
para matar al hombre que era un pueblo
tuvieron que quedarse sin el pueblo.



No te Salves
No te quedes inmóvil
al borde del camino

no congeles el júbilo
no quieras con desgana

no te salves ahora
ni nunca
no te salves!

no te llenes de calma
no reserves del mundo
sólo un rincón tranquilo

no dejes caer los párpados
pesados como juicios

no te quedes sin labios
no te duermas sin sueño
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo  

pero si pese a todo
no puedes evitarlo

y congelas el júbilo
y quieres con desgana
y te salvas ahora
y te llenas de calma
y reservas del mundo
sólo un rincón tranquilo
y dejas caer los párpados
pesados como juicios
y te secas sin labios
y te duermes sin sueño
y te piensas sin sangre
y te juzgas sin tiempo
y te quedas inmóvil
al borde del camino
y te salvas!?

entonces............
no te quedes conmigo.


audios: http://www.palabravirtual.com/index.php?ir=critz.php&wid=125&show=poemas&p=Mario+Benedetti
e aqui tbem: http://www.mytuneslive.com/song.php?sid=227104&song=Allende_-_Por_todo_Chile


La culpa es de uno
Quiza fue una hecatombe de esperanzas
un derrumbe de algun modo previsto

ah pero mi tristeza solo tuvo un sentido

todas mis intuiciones se asomaron para verme sufrir
y por cierto me vieron

hasta aqui habia hecho y rehecho mis trayectos contigo
hasta aqui habia apostado a inventar la verdad

pero vos encontraste la manera
una manera tierna
y a la vez implacable
de desahuciar mi amor

con un solo pronostico
lo quitaste de los suburbios de tu vida posible
lo envolviste en nostalgias
lo cargaste por cuadras y cuadras
y despacito, sin que el aire nocturno lo advirtiera
ahi, nomas, lo dejaste a solas con su suerte
que no es mucha

creo que tenes razon:
la culpa es de uno cuando no enamora
y no de los pretextos
ni del tiempo

hace mucho muchisimo
que yo no me enfrentaba como anoche al espejo
y fue implacable como vos
mas no fue tierno

ahora estoy solo
francamente solo

siempre cuesta un poquito empezar a sentirse desgraciado
antes de regresar a mis lobregos cuarteles de invierno
con los ojos bien secos

por si acaso,
miro como te vas adentrando en la niebla
y empiezo a recordarte.

más de Mario Benedetti:
1. Audiolibro + Libro en pdf: El amor, las mujeres y la Vida
2. Entrevista-documentário-video >> Sobre la vida y obra del escritor uruguayo Mario Benedetti



obs. audio :: canción de Daniel Viglietti
Por Todo Chile
Para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia

Para vencer al hombre de la paz
y a callar su voz modesta y taladrante,
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo,
y matar más para seguir matando.
Para abatir al hombre de la paz,
tuvieron que asesinarlo muchas veces,
porque el hombre de la paz era una fortaleza.

Cantado:
No, no, no, son campanas,
no, no, no son de muerte,
que son de vida, son de todo un pueblo
de compañeros, todos hermanos,
ciento de miles, por todo Chile.
Si, si, si que son obreros,
si, si son campesinos, son los mineros,
los estudiantes, los pobladores, los que
resisten, cientos de miles por todo Chile.

No, no, no nadie te olvida,
no, no Manuel Rodriguez, de tu silencio,
nacen violetas, se abren caminos
y crecen niños, ciento de miles
por todo Chile.

Para matar al hombre de la paz,
tuvieron que creer que era una armada,
una tropa,una hueste, una brigada.
Tuvieron que creer que era otro ejército.
Pero el hombre de la paz era tan sólo un pueblo,
y tenía en sus manos un fusil y un mandato.
Y eran necesarios más tanques, más aviones, más rencores, más bombas, más oprobios.
Porque el hombre de la Paz era una fortaleza.
Para matar al hombre de la paz,
para golpear su frente limpia de pesadillas,
tuvieron que convertirse en pesadillas.
Para vencer al hombre de la paz,
tuvieron que afiliarse para siempre con la muerte.
Matar y matar más
para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad.
Para matar al hombre que era un pueblo,
tuvieron que quedarse sin el pueblo.

Cantado:
Sí, sí, sí, el cobre es nuestro
sí, sí, no ha de bastarnos
queremos todo,
lo siempre ajeno, lo nunca nuestro,
lo tomaremos,
cientos de miles, por todo Chile.

No, no, no, manos vacías,
no, no, si nos preguntan,
contestaremos,
con el arado, con el martillo y el guerrillero,
cientos de miles, por todo Chile.

Sí, sí, sí, con alegría,
sí, sí, haremos nuestra la cordillera,
la patria toda, su ancha ternura,
su fuerza larga,
ciento de miles por todo Chile.
Todos armados, por todo Chile.

May 18th :: Two years from I Started to Make Publlic My Soul [on] Here!…

In personal ... trainee, therefore i am, thinking: i purchase on May 18, 2009 at 6:07 am

Reading, Writting, Watching & Making My Soul [Mind] to/ on Public: You’re Welcome!

… Hoje – então, um ano depois de criar este life’s blog – sou paga para ler, escrever, observar e fazer de minh’alma [e mente] pública. Então, como diria o mestre Mario [de Andrade] já no final de sua vida:

…Seria estúpido eu não saber que sou ‘consagrado’.

[relação com Foucault?… A Ordem do Discurso]

Só os esforços, os esperneios, os papelões que faço pra não virar medalhão duma vez, você nem imagina.

Sucede pois, é natural, que tenho muitíssimo trabalho e também uma correspondência enorme.

Não hesito um só segundo em lhe garantir que, apesar de tudo isto,

não me pesará em nada lhe escrever muito,

auxiliar você no que eu possa.

Apenas, preliminarmente, eu desejo que você se examine bem,

num verdadeiro exame de consciência,

antes de se decidir a exigir esta correspondência.

… Se posso ser útil, meu tempo está ganho!

… Ora, F., para aguentar com um destino desses [ser um grande artista]

, antes de mais nada, é preciso ter uma ambição enorme,

uma paciência enraivecida,

um desejo de se ‘vingar’ da vida,

e uma ensolarada saúde mental.

E o que há de lindo,

de maravilhoso mesmo, neste ‘você’ que importa,

é que o que importa não é exatamente você

mas a obra-de-arte [criada por vc].

Isto é: uma forma coletiva de vida humana.

Coisa danada o destino, a psicologia do artista…

E em máxima parte este castigo de ser artista,

essa decepção eternamente insatisfeita

creio que vem desse desequilíbrio insanável,

dessa duplicidade irreconciliável:

a gente dar tudo o que tem,

todo o trabalho, todo o pensamento,

toda a dor em proveito… de outrem,

da obra-de-arte, um elemento intermediário.

Você não age diretamente,

‘sexualmente’ como um santo, um missionário, um soldado, um chefe.

Você cria um objeto que vai agir sozinho,

por si mesmo, sem mais a interferência de você.

Mas, sem que isto seja uma compensação propriamente,

você visou, criou um elemento de eternidade.

Este é o mistério bravo do destino do artista:

visar a obra-de-arte,

visar uma transcendência aleatória e problemática,

que por mais que renda (aplausos, riqueza)

tem outra finalidade que o rendimento,

por mais desvirtuada e incompreendida

visa a permanência e busca a eternidade.

Você se analise,

pense seriamente sobre você,

sobre se você sente mesmo em si

a fatalidade pesada de ser artista,

sobre se tem coragem e força para

aguentar o tranco duro que vai ser o seu.

É preciso pra você ter muita saúde mental

pra não se amolar com os outros,

com as incompreensões alheias,

com as humilhações.

Se você tem orgulho suficiente

pra mandar o mundo à puta-que-o-pariu,

em benefício desse mesmo mundo imbecil.

Bom: também não faça desse problema um caso de vida ou de morte.

O que é preciso é você ter coragem, na sua idade,

pra se afirmar diante de um espelho e com toda a seriedade

que a arte é uma coisa muito séria.

…be continue…

Mario de Andrade. São Paulo, 25 de janeiro de 1942.

…………………….

de um ‘velho-artista’ a um ‘jovem-promissor’

In 16's, personal ... trainee, the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on May 17, 2009 at 10:33 pm

………………………………………………………

“Acabo de reler a sua carta e fiquei da mesma forma que da primeira vez:

numa impossibilidade muito grande de responder.

O assunto quando se refere a V. se torna de tal forma grave e ao mesmo tempo tão evasivo que tenho medo de qualquer palavra minha ou mesmo compreensão.

Terei compreendido?

Uma palavra errada poderá ferir muito a sua alma delicada.

E eu não sei.

Aliás é possível que V. tenha escrito a sua última carta num desses momentos de angústia grande

em que a gente precisa mesmo recorrer a algum amigo senão estoura.

Imagino que agora V. já estará mais calmo

embora sempre sofrendo muito as suas indecisões.”

………………………………………………………

de meu mestre brasileiro [o primeiro pós-Machado]:

Mário de Andrade

São Paulo, 23 de Janeiro de 1943

:: O Modernista para além de qualquer Antropofagia ::

GARAPA @ The 3thWWW JOSÉ PADILHA

In A Little About My Master Degree, therefore i am, thinking: i purchase on May 15, 2009 at 10:37 pm

pré-estréia gratuita em SP:

próxima segunda-feira, dia 18/ 5, às 19h30

April 29, 2009Award-winning Brazilian director Jose Padilha (Bus 174, Elite Squad) discusses his new film, Garapa. Garapa is the Portuguese name for the sugar water given to children to stave off their hunger cravings and often replaces more nourishing food or drink. Shot in the impoverished North East region of Brazil, this powerful and moving documentary chronicles the effects of hunger and malnutrition on three separate families. This year the film has been screened at the Berlinale and the …

padilhaemcannes2009José Padilha em foto de Jonh MacDougall/AFP11 Fev 2009 – 20h40min – Filmado em preto e branco, o documentário foi rodada no Ceará

world wide cafe ou world web cafe?

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on May 11, 2009 at 11:39 pm

As palavras (assim como o imaginário) são produtoras de realidades

Ilana Feldman @ Big Brother prepara a sociedade de controle | [último acesso em 11 de maio de 2009 | 20h42 :: 8:42 p.m.]

hypno2s_wired

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“Estamos diante de duas concepcoes de ciencia, formalmente diferentes, mas ontologicamente diante de um só + mesmo campo de interação, onde uma ciencia regia nao pára de apropriar-se dos conteúdos de uma ciência nômade ou vaga[bunda], e onde uma ciencia nomade nao pára de fazer fugir os conteudos da ciencia regia. No limite, soh conta a fronteira constantemente movel [de matilhas/ relações-hierarquias movediças?] … o ‘redondo’ como esquema do círculo[?]” [p.33/34 @ D./G., 1980-1997#5]

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Como linguagem biopolítica, o reality show [o jogo em rede | plataformas de relacionamento social]

vive o paradoxo entre a adaptação ao vivente e

a adaptabilidade difundida como valor empresarial [ou imaterial…].

O formato vive de seu próprio colapso, na medida em que nem sempre as categorias se sustentam.

Também a afetividade não se controla,

e muitas vezes é ela mesma

a força de resistência a determinados processos

de subjetivação e formatação identitária.

[Feldman, I. op.cit.]

As Regras do Jogo [um futuro Bourdieu]

In academic bursary on May 11, 2009 at 9:16 pm

falta-me ler Bourdieu todavia, admito.

mas este post em lista [C.F.] me parece em dialogo aki:

Vejo essa questão do jogo como algo imanente à Internet e às suas possibilidades.

Afinal, quem não está jogando na rede, seja por meio de vários perfis, ou de atividades que divulga e até mesmo por meio da apropriação dos discursos alheios?

Podemos hackear a nossa reputação de diversas formas e montar o espetáculo no qual desejamos ser reconhecidos.

Entretanto, algo nos falta quando toda essa aparência precisa ser mantida,

talvez nesse ponto seja necessário, então, inventar um novo jogo no qual possamos atuar com liberdade novamente.

Acho que o fato marcante é que se não conversamos não existimos e nem mesmo estamos jogando.

Coisa de matilhas!

CF: o que seria “atuar com liberdade novamente”, em que ponto ha o “novamente”?!…