única divindade da razão: o acaso
“Somos obrigados às mesmas precauções que o domador:
Se ele tem a infelicidade
[antes de entrar na jaula]
de auto-cortar-se com a navalha
Que banquete para as feras!”
La Chute — Camus, aos 42-43 anos de idade
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recebi um email há algumas semanas com este exato subject. na linha que se seguia visualizava-se: (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, fragmento 23) abri o email [msm sem conhecer o remetente, mas este não caíra no spam-'malha fina' del gran google & filters...]
Tornarmo-nos esfinges,
ainda que falsas,
até chegarmos ao ponto
de já não sabermos quem somos.
Porque,
de resto,
nós o que somos é
esfinges falsas
e não sabemos o que somos realmente.
O único modo de estarmos de acordo com a vida
é estarmos em desacordo com nós próprios.
O absurdo é o divino.
Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente,
só para depois agirmos contra elas – agirmos e justificar as nossas ações com teorias que as condenam.
Talhar um caminho na vida,
e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho.
Ter todos os gestos e todas as atitudes
de qualquer coisa que nem somos,
nem pretendemos ser,
nem pretendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece.
coincidentemente chegou a mim tal email exatamente um dia após a publicação deste post: Liberdade é fazer o que se quer e querer o que se fez
[...] “Ter todos os gestos e todas as atitudes / de qualquer coisa que nem somos, / nem pretendemos … [...]