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Archive for July 2009

ABSURDO

In friends&artists, life2009, personal ... trainee on July 28, 2009 at 12:54 am

única divindade da razão: o acaso

“Somos obrigados às mesmas precauções que o domador:

Se ele tem a infelicidade

[antes de entrar na jaula]

de auto-cortar-se com a navalha

Que banquete para as feras!”

La Chute — Camus, aos 42-43 anos de idade

…………………………..

recebi um email há algumas semanas com este exato subject. na linha que se seguia visualizava-se: (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, fragmento 23) abri o email [msm sem conhecer o remetente, mas este não caíra no spam-'malha fina' del gran google & filters...]

Tornarmo-nos esfinges,

ainda que falsas,

até chegarmos ao ponto

de já não sabermos quem somos.

Porque,

de resto,

nós o que somos é

esfinges falsas

e não sabemos o que somos realmente.

O único modo de estarmos de acordo com a vida

é estarmos em desacordo com nós próprios.

O absurdo é o divino.

Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente,

só para depois agirmos contra elas – agirmos e justificar as nossas ações com teorias que as condenam.

Talhar um caminho na vida,

e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho.

Ter todos os gestos e todas as atitudes

de qualquer coisa que nem somos,

nem pretendemos ser,

nem pretendemos ser tomados como sendo.

Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece.

coincidentemente chegou a mim tal email exatamente um dia após a publicação deste post: Liberdade é fazer o que se quer e querer o que se fez

O Bailado de Flávio de Carvalho

In the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 27, 2009 at 2:14 am

“…o extremo cuidado com cada palavra e gesto diante da presença do outro!

…mas já não mais o outro ‘de fora’, mas o Outro em mim!

Não existe o tocar que não seja, simultaneamente, ser tocado.

…conduz nosso olhar para aquele que foi um dos primeiros performers brasileiros

(embora, Flávio, preferisse o termo ‘experiência’)…”

txt retirado do “programa-da-peça”*

flavio de carvalho1

Flávio de Carvalho em Experiência nº 3, [Traje de Verão, Traje Tropical :: realizada publicamente em 1956]

“ele sai andando pelas ruas de São Paulo vestido com o traje de verão do “novo homem dos trópicos” (ou new look), desenhado por ele, e que consistia em uma roupa para ambos os sexos: uma blusa de náilon, um saiote com pregas e um chapéu transparente, vestidos com meia-arrastão e sandálias de couro.”

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

Flávio de Carvalho Traje de Verão, Traje Tropical 1956

experiência –

“Explorando o campo semântico de experiência, vamos nos deparar com a acumulação de conhecimentos, o saber que advém das vivências, os atravessamentos que os acontecimentos impõem a todo aquele que se encontre em posição de enfrentar o desconhecido, e a superação de limites, inclusive de riscos. … respeitando sua etimologia pode ser:

uma travessia de risco.

* O Bailado de Flávio de Carvalho @ Centro Cultural FIESP

“… propõe uma reaproximação do universo turbulento, teatral e plástico desse artista insuficientemente visitado. Seus escritos e atitudes provocadores e radicais já prenunciavam nos anos 30 do século passado os dias atuais…

…O eixo condutor do espetáculo é a peça Bailado do Deus Morto, escrita e encenada por ele em 1933. Em torno desse eixo, estão as famosas experiências do artista, as pinturas e as suas instigantes reflexões acerca do homem moderno.”

flavio de carvalho3

demais links acessados [imagens] para este post:

http://luccasjc.flogbrasil.terra.com.br/foto16283763.html

http://www.artesdoispontos.com/viu.php?tb=viu&id=18

Elogio aos errantes. Breve histórico das errâncias urbanas (1) por Paola Berenstein Jacques | outubro 2004

“…O engenheiro civil, arquiteto, escultor e decorador Flávio de Carvalho, como ele se denominava, ficou mais conhecido por suas pinturas e obras arquitetônicas, do que por suas errâncias urbanas, que ele denominou de Experiências.

A Experiência nº 2 realizada em 1931 e publicada em livro homônimo (com o subtítulo, uma possível teoria e uma experiência), consistia na prática de uma deambulação, com um tipo de boné cobrindo a cabeça, no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi pelas ruas de São Paulo, como ele conta em seu livro: “Tomei logo a resolução de passar em revista o cortejo, conservando o meu chapéu na cabeça e andando em direção oposta à que ele seguia para melhor observar o efeito do meu ato ímpio na fisionomia dos crentes.” Depois de algum tempo a multidão se voltou contra ele, que teve que fugir e se refugiar em uma leiteria. Quando a polícia o prendeu ele disse que estava realizando uma “experiência sobre a psicologia das multidões”. Nos jornais do dia seguinte as manchetes destacavam: “Na procissão uma experiência sobre a psicologia das multidões da qual resultou sério distúrbio” (O Estado de São Paulo. São Paulo, 9 de junho de 1931). …”

outrarse again [Aristóteles & Platão]

In academic bursary on July 22, 2009 at 3:00 am

16 de Junho de 2009
O Banquete, de Platão

O Banquete trata da amizade, do amor e é um dos diálogos de Platão da categoria política.

Mas como a discussão sobre a amizade pode inserir essa obra na problemática política?

Para Platão, a amizade é uma força educadora e nexo que mantém o Estado.

A amizade é “forma fundamental de toda comunidade humana que não seja puramente natural, mas sim uma comunidade espiritual e ética.”

Não é possível existir uma comunidade que não seja baseada na amizade,

pois essa tende para aquilo que é o bem e este une os homens.

O bem é aquilo que é supremo, está impresso na alma, é o primeiro amado,

aquilo que permite a admiração pelas demais coisas,

em outras palavras, antes de tudo vem o bem, para o qual o ser humano deve voltar-se,

aquilo que tudo une,

ente unificador.

_________________________

in

http://resumofacil.blogspot.com/

[acesso: 22 de julho de 2009]

_________________________

Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Ética a Nicômaco

Três são as coisas que o homem ama, segundo Aristóteles, logo, três são as formas de amizade:

pelo útil, prazer e bem.

Os homens que amam em busca do útil,

buscam um bem imediato, riquezas ou honras.

Ama-se,

não em vista do fim em si mesmo,

mas como meio de adquirir vantagens.

A forma em função do prazer é semelhante à forma de se amar pelo útil.

Busca-se o prazer recíproco.

A amizade é estável enquanto persistir este elo prazeroso.

Estas duas espécies de amizade são acidentais.

Quando uma das partes cessa de ser agradável ou útil, a outra deixa de amá-la.

Na terceira forma, pelo bem, ama-se o outro por aquilo que ele é.

Ama-se pela bondade.

É a verdadeira forma de amizade e só é possível entre os amigos bons

com senso de justiça e equidade.

Esta forma de amizade não é muito freqüente.

Ela exige tempo, familiaridade, um habitus,

digna entre os amigos bons e virtuosos.

E a phrónesis auxilia na escolha de amigos recíprocos.

Para Aristóteles o amigo é um outro eu,

possibilidade de autoconhecimento.

Conhecemo-nos olhando para o outro.

Devido a nossa finitude, procuramos atingir à perfeição moral no espelhamento do outro.

É um momento essencial da vida feliz

e implica reconhecimento, bondade e reciprocidade,

atingindo a expansão social do eu.

Assim, a amizade também é um bem supremo,

um valor que nos conduz à eudaimonia

- vivência da plenitude humana, mediada com amigos bons e vida contemplativa -

No livro X da Ética a Nicômacos vemos o conceito de prazer e sua relação com as excelências do homem.

TAGs & GOOGLE – metodologias de aprendizagens

In A Little About My Master Degree, academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 22, 2009 at 2:17 am

metodologias de aprendizagem em tempos de rede:

“A composição baseada em tags é mashup.”

[frase-status no gtalk de um de meus contatos online | 20 de julho de 2009]

tags: “max weber” | encantamento

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#1 >> “Max Weber e Michel Foucault: uma análise sobre o poder”

O poder é um fenômeno que vem merecendo muitos e variados enfoques nos estudos organizacionais da atualidade. Mas, a preocupação com este tema remonta de datas bem antigas. Daí, dado as restrições temporais e em termos de espaço, não nos darmos a uma descrição dos variados autores com os múltiplos olhares sobre o poder, mas sim, centralizarmos nosso foco analítico em duas figuras principais: Max Weber e Michel Foucault. O primeiro entendendo o fenômeno em termos de uma materialidade, que, portanto, poderia se metamorfosear em termos de transmissão da base de origem de uma forma a outra, sendo ela ora a tradição, ora o carisma, ora regras impessoais e universais a certas instituições burocráticas que unidas formariam a sociedade como um todo. O segundo, entendendo o fenômeno como uma correlação de forças no interior de instituições de reclusão denominadas “disciplinares”, nas quais os corpos seriam distribuídos, individualizados, adestrados, vigiados, sancionados e examinados no intuito de aumentar suas forças produtivas a um máximo e reduzir suas forças políticas a um mínimo. Nas palavras de Foucault: criação de corpos dóceis.


É importante salientar que a abordagem foucaultiana não se esgota na descrição do exercício do poder disciplinar, ele ainda abordou outra forma de exercício de poder que denominou biopolíticas que em vez de focalizarem os corpos individuais como alvo de exercício procurariam controlar fenômenos próprios à população para que os mesmos entrassem no interior dos cálculos infinitesimais dos controles estatais.

Assim, podemos afirmar, que enquadrados, distribuídos espacialmente, individualizados, postos em relação a uma atividade, vigiados para por fim gerarem um registro que dará forma e conteúdo a diversas disciplinas de saber; os corpos, além de se tornarem dóceis e úteis, ainda produziriam um incorpóreo que possuiria nele próprio todas as regras e princípios da clausura, e este incorpóreo seria nada mais, nada menos que suas próprias subjetividades.

O tipo de sociedade que poria em funcionamento este tipo específico de poder foi classificada por Foucault de sociedade disciplinar “na qual o comando social é construído mediante uma rede difusa de dispositivos ou aparelhos que produzem e regulam os costumes, os hábitos e as práticas produtivas (HARDT; NEGRI, 2001, p. 42)”, sendo posta em funcionamento através de instituições também classificadas por Foucault como disciplinares (a prisão, a fábrica, o asilo, o hospital, a universidade, a escola e etc) que estruturariam o terreno social e forneceriam explicações lógicas e adequadas para a razão da disciplina (HARDT; NEGRI, 2001).


Foucault, ao contrário de Weber, partiria para a observação do que descreveu em sua forma real, ou seja, as observações acerca do funcionamento da prisão, da fábrica, da escola e etc, seriam em sentido lato, “o como” o poder realmente é exercido nestas instituições e as descrições sobre os efeitos desse poder, realmente apresentariam os resultados nos corpos dos afetos das relações de força características deste poder.

Mas, ponto comum entre as duas abordagens é o contexto do exercício do poder. Tanto para Foucault quanto para Weber relações de poder só poderiam existir caso os membros envolvidos em tais relações gozassem de liberdade.

Ao contrário do pensamento usual, o poder não é contrário à liberdade. Sociedades nas quais seus membros não gozem de liberdade política estão sob o jugo de relações de submissão e não relações de poder.

Parece fazer mais sentido acreditar que as pessoas aceitam serem lideradas por o conteúdo do trabalho as afetarem de alguma forma, ou seja, as atividades que tem de executar fazerem algum sentido para as mesmas e, como última observação, podemos citar também a importância do conceito da produção subjetiva como fator explicativo para a atual debilidade e inoperância dos movimentos trabalhistas.

Marcadores [Post Tags]: ciência política, Foucault, poder, Weber

Terça-feira, 16 de Junho de 2009 [acesso em 22 de julho de 2009]

toda essa merda educada

In personal ... trainee on July 21, 2009 at 11:51 pm

Teria mesmo chegado ao ponto de dizer nutro?

Teria, teria sim,

teria dito nutro e relacionamento e rompimento e afeto,

teria dito também estima e consideração e mais alto apreço

e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer

para colorir a indiferença

quando o coração ficou inteiramente gelado.


- Caio F.Abreu –

desvicia-me!

In Uncategorized on July 21, 2009 at 11:47 pm

Já fui viciada em palavras
E as palavras me impediam de sentir.

Já fui viciada em sentir
E sofria por coisas pequenas.

Já fui viciada em sofrer
E a auto-piedade me impedia de enxergar os outros

Já fui viciada em pessoas
E as pessoas me impediam de ser eu

Já fui viciada em mim mesma
E era chamada de egocêntrica por não pensar no mundo

Já fui viciada em mundo
E o conhecimento me privava da inocência

Já fui viciada em inocência
E esta me escondia a verdade

Já fui viciada em verdade
E buscando o sentido de tudo, me esquecia de
simplesmente viver.

Hoje sou viciada em vida
E acho que ainda morro disso!

Vícios (Larissa Lamas Pucci)

an old a[u]nt

In A Little About My Research Project, the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 20, 2009 at 7:51 pm

devemos ter a noção — base referencial — de que estas novas* gerações [já nascidas na web 2.0] são de uma ética e morais

Post-Blade Runner:

nascidos Pós-1984

the new generation since 1984

…My schedule for today lists a six-hour self-accusatory depression. What? Why did u schedule that? It defeated the whole purpose of the mood organ. At that moment when I had the TV sound off, I was in a 382 mood; I had just dialed it. So although I heard the emptiness intellectually, I didn’t feel it. My first reaction consisted of being grateful that we could afford a Penfield mood organ. But then I realized how unhealthy it was, sensing the absence of life, not just in this building but everywhere, and not reacting — do you see? I guess u dont. But that used to be considered a sign of mental illness; they called it ‘absence of appropriate affect’. So I left the TV sound off and I sat down at my mood organ and I experimented. And I finally found a setting for despair. — Her dark, pert face showed satisfaction, as if she had achieved something of worth. — So I put it on my schedule for twice a month; I think that’s a reasonable amount of time to feel hopeless about everything, about staying here on Earth after everybody who’s smart has emigrated, dont u think? But mood like that u r apt to stay in it, not dial your way out. Despair like that, about total reality, is self-perpetuating. I program an automatic resetting for 3hs later. A 481. Awareness of the manifold possibilities open to me in the future; new hope... Listen, even with an automatic cutoff it’s dangerous to undergo a depression, any kind. Forget what u’ve scheduled and I’ll forget what I’ve scheduled; we’ll dial a 104 together and both experience it, and then u stay in it while I reset mine for my usual businesslike attitude. Dial 888: the desire to watch TV, no matter what’s on it. …dial 3. I can’t dial a setting that stimulates my cerebral cortex into wanting to dial! If I don’t want to dial, I don’t want to dial that most of all, because then I will want to dial, and wanting to dial is right now the most alien drive I can imagine; I just want to sit here on the bed and stare at the floor. Okay, I give up; I’ll dial. Anything u want me to be; ecstatic sexual bliss — I feel so bad I’ll even endure that. What the hell. What difference does it make? I’ll dial for both of us, …dialed 594: pleased acknowledgment of husband’s superior wisdom in all matters. On his own console he dialed for a creative and fresh attitude toward his job, although this he hardly needed; such was his habitual, innate approach without recourse to Penfield artificial brain stimulation.

…nao sei se haverá energia para o doutorado. creio fielmente que não; então vou postando a pesquisa-prévia [1999-2008]… talvez alguém possa utilizá-la em prol de algo, de vida, de sentido de viver e viver-se…

*que hoje se ncontram na chamada ‘idade universitária’ [the 20's people]

Desejo :: Spinoza em Lacan

In academic bursary on July 16, 2009 at 5:05 am

na dor de existir, uma anestesia referida à própria condição (Lacan, [1966] 1995). Sua apresentação se atesta como uma ausência de sensibilidade que acomete o sujeito incapaz de localizar, no mundo, um valor que justifique sua presença. Carente de algo que possa lhe dar sentido, o sujeito se vê privado da tensão essencial ao desejo que confere à percepção do mundo uma intencionalidade própria. … indivíduos que se mostram apáticos, desprovidos de intencionalidade, pessoas que num certo momento se vêem incapazes de localizar, na superfície extensa e tediosa que para elas se tornou a realidade, a tensão que imprime ao mundo a verticalidade do desejo.

A depressão revela a condição de desamparo de que falava Freud, da qual tentamos nos proteger construindo uma rede de vínculos ilusórios a que chamamos de amor e de sentido da vida, sem que se saiba o que isso quer dizer: é preciso estar inconsciente de uma ilusão [jogo] para que ela [este] nos sustente. … rede ilusória de sentido e amparo da qual se constitui o laço social

Tal como, para a medicina, a febre e a dor são signos externos de afecções variadas, que podem ocorrer tanto nas infecções quanto nas afecções reumáticas, a depressão, para a psicanálise, não mais é do que a expressão afetiva de um retraimento libidinal que pode ocorrer em todas as estruturas clínicas.

A falta de vontade constante … corresponde … a uma recusa ética de situar, através do pensamento, a estrutura simbólica que o determina no inconsciente.  … É preciso criar uma tensão do pensamento e examinar de perto três referências aqui essenciais para se entender o que está em questão nessa definição [para Lacan] … Essas referências são Dante, Spinoza e a noção de pecado, ou de falta moral.

Impossível não evocar aqui o filósofo Martin Heidegger ([1929-1930] 1992), para quem a experiência do tédio (Langeweile), como aquilo que nos arrasta e nos deixa vazio, alimenta-se precisamente de sua ausência de localização.

se sua ética [@Spinoza] se estabelece como um projeto que visa a determinar a lógica da afetividade, é porque ele supõe a natureza como uma rede de conexões causais cuja inteligibilidade pode e deve ser alcançada pelo pensamento.


ÉTICA = LÓGICA DA AFETIVIDADE

[a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil]

Se o corpo humano foi uma vez afetado por dois corpos ao mesmo tempo, quando mais tarde o Espírito imaginar um dos dois, imediatamente ele se lembrará do outro. Ora, as imaginações do espírito indicam mais os afetos de nosso corpo do que a natureza dos corpos exteriores: logo, se o corpo, e, por conseguinte, o espírito, foi uma vez afetado por dois afetos, quando mais tarde um dos dois o afetar, o outro o afetará também (Spinoza, 1988: 226-227).

Há, por conseguinte, aos olhos de Spinoza, uma contingência associativa entre o afeto e seu objeto, a qual se confirma logo após, na Proposição XV, quando ele afirma que “qualquer coisa pode ser acidentalmente causa de alegria, de tristeza ou desejo” (Spinoza, 1988: 226-227). Daí se entende, conforme se lê no Escólio:

que pode acontecer que amemos ou que odiemos certas coisas sem que conheçamos a razão para isso, mas somente por simpatia ou antipatia. E é a isso que se deve igualmente relacionar os objetos que nos afetam com alegria ou tristeza pelo simples fato que tenham alguma semelhança com objetos que nos causam habitualmente os mesmos afetos (Spinoza, 1988: 228-229).

Conforme se lê na definição 5 do livro I, por modo se entende “as afecções de uma substância, ou seja, o que é em outra coisa e que também se concebe por essa outra coisa” (Spinoza, 1988: 14-15). Modos são, portanto, segundo traduz Deleuze, poderes de afetar e ser afetado por aquilo que lhe é conexo, donde se infere que a Spinoza interessa uma ontologia conectiva, uma ontologia cujos elementos se definem por sua conexões. Afirmar, portanto, que “Deus (ou a natureza) produz uma infinidade de coisas numa infinidade de modos” (Livro I, proposição XVI) (Spinoza, 1988: 44-45) significa dizer que os efeitos gerados pela natureza são seres reais que têm uma essência e uma existência próprias, mas que não existem e não estão fora dos atributos nos quais eles são produzidos. Sendo a natureza uma vasta rede de conexões causais, os seres, por sua vez, são poderes de ser afetado e de afetar, tanto no plano do corpo quanto no plano do pensamento.

A ontologia espinosista refere-se assim aos seres não pela abstração de sua forma, mas pelos afetos que são capazes de provocar e receber.

Para ir diretamente ao ponto, pode-se resumir dizendo que é próprio da paixão preencher nosso poder de ser afetado por algo do qual não somos a causa, separando-nos de nossa potência de agir. Quando se encontra um corpo exterior que não convém com o nosso (ou seja: cuja conexão com ele não se compõe), nossa potência de agir é diminuída e o afeto correspondente é a tristeza. Já quando este corpo nos convém, nossa potência de agir é aumentada, suscitando a experiência da alegria. Mas a alegria ainda é uma paixão, posto que ligada a uma causa exterior. Ficamos ainda separados de nossa potência de agir. É preciso, portanto, com relação a uma paixão, chegar ao princípio exato do seu conhecimento, para assim transformá-la em ação. Nesse sentido, a tristeza corresponderia, aos olhos de Spinoza, à impotência em que se encontra o sujeito diante de um afeto que, por se mostrar confuso, não lhe permite encontrar a necessidade lógica pela qual ele determina o seu agir. Seu corolário seria o abatimento, o qual se traduz, clinicamente, ao modo da deflação libidinal que se manifesta na perda de iniciativa do sujeito

É necessário, portanto, que haja desejo de conhecimento do verdadeiro como afeto para suprimir a tristeza de nossa condição de impotência. Mas se considerarmos, como se lê na proposição XV, que o desejo oriundo do verdadeiro conhecimento pode ser extinto ou contrariado por muitos outros desejos que nascem dos demais afetos que nos dominam, como então evitar uma conclusão pessimista acerca de nossa condição, a qual em nada condiz com o programa de Spinoza?

para Spinoza, o conhecimento verdadeiro é impotente contra os afetos

Há que existir em nós um sujeito, que não é decerto uma substância, mas que se afirma no próprio ato do pensamento. Pois, se é verdade, como afirma desde o início Spinoza, que o espírito é a idéia do corpo, essa idéia não é um simples efeito ou reflexo do corpo. A idéia não é a correspondência mental do objeto, ela não somente lhe é distinta (a idéia do círculo não é circular, como já se lê desde a Reforma do Entendimento) como também supõe algo mais do que seu objeto: ela é sua afirmação.

Sendo, pois, a idéia uma afirmação, e não uma simples representação do seu objeto, ela deriva necessariamente da atividade ou do esforço de quem a afirma, esforço no qual se articulam, aos olhos de Spinoza, a razão e os afetos. É, portanto, no cerne dessa atividade que razão e afetos encontram uma raiz comum, que permite tratar um pelo outro: o conatus pelo qual se designa o esforço para perseverar no ser. Ao conatus corresponde, assim, segundo assinala Deleuze, “a função existencial da essência, ou seja, a afirmação da essência na existência do modo” que lhe confere duração. Se a razão se afirma, então, ao estabelecer relações inteligíveis entre aquilo que nos afeta, é porque sua atividade consiste em construir o que Spinoza nomeia de noções comuns, ou seja, “idéias que se explicam formalmente por meio de nossa potência de pensar” (Deleuze, 1968: 258), idéias das quais somos a causa adequada. Diferentemente, portanto, das idéias confusas que nos chegam através da sensibilidade, as noções comuns se apresentam como idéias claras e distintas, porquanto dependem unicamente da própria afirmação da racionalidade, cuja atividade consiste em ligar o que convém com a nossa composição.

Mas a razão – nunca é demais lembrar – não se exerce jamais exteriormente aos afetos. São as paixões alegres que nos conduzem, segundo Spinoza, a formar as noções comuns que lhes correspondem, gerando assim o princípio indutor da atividade da razão. Assim, se a idéia produzida por uma paixão alegre tem sua causa fora de nós, a idéia, que essa paixão induz, do que é comum a nosso corpo e ao que lhe é exterior é produto da razão somente, manifestando assim nossa potência de agir. … Pois a razão, insiste Spinoza, não demanda nada contra a Natureza; ela pede somente que cada um busque o que lhe é útil, que cada um deseje o que o conduza realmente a um estado de perfeição maior, que cada um, enfim, se esforce, segundo sua potência, em se conservar no ser.

homologia entre a ética espinosista do bem pensar e a ética lacaniana do bem dizer.

distintamente da perspectiva de Spinoza, para quem a regra ética consiste em cada um procurar racionalmente o que lhe é útil, o que está de acordo com a sua composição, o que convém a seu esforço de perseverar no ser, o que a psicanálise isola, no cerne de sua experiência, é justamente o objeto causa de desejo como algo de essencialmente inútil, que em nada serve a seu esforço de perseverar no ser.

O que a psicanálise isola no fundo, diz Jacques-Alain Miller (2004-2005), é uma peça sem uso, uma peça fora de toda e qualquer conexão na maquinaria significante. Esta peça avulsa, que para nada serve, é a figura do sem sentido, figura daquilo que não se emenda na significação, que não se ajusta à composição do ser falante.

Essa peça corresponde, enfim, como se pode adivinhar, à radical ausência, que a psicanálise explicita, da conexão sexual enquanto elemento irredutível de contingência. … Não é em todo caso fortuito, vale lembrar, antes de concluir, que a beatitude espinosista, enquanto lugar de realização de uma racionalidade integral, esteja condicionada pelo esquecimento da questão da sexualidade, diante da qual todo pensamento é débil (Miller, 2004-2005).



[acesso: 16.07.2009]
@Antônio M. R. Teixeira Depression or thought’s laziness? Reflexions on Lacan’s Spinoza


O que é verdadeiramente amoral é ter desistido de si mesmo

In Uncategorized on July 16, 2009 at 5:02 am

@Clarice_Lispector.
eifo? eize a sefer a zeh?

LIBERDADE É FAZER O QUE SE QUER E QUERER O QUE SE FEZ

In academic bursary, life2009 on July 14, 2009 at 10:20 pm

Abril deste ano foi um mês-espiral pra mim.

Enquanto alguns rapazes [ao redor dos 20 anos de idade] pichavam — livres e radicais — os muros da cidade com uma frase que, aos aficcionados por cinema, parecia oriunda do cinema marginal da década de 70, a cidade sintonizava-se, pelo menos a quem a recebia e percebia: falávamos todos de amor, de amar. Com um fascínio louco por sair gritando isto por aí, que obrigassem a tds a  escutá-los, a nos escutar!!!

A verdade é que eu não sei se eu vi ou se me falaram. Ou se primeiro eu vi e dps me falaram ou vice-versa… mas, virou uma certa memória comum tbm aqui no espaçø públicø de mentes coletivas:

O amor é importante, porra! [28deMarçode2009]

——– ——— ——– poesia em rede:

[25 min. a pé de casa, num caminhar tranquilo]

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos, qto mais curtos…

ou seria

… esta cidade eh d poucos caminhares assim: tranquilos… qto mais, curtos…

?

[e lá, a terra dos antropoemicos e antropofagicos cidadaos civilizados!]

ETICA NA REDE

In academic bursary on July 14, 2009 at 6:05 pm

a etica na rede eh uma “etica positiva”?

————————————————————————————–
axioma/ ver.#1 “Para nos relacionarmos precisamos de encontros, a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos

————————————————————————————-#Spinoza [linka onde? em quais protocolos? Google, Yahoo! Amazon Answers Creative Commos delicious eBay Wikipedia ... Get more search engines]

dificil criar pseudônimos-reais em uma sociedade virtual… [...]

positivo em uma “lógica ‘capitalista’”? #cookies

positivo = paz de espírito? :: paz de espírito = no nóias/ no split minds!]

TAG SPINOZA @ Dani

In academic bursary on July 14, 2009 at 2:05 pm
  1. afetos
  2. Spinoza
  3. - Reprodução: “Um problema de segurança mais grave que a destruição ou corrupção de propriedade imaterial através das conexões é a reprodutibilidade, que não ameaça a propriedade em si, mas simplesmente destrói seu caráter privado (…) Naturalmente, a reprodução é muito diferente das formas tradicionais de roubo, pois a propriedade original não é tomada de seu proprietário; simplesmente passa a haver mais propriedade para alguém mais (…) O caso da Napster constitui um exemplo interessante porque coloca a questão da reprodução de uma forma social” (p. 234-235)

a partir de Hobbes: … transforma o instinto de conservação em vontade de potência (p. 152).

  • Antecipar-se é buscar não só viver, mas viver o máximo de tempo possível, não só satisfazer nosso desejo presente mas garantir o caminho de nosso desejo futuro.
  • “A potência de um homem é precisamente o conjunto de meios que ele dispõe hoje para obter algum bem aparente futuro (…) Mas a melhor de todas as garantias sobre o futuro é, claro, que devemos concorrer com nossos semelhantes” (p. 152).
  • “Aspiramos, assim, insaciavelmente, a dominar os outros homens, afim de lhes manter disponíveis para uma eventual utilização futura” (p. 153)

princípio da imitação dos sentimentos de outrem

Multidão e povo diferem-se, segundo as concepções de Espinosa (1677) e Hobbes (1651), respectivamente, por suas relações específicas com o Estado. O povo é uma multiplicidade que adota, ou pode ser constrangida sob o poder do Estado a adotar, uma vontade comum e converte-se em uma unidade às custas das singularidades. Já a multidão, com sua recusa em submeter-se ao poder do soberano, conserva sua multiplicidade e singularidades individuais permanecendo à margem das tentativas de unidade, redeterminando-as.

· Duas qualidades da multidão (analisados por Heidegger em Ser e Tempo)

  1. · Tagarelice: “um discurso sem estrutura óssea, indiferente ao conteúdo que cada tanto aflora, contagioso e extensivo” (p. 35)
  2. · Curiosidade:a insaciável voracidade pelo novo enquanto novo” (p. 35)
  • · Ao contrário de Heidegger, que considera a tagarelice e a curiosidade como típicas manifestações da vida “inautêntica”, desvirtuada e ociosa, nivelada em seu sentimento e compreensão, Virno julga que ambas dão mostra da potência do pré-individual na constituição do indivíduo.
  • · Tagarelice: “Comecemos pela tagarelice. Ela testemunha o papel preeminente da comunicação social, sua independência de todo vínculo ou pressuposto, sua plena autonomia. Autonomia de objetivos pré-definidos, de empregos circunscritos, da obrigação de reproduzir fielmente a realidade. Na tagarelice diminui teatralmente a correspondência denotativa entre palavras e coisas. O discurso não mais requer uma legitimação externa, buscada desde os eventos sobre os quais versa. Ele mesmo constitui agora um evento em si, consistente, que se justifica só pelo fato de ocorrer” (p. 36)
  • · Curiosidade: “para Benjamin [A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica], a curiosidade enquanto aproximação ao mundo, amplia e enriquece a capacidade perceptiva humana. O olhar móvel do curioso, realizado mediante os mass media, não se limita a receber passivamente um espetáculo dado, mas, ao contrário, decide todas as vezes que coisa ver, que coisa merece colocar-se em primeiro plano e que coisa deve permanecer ao fundo. Os meios exercitam os sentidos à considerar o conhecido como se fosse ignorado, isto é, a vislumbrar uma ‘margem de liberdade enorme e imprevista’ inclusive naqueles aspectos mais trilhados e repetitivos da experiência cotidiana. Mas, ao mesmo tempo, exercitam os sentidos também para a tarefa oposta: considerar o ignoto como se fosse conhecido, adquirir familiaridade com o insólito e surpreendente, habituar-se à carência de costumes sólidos.” (p. 37)
  • · “Outra analogia significativa. Tanto para Heidegger como para Benjamin, o curioso está permanentemente distraído. Ele olha, aprende, experimenta todas as coisas, mas sem prestar atenção. Também neste tema o juízo de ambos os autores é divergente. Para Heidegger a distração, correlacionada com a curiosidade, é a prova evidente de um desenraizamento total e ausência de autenticidade. Distraído é quem sempre persegue possibilidades distintas mas equivalentes e intercambiáveis (…). Pelo contrário, Benjamin elogia explicitamente à distração, percebendo nela o modo mais eficaz de receber uma experiência artificial, construída tecnicamente.” (p. 38)

Enredar – “A arte de organizar encontros”

- Spinoza: “Mais uma vez, é Spinoza quem mais claramente prevê essa natureza monstruosa da multidão, concebendo a vida como uma tapeçaria na qual as paixões singulares tecem uma capacidade incomum de transformação, do desejo ao amor e da carne ao corpo divino (…) Spinoza mostra-nos como podemos hoje, na pós-modernidade, reconhecer essas metamorfoses monstruosas da carne não só como um perigo, mas também como uma possibilidade, a possibilidade de criar uma sociedade alternativa” (p. 253)

- “As ‘novas tecnologias’, enquanto significações imaginárias sociais segundas, são socializadoras dos seres humanos e um pólo de identificação coletiva. Como pólo da identidade coletiva contemporânea constituem uma matriz de estruturação de representações sociais, de designação de finalidades da ação e de estabelecimento de afetos” (p. 160)

- Contradições:

  • § Participação em caráter de consumidores ou usuários? (cf. Rheingold: Smart mobs) – os donos da informação não são mais os donos da organização da informação?
  • § fluxos de desejos emergem, organizam e transformam nossa experiência
  • Produção do Comum gestação de um novo poder, onde todos podem distribuir suas informações, potencializar seus desejos.”
  • Novas Tecnologias e multidão: “A sociedade amplamente permeada por redes tecnológicas inaugura a possibilidade de construir, inclusive em nós mesmo, outros modos de fazer-se, de transformar-se. A multiplicidade de forças criativas é elevada a um nível de alto poder na constituição da multidão. As novas tecnologias são o lugar da multidão, onde ela expressa a sua força, seu poder de criar e agir, onde estabelece sua ética e a estética contemporânea.” (p. 5)

dados [copy&paste]: blog Daniel Ávila — http://danielavila.wordpress.com

[acesso em 14 de julho de 2009]

TAG SPINOZA

In academic bursary on July 14, 2009 at 1:52 pm

SPINOZA ………………………………… 4.860.000 resultados

SPINOZA + ETICA ………………. 158.000 resultados

SPINOZA + CONATUS ……………………….. 51.300 resultados

SPINOZA + LIBERDADE ………………… 38.200 resultados

Spinoza at Google

Spinoza at Google

DESEJO em SPINOZA #01

In academic bursary on July 14, 2009 at 1:35 pm

Estou há semanas para digitalizar os grifos & notes da Etica de Baruch Spinoza [1632-1677]

pra quê?! >> ‘just’ google it, copy & paste << then quote

– TAGs: Spinoza | Afeto | Potência | Conatus –

resumao rapido:
[dei uma grifada aki nas questoes basicas de Spinoza]

  1. Para nos relacionarmos precisamos de encontros, e Spinoza diz que a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos.
  2. O índice em nós para sabermos se o encontro foi bom ou ruim é o que ele define como sendo afeto.
  3. Afeto é então definido como uma variação intensiva, uma quantidade intensiva,
  4. que está diretamente relacionada com o aumento ou diminuição das nossas potências.
  5. Spinoza nos fala de dois afetos, ou paixões primárias da alma, que são: a alegria e a tristeza.
  6. A alegria é o afeto que aumenta nossa potência de agir, seria uma variação intensiva positiva, para mais.
  7. Já a tristeza é o afeto que faz com que aconteça uma diminuição da nossa potência de agir.
  8. Podemos dizer então que a alegria está ligada à expansão, e a tristeza ao constrangimento. Os outros afetos variam desses dois.

—————

<< Os afetos primitivos (ou primários) são três: desejo (conatus), alegria (quando gera aumento do conatus) e tristeza (quando gera diminuição do conatus). >>
vou ter q reler a etica e as notes veias… nao lembrava de q ‘desejo’ era um dos primitivos afetos em spinoza…
desejo=conatus

  1. Conatus (Latin for effort; endeavor; impulse, inclination, tendency; undertaking; striving) is a term used in early philosophies of psychology and metaphysics to refer to an innate inclination of a thing to continue to exist and enhance itself.
  2. o conceito de conatus=a força genética do comportamento. É um impulso original ou “começo interno” do movimento animal para se aproximar do que lhe causa satisfação ou para fugir do que lhe desagrada. Esse conatus impulsiona o homem a vencer sempre. A vida começa com o conatus positivo, o desejo. Em termos de vida social, ultrapassar o outro é fonte primordial de satisfação, por isso estar continuamente ultrapassado é miséria enquanto ultrapassar continuamente quem está adiante é felicidade. É da sua natureza o egoísmo, constituído por “um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder que só termina com a morte” .
  3. Espinosa faz uma distinção perspicaz entre apetites e desejos. Os apetites são pulsões originalmente corporais, como a fome, a sede e as relacionadas à sexualidade. Os desejos correspondem à consciência dos apetites — são os apetites percebidos no plano consciente. A difererença que Espinosa estabelece entre apetites e desejos é semelhante à que o neurocientista António Damásio faz, respectivamente, entre emoções e sentimentos.21 Para Espinosa, o desejo é a essência do ser humano. Não desejamos as coisas porque as consideramos boas: ao contrário, nós as consideramos boas porque as desejamos.22 A idéia espinosana de desejo mais tarde encontraria ressonância no que Schopenhauer, no século 19, chamaria de vontade de viver, e Nietzsche, no mesmo século, denominaria de vontade de poder.

links quick-research:

  • http://www.cobra.pages.nom.br/fmp-hobbes.html
  • http://en.wikipedia.org/wiki/Conatus
  • http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070821103311AAccbTB
  • http://dabusca.blogspot.com/2007/07/os-afetos-primitivos-na-tica-de-spinoza.html
  • http://www.existencialismo.org.br/jornalexistencial/paulaspiniza.htm

tornar-se outro [Outrar-se vs. Antropofagia e Antropoemia]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 14, 2009 at 3:28 am

Outrar-se não é “tornar-se outro” em sentido frenia [mente/ personalidade #schizofrénie] … mas talvez dialogue perfeitamente com o vocábulo deleuziano, desterritorializar-se…

Outrar-se pode ser um “tornar-se outro” a medida em que, ao nos relacionarmos com os outros somos afetados [assim como afetamos] e nestas constantes trocas nos transformamos em um novo ser.

Não devoramos o outro [o desapropriando],

mas nos permitimos sermos penetrados

numa relação de penetração e reapropriação mútua.

Claude Lévi-Strauss … sugeriu em Tristes Trópicos que apenas duas estratégias foram utilizadas na história humana quando a necessidade de enfrentar a alteridade dos outros surgiu: uma era a antropoêmica [Antropoemia], a outra, a antropofágica [Antropofagia].

A primeira estratégia consiste em ‘vomitar’, cuspir os outros vistos como incuravelmente estranhos e alheios: impedir o contato físico, o diálogo, a interação social e todas as variedades de commercium, comensalidade e connubium.

A segunda estratégia consiste numa ’soi-disant’ — alienação — das substâncias alheias: ‘ingerir’, ‘devorar’ corpos e espíritos estranhos de modo a fazê-los, pelo metabolismo, idênticos aos corpos que os ingerem, e portanto não distinguíveis deles. Essa estratégia também assumiu ampla gama de formas: do canibalismo à assimilação forçada — cruzadas culturais, guerras declaradas contra costumes locais, contra calendários, cultos, dialetos e outros ‘preconceitos’ e ’superstições’.

Se a primeira estratégia [Antropoemia] visava ao exílio ou aniquilação dos ‘outros’, a segunda [Antropofagia] visava à suspensão ou aniquilação de sua alteridade.

@Bauman Modernidade Líquida. 2000

Chego aqui, portanto, na questão de “outrar-se” versus “antropofagia”; como se deu a ‘invenção’ de tal ‘conceito’:

Outrar-se refere-se à compreensão da existência de novas maneiras de se relacionar no mundo, com ‘o outro’, portanto à necessidade de criação de toda uma nova ética e novas morais tomando por base um novo século decorrente de uma nova cultura.

Outrar-se diz respeito a uma via dupla de contágio [contaminação?...] de algo ou outrem [objetos e/ ou sujeitos] com sentidos novos e diferentes* (primeiro por exposição, seguindo-se de contemplação e aprofundamento do ‘outro’: linguagens, pensamentos… trocas), transformando-se num novo ser humano [urbano?], com acréscimos de multiplicidades [formas de estar no mundo].

*no Outrar-se há sempre um deslumbramento com o novo — podendo este novo [o outro] ser ‘o diferente’ ou mesmo ‘o espelho’ –, e é a partir deste “deslumbramento” que estamos aptos a sermos penetrados pela alteridade e, assim, incentivados também a nos doarmos. Não há outrar-se que não seja uma “via de mão dupla”, um perder-se no encontro com ‘o outro’.

Outrar-se refere-se sempre a um exercício de despersonalização sobre um corpo sem orgãos a ser formado.

————————————————–

qdo lançamos mão – colocamos em público – de um “conceito” ou “idéia”, isto facilita nossa pesquisa em rede, a medida em que, os interessados – mtos? Qtos? Como? Quais? Por quê? – estarão googleando [lê-se gugando] o mesmo conceito: em alguns poucos dias [perceba-se que iniciei este teste há cerca de 3 semanas, quando da divulgação em distintas 'redes sociais online' sobre este conceito “outrar-se” ...] deu-se então um diferencial de “visibilidade” encontrado – que encontramos – no Google [como ferramenta de busca online] em diferentes períodos ao longo deste curto espaço de tempo. O resultado tem sido – exponencialmente – mto maior e também de maior credibilidade [informação vs. Conhecimento] dos links apontados em cada busca de outrar-se [então como TAG].

o Outrar-se, portanto, faz parte de uma nova ética: a ética da confiança na rede. confia-se que o enunciador do discurso apreendido — blog ou outro sítio— publicou [digitalizou sua escrita e a tornou pública] na data referente ao post [publicação relacionada à pesquisa]. E é a partir desta primeira ética — em rede – que pode ser validada a enunciação d’outrem: citação/ pertencente a @ #link

Outrar-se exige, portanto, estima, respeito e confiança no ‘outro’ e no relacionar-se:

Os sentimentos de estima, respeito e confiança são exemplos práticos que apontam para os meios de integração de nossa simpatia com as simpatias de outros. Conquistar a estima, o respeito e a confiança de um estranho significa trabalhar na construção de um laço afetivo mais amplo que aquele de nossas parcialidades.

E esse é um dos papéis, senão o mais importante, das instituições: não exatamente o de governar ou regular as relações entre os homens, mas o de mobilizar suas tendências, integrando-as num todo maior, utilizando para tal o artifício dos valores e normas.

“… a forma como comportamentos e idéias se propagam, o modo como notícias afluem de um ponto a outro do planeta etc. A explosão das comunidades virtuais parece ter se tornado um verdadeiro desafio para nossa compreensão. … o fato de estarmos cada vez mais interconectados uns aos outros implica que tenhamos de nos confrontar, de algum modo, com nossas próprias preferências e sua relação com aquelas de outras pessoas. E não podemos esquecer que tal negociação não é nem evidente nem tampouco fácil. …

Na corrente dessa mudança de perspectiva do conceito de “comunidade” para “redes sociais”, vários autores das ciências sociais passaram a investigar, desde os anos de 1990, o conceito empírico de capital social (Burt, 2005; Lin, 2005; Narayan, 1999; Portes, 1998; Grootaert, 1997; Fukuyama, 1996; Putnam, 1993; Coleman, 1990). Essa noção poderia ser entendida como: a capacidade de interação dos indivíduos, seu potencial para interagir com os que estão a sua volta, com seus parentes, amigos, colegas de trabalho, mas também com os que estão distantes e que podem ser acessados remotamente. Capital social significaria aqui a capacidade de os indivíduos produzirem suas próprias redes, suas comunidades pessoais. … normas e valores que governam as interações entre as pessoas e as instituições com as quais elas estão envolvidas. A importância do papel das instituições é muito clara aqui, pois estas funcionam como mediadoras da interação social, uma vez que propagam valores de integração entre homens e mulheres.

Contudo, as instituições, como apontamos, exercem um papel regulador e mediador de processos mais profundos. O que nos interessa, no caso de uma análise do capital social, são as variáveis microssociológicas, como a sociabilidade, cooperação, reciprocidade, pró-atividade, confiança, o respeito, as simpatias. …

Mas por que seria isso considerado precisamente como “capital”? Ora, as relações sociais passam a ser percebidas como um “capital” justamente quando o processo de crescimento econômico passa a ser determinado não apenas pelo capital natural (recursos naturais), produzido (infraestrutura e bens de consumo) e pelo financeiro. Além desses, seria ainda preciso determinar o modo como os atores econômicos interagem e se organizam para gerar crescimento e desenvolvimento. A compreensão dessas interações passa a ser considerada como riqueza a ser explorada, capitalizada. …

O problema da sociedade, nesse sentido, não é um problema de limitação, mas de integração. Integrar as simpatias é fazer com que a simpatia ultrapasse sua contradição, sua parcialidade natural. A estima, o respeito e a confiança são a integral das simpatias. Nosso desafio é estender as simpatias para que seja possível constituir grupos maiores do que aqueles envolvidos pela simpatia parcial. Trata-se de inventar os meios e artifícios para que os homens consigam estender suas simpatias para além de seu clã, família, vizinhança. Ou seja, trata-se de estender as simpatias para além daquilo que se configura ainda como uma parcialidade: as “comunidades” em seu sentido mais tradicional. Para nos constituirmos em sociedade, precisamos empreender a integração das simpatias de forma a constituir um todo maior. …

Um dos aspectos essenciais para a consolidação de comunidades pessoais ou redes sociais é, sem dúvida, o sentimento de confiança mútua que precisa existir em maior ou menor escala entre as pessoas. A construção dessa confiança está diretamente relacionada com a capacidade que cada um teria de entrar em relação com os outros, de perceber o outro e incluí-lo em seu universo de referência. Esse tipo de inclusão ou integração diz respeito à atitude tão simples e por vezes tão esquecida que é justamente a de reconhecer, no outro, suas habilidades, competências, conhecimentos, hábitos… Quanto mais um indivíduo interage com outros, mais ele está apto a reconhecer comportamentos, intenções e valores que compõem seu meio. … reconhecer é também, e ao mesmo tempo, dar valor a alguém, aceitá-lo em seu meio, integrá-lo como colega ou parceiro.

Esta dinâmica do reconhecimento é com certeza uma das bases para a construção da confiança não apenas individual, mas coletiva. Redes sociais só podem ser construídas com base na confiança mútua disseminada entre os indivíduos. Isso pode se verificar em maior ou menor grau, mas de qualquer forma a confiança deve estar presente da forma a mais ampla possível. …

É cada indivíduo que está apto a construir sua própria rede de relações, sem que essa rede possa ser definida precisamente como “comunidade”. Mais profundamente, é no bojo da revolução tecnológica atual que se percebe a força de um conceito como aquele de Hume, o de simpatia parcial. A possibilidade de integração de simpatias dentro da cibercultura é da ordem do jamais visto em nossa história. Os homens conseguem encontrar zonas de proximidade lá onde isso pareceria impossível: pessoas compartilham idéias, conhecimentos e informações sobre seus problemas, dificuldades e carências. …”

[Costa, Rogério da. Por Um Novo Conceito de Comunidade in Interface - Comunic, Saúde, Educ, v.9, n.17, p.235-48, mar/ago 2005 | acesso em maio de 2009]

Bing is an acronym for “But It’s Not Google”

In academic bursary on July 14, 2009 at 1:56 am

about 02 hours Hanging Out, Messing Around, Geeking Out at web [Twitter & Google]

perfis e utilizações da rede: “uso ensaístico” vs “comprometido” [de exposição, ficar à toa ou geeking out @Afetos, Links e a Disseminação do Conhecimento nas Redes Sociais -- #googledocs -- see also: Hanging Out, Messing Around, Geeking Out: Living and Learning with New Media]

That’s quite a statement, of course — almost heresy. But check it out yourself. It’s easy to compare the two, thanks to sites like bing-vs-google.com. Here, you’re shown search results from both Bing and Google, side by side, on a split screen. @nytimes #freud

http://bing-vs-google.com/

http://bing-vs-google.com/


Manifesto Antropofágico [rev#3]

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 13, 2009 at 11:34 pm

Cheguei onde eu queria: rever o conceito de Antropofagia e Antropoemia [rev#2 >> 02.07.2007] … 3a revisão [tentativa de compreensão -- apreensão -- da Modernidade e Pós-Modernidade, na busca - anseio - de se propor uma nova ética e novas morais a uma geração já nascida na web 2.0]

proposição um: ano de 1928 [como se dava esta "troca em rede": com quem os artistas, intelectuais, empresários -- agentes culturais -- dialogavam ao redor do mundo? e como?]

o Direito = a Garantia do Exercício da Possibilidade. @Galli Mathias

Só a Antropofagia[1 #Bauman] nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo.

Expressão mascarada

de todos os individualismos,

de todos os coletivismos.

De todas as religiões.

De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses.

[E contra a mãe dos Gracos #2].

“Só me interessa o que não é meu”: Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama.

[Freud #3 acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.]

O que atropelava a verdade era a roupa,o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior.[4 #Sennet]

A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará [#5].

Filhos do sol, mãe dos viventes.[6]

Encontrados e amados ferozmente,

com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande. [7]

Foi porque nunca tivemos gramáticas,

nem coleções de velhos vegetais.

E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental.

Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante [8], uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. [9]

……………………………………..A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl [10] estudar.

Queremos a Revolução Caraiba [11]. Maior que a Revolução Francesa.

A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação.

O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. [12] Montaig-ne. [12a]

O homem natural: Rousseau [13]

Da Revolução Francesa ao Romantismo,

……………………………………………à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling [14]. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo [15].

Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica [16] entre nós.

Contra o Padre Vieira [17].

[Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão.]

O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia.

[Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.]

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. [18]

O antropomorfismo. [19]

Necessidade da vacina antropofágica [20]: Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular. [21]

Tínhamos a justiça codificação da vingança. [22]

A ciência codificação da Magia. [23]

Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

——————————–

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários.[24]

E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. [25] Só a maquinaria [26]. E os transfusores de sangue [27]

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.”

(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

Copy&Paste [último acesso: 13julho2009]


obs. Macunaíma é de 1928. Em 1927, o mestre Mário [então com 33 p/34 anos de idade] faz a sua “viagem etnográfica” pelo Brasil [maio-agosto].

TAG “antropofagia o que é” [auto-post da Google a partir de Antropofagia, 186.000 resultados]

in Só me interessa o que não é meu: a antropofagia de Oswald de Andrade”, @Maria Cândida Ferreira de Almeida ICBV [s/ data. .doc acessado em 13julho2009]:

  • A antropofagia, enquanto conceito, apresenta uma face produtiva, diversa da pura destruição com que costuma aparecer no discurso “civilizado”  sobre a “barbárie”, que utiliza o ato canibal como signo da violência máxima. Sob a perspectiva oswaldiana e selvagem, a antropofagia preconiza uma espécie de transubstanciação na qual  aquele que é o devorador se altera no devorado. A“morte”  e “devoração” do outro recria o próprio; dentro desta perspectiva, o discurso ressentido das relações coloniais torna-se discurso produtivo de identidades.
  • A revista tinha penetração na Agência Brasileira que possuía uma extensa rede de jornais por todo o país e divulgava os “atos antropofágicos” para os círculos letrados das outras regiões. “A Antropofagia, nessa fase, não pretendia ensinar nada. Dava apenas lições de desrespeito aos canastrões das letras. Fazia inventário da massa falida de uma poesia bobalhona e sem significado”(Bopp, 1966: 37) … Na maioria absoluta das vezes o canibal será o outro, distante geográfica e culturalmente; até para aqueles que praticam a androfagia, pois eles vêem o seu próprio canibalismo como socializado, ao contrário do canibalismo do outro, ou seja, dos deuses e dos inimigos, que praticariam um canibalismo “selvagem”. Assim, o antropófago será, principalmente, o bárbaro, aquele que está distante da civilização que detém o discurso enunciador. @op.cit.
  • Oswald de Andrade reverte essa ordem, ao se apresentar como antropófago, propondo a antropofagia como gesto relacional próprio da cultura brasileira, na qual, muitas vezes, as diversidades se apresentam como inconciliáveis e o outro, como uma distinção, uma alteridade, é interno, formado por parte da população ameríndia, afrodescendente, oriental, asiática e mesmo europeus de imigrações mais recentes do século XX.
  • Na obra de Oswald, particularmente ao cunhar o conceito de antropofagia, está evidente a influência da leitura de Sigmund Freud. Um ponto levantado pelo psicanalista, em seu texto Totem e Tabu, “a apropriação das qualidades do objeto”, é apontado por muitos críticos como marca dessa influência. Em Freud, tal apropriação refere-se à devoração do pai, e esse foi o mote do modernista para proclamar seu “alto canibalismo”, um canibalismo produtivo, já que a morte do pai leva à distribuição das mulheres entre os filhos e, portanto, a sua reprodução, contra um “baixo canibalismo”, restrito ao âmbito da destruição.
  • o conceito de antropofagia foi delineado pelo escritor em oposição ao modelo “salvacionista civilizado” criando um lugar discursivo e de atuação para o americano. … um modo de atuar a partir de outros paradigmas, que não aqueles colocados pela tradição grego-romana próprios da cultura européia. … destacando, por fim, a relação das elites políticas e de pensamento com a língua popular e com a própria concepção de canibalismo.
  • Para Oswald, como sintetizou Augusto de Campos: “(a) operação metafísica que se liga ao rito antropofágico é a da transformação do tabu em totem, do valor oposto, em valor favorável. A vida é devoração pura. Nesse devorar que ameaça a cada minuto a existência humana, cabe ao homem totemizar o tabu” @Campos, Augusto de. 1978. Poesia antipoesia antropofagia. São Paulo: Cortez e Moraes.
  • Com a apologia da devoração da diferença, Oswald ultrapassa a concepção freudiana que limitava o canibalismo à devoração de objetos com qualidades desejáveis. … Na Revista de Antropofagia, a devoração do “inimigo” ou do contrário aparece em um texto intitulado “O homem que comi aos bocadinhos”, assinado por João do Presente (seria Oswald?). A cada frase do “homem”, do tipo, “Viver por outrem viver às claras”, que desagradava seu interlocutor suscitava como resposta uma mordida, até que ele termina todo devorado, tal como os peixes, pois morreu “pela boca” por causa de sua fala chavão: “O coitado é positivista, e talvez por isso estava com a carne mesmo no ponto de ser comida. E eu comi.”
  • “um modo antropofágico de subjetivação se reconheceria pela presença de um grau considerável de abertura, o que implica numa certa fluidez: encarnar o mais possível a antropofagia das forças, deixando-se desterritorializar, ao invés de se anestesiar de pavor; dispor do maior jogo de cintura possível para improvisar novos mundos toda vez que isso se faz necessário, ao invés de bater o pé no mesmo lugar por medo de ficar sem chão.” @Rolnik, Suely. 1996. “Guerra dos Gêneros & Guerra aos Gêneros”. En:  item 4 revista de arte nº4 novembro, Rio de Janeiro.
  • “…com a ‘Antropofagia’ de Oswald de Andrade, nos anos 20 (retomada depois, em termos de cosmovisão filosófico-existencial, nos anos 50, na tese A Crise da Filosofia Messiânica), tivemos um sentido agudo da necessidade de pensar o nacional em relacionamento dialético com o universal.(…) Ela não envolve uma submissão (uma catequese), mas uma transculturação: melhor ainda uma ‘transvaloração’: uma visão crítica da história como função negativa (no sentido de Nietzche), capaz tanto de uma de apropriação como de desapropriação, desierarquização, desconstrução” @Campos, Haroldo de. 1983. “Da razão antropofágica: diálogo e diferença na cultura brasileira”. Boletim bibliográfico – Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, v.44, jan./dez.
  • … Quando Tarsila e Oswald regressam de Paris, em 1926, liam diariamente o rodapé do “Diário da Noite” de São Paulo que publicava em capítulos, a adaptação de Lobato das aventuras de “Hans Staden entre os Selvagens do Brasil”, obra que colocava a antropofagia em cena; …
  • Em 1922, aconteceu um “escândalo” que tomamos como exemplar para entender a relação da sociedade institucional brasileira, formada por uma elite que se quer branca, e a cultura popular desenvolvida pela população negra. A polêmica tinha começado alguns anos antes, como descreveu o jornal Gazeta de Notícias, que também nos fornece um retrato da sociedade carioca do começo dos anos 20: … Em uma sociedade que se apresentava como européia em diversas facetas a presença da população negra visibilizada por sua expressão artística, instalava um incômodo, que segundo reivindicação de parte da sociedade da época, deveria ser combatido através das intituições, como os jornais e o aparelho de estado. “Os Oito Batutas” , formado por Pinxinguinha, China, Donga e Nelson Alves, entre outros embarcou, em janeiro de 1922, para Paris causando mal-estar entre brasileiros, alguns chegaram a “taxar a viagem como desmoralizadora”  e pediram “providências do Ministério das Relações Exteriores” (Silva, 1979:68)  uma vez que não podiam aceitar a cultura popular e negra representando o Brasil na Europa. Estes conflitos cotidianamente ocupavam as páginas dos periódicos, nos quais emergia indiretamente a discussão de qual o lugar que a população negra deveria ocupar na sociedade brasileira.
  • A antropofagia oswaldiana não seria uma atitude passiva do colonizado, mas uma atitude ao mesmo tempo de receptividade e de escolha crítica. “Só a antropofagia nos salva por assumir alegremente a escolha da transformação do velho, do alheio em próprio, em original. Por reconhecer que a originalidade nunca é mais do que uma questão de arranjo novo” (Perrone-Moisés, 1990:98-99).
  • … louvar a 24ª Bienal de São Paulo de 1998, cujo tema foi a antropofagia …
  • Não há um lugar estável dentro do discurso da modernidade para a expressão do outro; mesmo que nos últimos anos, vozes e mais vozes tenham se erguido contra o monopólio discursivo dos lugares tidos como centrais. Dentro desse cenário, ficamos outra vez com  Oswald de Andrade, para quem “(a) Antropofagia fazia lembrar que a vida é devoração opondo-se a todas as ilusões salvacionistas”.
  • [A Antropofagia é sempre] Tomada como vanguarda, permanece vanguarda, instiga o pensamento, a criação, o debate contemporâneos.

buscar tbm:

  1. Almeida, Maria Cândida 1999. Tornar-se outro: o topos canibal na literatura brasileira. (tese de doutoramento) Belo Horizonte: Fale/UFMG. ou aqui sebo
  2. e Guimarães Rosa [1908-1967]

links quick research:

obs2: ética da confiança na rede: confia-se que o enunciador do discurso apreendido — blog — publicou [digitalizou sua escrita] na data referente ao post [publicação relacionada à pesquisa]. A partir desta primeira ética — em rede –, valida-se a enunciação d’outrem: citação/ pertencente a @ #link

http://www.angelfire.com/mn/macunaima/

http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/modernismo/brasil/1_fase/mario_andrade.html

Google Wave #02

In academic bursary on July 12, 2009 at 11:58 pm

I WANNA BE A GOOGLE-GIRL*!!!!

Google Wave is a new tool for communication and collaboration on the web

*”I wanna be a Google-Girl >> about to be released soon [the next posts]…

;)

Google Wave #01

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces, therefore i am, thinking: i purchase on July 12, 2009 at 11:49 am

de cerca de 40 endereços de emails linkados à mensagem [fwd blw],

quase 90% eram da google-gmail [os demais eram hotmail-microsoft ou yahoo-yahoo!]

———- Forwarded message ———-
Date: 2009/5/14
Subject: Re: Combinados
dormir? veia de google :: google na veia
…………………………

Back to The Jungle

In academic bursary on July 12, 2009 at 10:09 am

A diferença de se utilizar este WordPress e um outro como o Blogger [da Google :: blogspot]

A diferença de se utilizar um serviço de interface gratuita e um pago. Por que [não] comprar? Na interface cada dia mais a questão é “livre” [advindo de liberdade em português, mas um jogo de palavras, conceitos e sentidos em seu original "servidor": FREE], mas na estrutura — por adentro do “aparelho” #Flusser — há um enorme fluxo financeiro [e sócio-político] em jogo.

A diferença de usabilidades: desde ‘facilidades’ de utilizações [ferramentas e design] até as de linkagem [rede], comments [login] etc

Na interface há arte [cultura e civilização | zeitgeist]:

  • Beleza: “Essa coisa inútil que esperamos ser valorizada” [belo=bom],
  • Limpeza: “a sujeira de qualquer espécie parece-nos incompatível”,
  • Ordem: “é uma espécie de compulsão à repetição que, quando um regulamento foi definitivamente estabelecido, decide onde e como uma coisa deve ser feita, de modo que em toda circunstância semelhante não haja hesitação ou indecisão”

Na estrutura — source — há organização de dados [programação #Flusser]:

  • arquivamento
  • controle
  • tracking
  • tagging
  • sharing
  • following
  • REDE [links]

Como deve ser desenvolvida esta pesquisa [minha reflexão sobre o assunto, meu aprofundamento em qual questão, testes ou ficção?], qual o meu papel neste jogo de inovações, apropriações, compartilhamentos, metodologias, desenvolvimento do ser humano? … Afinal, “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar” - A Ordem do Discurso, p.10 … Do que EU quero me apoderar? [quero me apoderar de algo!?...] , Do que NÓS queremos nos apoderar?!…. , Do que queremos nos apoderar [hoje]?…

PODER, PODER, PODER….. E onde entra o DESEJO!?…. #Foucault Afinal,

…o que está em jogo,

senão o desejo e o poder?


… discurso que põe em jogo o poder e o desejo.
*

porque Foucault também admite [palavra difícil esta de escrever, não?!!...]…………

*há uma semana estou refichando este pequeno livrinho da aula-Citelli. Há época, havia um filtro**. Há uma semana, enquanto digitalizava os grifamentos e anotações daquele setembro, resolvi me envolver/ aprofundar na questão do DESEJO.

Qual a relação do desejo com fetiche [feitiço] e enchante [encantamento] nos afetos e potências de Spinoza? … Se “outrar-se” compreende estas infinitas penetrações das diferentes multiplicidades a partir do jogo dos afetos e suas diferentes potencialidades nos feitiços dos encontros… O que seria [é] o DESEJO? …

estudos de psicanálise [básica]:

Nós, início do século XXI, continuamos marcados por Descartes. A filosofia cartesiana determina ainda, em grande parte, a forma lógica do nosso pensamento. Descartes pensava o mundo a partir de uma oposição entre o corpo e a alma, ou, dizendo de outra forma, entre o caos (corpo) e a razão (alma). Sob essa ótica, a primeira coisa que nos vem à mente ao estudarmos os afetos, seria concebê-los no registro do corpo, como aquilo que se oporia ao campo da representação, entendendo esta última como se identificando com a razão (ou alma). Ou seja, os afetos seriam o que nós temos de louco, irracional, incontrolável, sendo o objetivo da sociedade, ou da civilização, colocá-los sob a égide da razão, do bom senso. É essa inclusive a visão que, de uma forma caricatural, a cultura às vezes concebe a psicanálise. A nossa civilização, pelo menos grande parte dela, entende a psicanálise como sendo aquilo que teria desvendado as profundezas insanas da nossa razão, possibilitando com que essa insanidade pudesse vir a ser apreendida pela razão. Isto é, a psicanálise funcionaria segundo esse registro dual cartesiano, e o objetivo dela seria a supremacia da razão sobre a loucura e o caos interior. [op. cit.]

“Os seres humanos são obrigados a respeitar e apreciar a harmonia, a limpeza e a ordem. Sua liberdade de agir sobre seus próprios impulsos deve ser preparada. A coerção é dolorosa: …” #Bauman

What are you doing [here]?

In therefore i am, thinking: i purchase on July 10, 2009 at 6:23 am

Picture 2

Are We Twittered Out Yet?

O Ovo da Serpente 2.0: ANTROPOFOBIA?

In academic bursary, the 'old' ones :: master pieces on July 10, 2009 at 5:06 am

“Look at the screen and you’ll see some interesting pictures. They were taken during our experiment on here at St. Anna Clinic. This is the resistence experiment:

… Our technic is not be quite perfected. You would like to see more, wouldn’t you? … This is one of our most recently interesting experiments:

… I’m not a monster, Abel.

What you have seen are the first fortunes steps of a necessarily and logical development.

… The law will confiscate our results and then they will filed them.

In a few years science will ask for the documents and they will continue our experiments on a gigantic scale.

We are a head of an army [vanguard], baby. … It’s on the logical.

… Look at that picture! [07'07'' @ video fwd below]

Look at all of those people…

They are incapable of a revolution.

They are fare [or fatigued] to be humiliated, to afraid, to downtrodden.

But… in ten years… but then, the ten years old will be twenty; the 15 years old will be 25.

To the hatred which they’d inherited from their parents, they will ad their own idealism and impatience.

Someone will step forward and put the unspoken feelings into words.

Someone will promise a future.

Someone will make their demands.

Someone will talk of greatness and sacrifice.

The young and the unexperienced will regard their courage and their faith to the tired and the uncertain ones.

And then there will be a revolution

… In ten years, no more…

Those people will create a new society,

an unequally in our World History.

… Despite of the fact that anyone who makes the lowest effort can see what is waiting in the future.

It’s like the serpent’s egg: through the thin membrane you can clearly discern…”

[free transcription from the movie. tags: screenplay script Serpent's Egg Bergman]

related to:

redes | pactos:

Uma anestesia que tende a se confundir com o próprio espaço de convivência pública a reboque do crescimento das redes sociais, como o MySpace e Facebook. Nessas redes, prevalece um regime de alianças entre amigos tão sólido, que suprime a possibilidade de conflito. Espaços de relacionamento protegidos, espécie de jardins murados de redes dentro das redes, levam-nos a perguntar: “Mas quem são seus inimigos? O que significam os amigos para a constituição do colaborativo? O que acontece à lógica criativa da tensão, que lhe é constitutiva, quando tudo o que se tem é uma afirmação sem fim?” (Rossiter, 2007).

TAGs:

… recursos de personalização do conteúdo que a web 2.0 oferece por meio do bem sucedido sistema de tags.

É bom lembrar aqui que esse “2.0” não remete à emergência de um novo protocolo de internet, mas a novos padrões de organização dos dados e de arquitetura de linkagem, que modifica a internet por viabilizar outros usos. Ao invés de ser apenas um gigantesco arquivo de páginas, ou seja de conteúdo disponível para consumo, ela passa a funcionar como plataforma para desenvolvimento de aplicativos e conteúdos.

… é inegável que a arquitetura de linkagem da web 2.0 pode indicar que a internet, enfim, sofrerá a passagem da cultura da página à cultura dos dados, ou de um ambiente baseado na taxonomia para um baseado em “companheironomias”.

Tudo gira em torno de tags cadastradas … que são apresentadas em ordem alfabética ou hierárquica. Palavras escritas com letras menores indicam pouco acesso, as maiores são as mais populares. São as “nuvens de informação” (“clouds”), outro termo que é uma das marcas registradas da web 2.0.

Prevalece aqui o conceito de inteligência distribuída que revigora o poder das “nanoaudiências”, mas também do funil de informações que associa maior quantidade com melhor qualidade (identidade não necessariamente verdadeira…).

academic researches:

“As formas de comunicação mediadas por computador estão se desenvolvendo em direção à personalização, com mais controle das pessoas sobre as fontes das quais querem receber mensagens, quando e sobre o quê. Essa forma de comunicação e as interações que dela decorrem são mais adequadas às preferências e necessidades pessoais, promovendo um modo mais individualizado de interagir e uma forma de mobilização como redes fluidas de engajamento parcial. Isso pode facilmente fragmentar organizações políticas, mas pode também facilitar a construção de coalizões entre organizações políticas” (Wellman, Quan-Haase, Boase & Chen, 2003)

Giselle Beiguelman [publicado online em 22 de maio de 2008 | último acesso em 10 de julho de 2009]

momento descanso de meu “put it in writing!”

In academic bursary, life2009, the 'old' ones :: master pieces on July 10, 2009 at 3:04 am


diretamente da rede now:

  • “A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.” - “Maladie Mentale et Psychologie”
  • A alma, prisão do corpo.” - Vigiar e Punir
  • “Quanto àqueles para quem esforçar-se, começar e recomeçar, experimentar, enganar-se, retomar tudo de cima a baixo e ainda encontrar meio de hesitar a cada passo, àqueles para quem, em suma, trabalhar mantendo-se em reserva e inquietação equivale à demissão, pois bem, é evidente que não somos do mesmo planeta.” - História da Sexualidade 2
  • A ordem é ao mesmo tempo aquilo que se oferece nas coisas como sua lei interior, a rede secreta segundo a qual elas se olham de algum modo umas às outras e aquilo que só existe através do crivo de um olhar, de uma atenção, de uma linguagem…” - As Palavras e as Coisas. p. 9-12.
  • “Chamamos de loucura essa doença dos órgãos do cérebro…” - início do Cap. 7 de A história da loucura na Idade Clássica.
  • “Uma tarde eu estava ali, olhando muito, falando pouco, ouvindo o menos possível, quando fui abordado por uma das mais bizarras personagens desse país, que Deus não deixou que faltasse. É um misto de altura, baixeza, bom senso e desatino”. No momento em que a dúvida atingia seus perigos maiores, Descartes tinha consciência de que não podia estar louco – sem que isso impedisse que reconhecesse, durante muito tempo ainda e até o mau gênio, que todos os poderes do desatino espreitavam à volta do seu pensamento.(…)”- Michel Foucault, início da Introdução da Parte III de História da loucura na Idade Clássica.
  • “Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação.”Edipe ne s’est pas crevé les yeux par culpabilité, mais par excès d’information
    - citado em reportagem intitulada “Lula était le “sauveur du peuple”, il ne l’est plus : le blues des intellectuels et des artistes face aux scandales”, Data: 30/07/2005 @Le Monde
  • “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível” - La fiction consiste donc non pas à faire voir l’invisible, mais à faire voir combien est invisible l’invisibilité du visible
    - citado em “Qu’est-ce qu’un espace littéraire?”‎ – Página 31, de Xavier Garnier, Pierre Zoberman, Pascale Hellégouarc’h, Maarten Van Delden [2006]
  • “Pois toda felicidade não é mais, talvez, que felicidade de expressão” - citado em “A refração da sombra”‎ – Página vii, de Paulo Cesar Lopes [2004]
  • “As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas” - na obra “Vigiar e Punir”, página 183, de Michel Foucault; citado em “Modernidade e Dominação” – página 105, de Sílvio Cesar Camargo

A Ordem do Discurso

A ordem do discurso aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970
  • “A disciplina é um princípio de controle da produção do discurso. Ela lhe fixa os limites pelo jogo de uma identidade que tem a forma de uma reatualização permanente das regras” - A Ordem do Discurso, p.36
  • “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar” - A Ordem do Discurso, p.10
  • “Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo” - A Ordem do Discurso, p.44
  • “O novo não está no que é dito, mas no acontecimento de sua volta” - A Ordem do Discurso, p.26

Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação.

In academic bursary on July 10, 2009 at 2:50 am

Devo escrever sobre redes de relacionamentos sociais. O papel destas redes no desenvolvimento do ser humano. E o papel do ser humano no crescimento destas redes. Não há mais causa e efeito: há uma constante derivação de tudo ao mesmo tempo.

Devo admitir que há pouco mais de um ano tive que escrever sobre estas mesmas redes socais na web [era consultoria para uma instituição de “arte e tecnologia”] … meu trabalho era pesquisar ferramentas gratuitas de relacionamentos sociais e fornecer-lhes questões de usabilidade e possibilidade das mesmas [trends]. Há época o twitter era uma “novidade”: a invasão dos microblogs iniciava-se.

Se pensarmos nas redes de maior fama [com maior número de usuários em evolução de um crescente exponencial], como Facebook, Orkut e Twitter, podemos – talvez – visualizarmos como se dão também estes pactos [e acordos] entre empresas e governos – formais e informais – enfim, a economia [de valores] nesta rede formada de matilhas, como um todo.

Mas este texto visa compreender – ou ao menos aludir a– ‘tão somente’ a fina membrana. A fina membrana é aquela interface onde outramo-nos. Nossas relações com os outros independentemente de qualquer preocupação com a estrutura serpenteal da ‘caixa pr-@-ta’[1]. Dito isto, posso iniciar então minha alienação completa, na tentativa de compreender as gerações já nascidas no que a minha geração [e as mais velhas] comumente chamamos de web 2.0

[início da 4a versão de Outrar-se: a Rede Digital como o Feitiço dos Encontros ou o fetiche pela web 2.0/ plataformas de relacionamento social online & chats-locus | último acesso: 08 de julho de 2009, 17h46]

1. Não pretendo aqui falar novamente de Flusser e de como este vê o jogo: hierarquia da caixa preta. Esta questão será retomada em meus velhos textos para, então, em novos contextos. …pois a pele é o que muda, porquanto a estrutura amadurece: “Look at the screen and you’ll see some interesting pictures. They were taken during our experiment on here at St. Anna Clinic. This is the resistence experiment: …”

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papo em rede de hj:

“O encontro.

Pra mim este é o grande e delicioso feitiço,

até que a especulação sobre os objetos

, que compõem este encontro,

se tornem maiores do que o encontro em  si.”

[andressa]

e dona raquel, uma estudiosa de linguistica, disse – told me – ha cerca de três semanas:

as palavras “objeto” e “desejo” sao uma mesma e só na língua Hebraica…

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Outrar-se again

In life2009 on July 10, 2009 at 12:46 am

pré-feriado fui apresentada a este poema:

[que hoje, revisitado, me recorda o 'fio-condutor' do filme-animação Valsa com Bashir (2008) | Vals Im Bashir aka "Waltz with Bashir" aka "Walzer mit Bashir"]

Só vivo a gente sente a tensão da pele.

Só vivo sentindo,
O tesão da pele.

A tensão de
uma vontade.

A tensão de
uma imaginação enfeitada só porque só assim
a ilusão cede.

E vem a imaginação todinha…
Desapegada,
Abusada,
e Incontrolada.

A imaginação brinca com cada pedaço de história guardado,

os pedaços esquecidos
ou
sublinhados na memória.

Tem um gosto meio disfarçado,
cores,
adornos,
cenários,
luz artificial.

A imaginação é esteticamente muito cruel.

Atordôa a realidade
e
hiperboliza a memória,

confundindo arrepio com satisfação.

Porque viver é fácil, perto das memórias.

link para a jovem poeta

TAGs: angústia afetos [#01]

In academic bursary on July 8, 2009 at 6:53 am

O AFETO NA PSICANÁLISE E AS DIFICULDADES DE SUA OPERACIONALIZAÇÃO – Oswaldo França Neto [.pdf online | último acesso: 06 de julho de 2009]

Palavras-chave: afeto, psicanálise, subjetivação, sujeito coletivo. | TAGs: angústia afetos

Situação de perigo é toda aquela que evoca a possibilidade da dissolução, miticamente situada em um momento de desamparo fundamental. … por esta razão que Freud usa o termo ’sinal’ para definir a função da angústia:

A conclusão a que chegamos, portanto, é esta. A ansiedade é uma reação a uma situação de perigo. (…). Pode-se dizer que se criam sintomas de modo a evitar a geração de ansiedade. Mas isto não atinge uma profundidade suficiente. Seria mais verdadeiro dizer que se criam sintomas a fim de evitar uma situação de perigo cuja presençaa foi assinalada pela geração de ansiedade.

(Freud, 1926, p. 152)

OOOOOPSSSSSSSSSS

In academic bursary, therefore i am, thinking: i purchase on July 8, 2009 at 3:50 am

the lunch is not free anymore here at wordpress…

embeded [youtubed] your video is cheaper than uploaded [hosted] it, have you been figure out it?!
maybe because youtube – and another ones – is still “free”…

do you believe in “free lunch”?!!?

frame do video que nao foi possivel postar por aki pós-06demaiode2009, pois há uma cobrança de aprox. 60 dólares [US$60,]

montagem_post20090708

Videos are a great way to enhance your blog posts. We use videos all the time on the WordPress.com blog and in our Support documentation. So can you.

The VideoPress upgrade allows you to host and play videos right from your blog.

VideoPress is per blog and is available for purchase from the Upgrades panel of your dashboard.

Note that videos are available only to those who have purchased a VideoPress (the new policy is active since May 6, 2009. All video blogs with active space upgrade before or on May 6, 2009 get 1-year free VideoPress subscription automatically).

A VIDEO by WEBCAM NETWORKED

In academic bursary on July 8, 2009 at 3:08 am

O Boaro publicou este video no Orkut dele…
EXCELENTE!!!! :D AMAZING!!!!

This music video was shot for Sour’s ‘Hibi no Neiro’ (Tone of everyday) from their first mini album ‘Water Flavor EP’. The cast were selected from the actual Sour fan base, from many countries around the world. Each person and scene was filmed purely via webcam. 2009. Director: Masashi Kawamura + Hal Kirkland + Magico Nakamura + Masayoshi Nakamura

E abaixo posto o vídeo [inacabado] da[kela] capacitação de março…

[imagens gravadas pelos meninos* com o celular]

OOOOOPSSSSSSSSSS

[take a look at next post...]

*do A.E. + Dani&Mil

;)

A ZOMBIE WORLD

In A Little About My Research Project, therefore i am, thinking: i purchase on July 6, 2009 at 8:26 pm

This last weekend I watched a great movie!… The meaning of “a great movie” involves your zeitgeist [vulgo it depends on my mood, a collective mood...] because it affects you in a circle inside you’re able to be affect and to affect others…

When I use to be part of Orkut [2004-2008] – the most famous platform to social networking -, my oneself-picture there, from 2004 to 2005, was a ’scanned image’ of my head/face and tattooed on my bald was written “+1″ [plus one :: just one more] … In the beginning of 2006 I put a new image of myself: the cyborg* zombie** character [white eyes & no face ... no bloody, because bloody dosen't make sense in a videogame - mediated - world]……

This little introduction [a kind of zeitgeist abstract of myself in the last years] is just to say: this is one of the best new generation movies that i’ve ever seen in my whole life!… [maybe after Fight Club, Layer Cake, City of God & another ones... LOL]

Well, Shaun of The Dead is a comedy about zombies, but pretty serious!!! it’s a kind of Ensaio sobre a Cegueira | Blindness [de Fernando Meirelles, based on josé saramago's book, 1995]…  It’s interesting to watch these movies in our epidemic sickness world [pig flu etc] nowadays! … we are the zombie world!!!!

YOU MUST FINISH IT: REMOVING THE HEAD OR DESTROYING THE BRAIN [or..., just take the battery off!...]


be continue…

[& in the next one : The Prestige and Batman'08 ... about to be released soon here too!!!]

*a cybernetic organism (i.e., an organism that has both artificial and natural systems). The term was coined in 1960 when Manfred Clynes and Nathan Kline used it in an article about the advantages of self-regulating human-machine systems in outer space [relating to the body or its appearance rather than the mind or spirit]. D. S. Halacy’s Cyborg: Evolution of the Superman in 1965 featured an introduction by, who wrote of a “new frontier” that was “not merely space, but more profoundly the relationship between ‘inner space’ to ‘outer space’ – a bridge… between mind and matter.

**”…the people being controlled as laborers by a powerful sorcerer. Zombies became a popular device in modern horror fiction, largely because of the success of George A. Romero’s 1968 film Night of the Living Dead. [I want just to remember about the year of 1968: K. Dick and his famous book Do Androids Dream of Electric Sheep? “etc” …

Thanful to Mariana K. that had watched these movies with me & all discussions!!

:)

Nativos Digitales: la cultura de la socialización y el mashup

In A Little About My Master Degree, academic bursary on July 6, 2009 at 5:04 pm

descubrir, remixar y compartir

“Hay una defensa corporativa terrible de la cultura del libro y de la lectura profunda, porque lo que está en cuestión no es solamente el bolsillo o las fuentes de trabajo (de la industria editorial), sino un mecanismo simbólico de distinción, como decía Bourdieu. El continuum de “letrado-renacentista-iluminado-vanguardista-experto” es relativizado por la cultura de la socialización y el mashup. No es casual que quienes detestan la distinción, o bien son letrados o son gente que tiene más de 50 años.” @ Nativos digitales: “Hay que ser anfibios, híbridos y polialfabetizados”

mais em: Nativos Digitales -El Libro / El Weblog :: Dieta cognitiva, inteligencia colectiva y arquitecturas de la participación

‘mailled’ by Patricia Martin: descubrir, remixar y compartir.

e post interessante [copy&paste @ fr]:

17 juin 2009
& Twitter et la censure, iPhone et le web, search Facebook

& Twitter, cauchemar des censeurs – Les évènements en Iran démontrent que Twitter est particulièrement difficile à censurer, notamment parce qu’on peut tweeter à partir de différents appareils et applications, note Jonathan Zittrain cité par le New York Times

& iPhone plutôt qu’ordinateur – 40% des utilisateurs d’iPhones accèdent plus souvent au web depuis leur téléphone que depuis leur ordinateur. Ce genre d’affirmation donnant souvent lieu à d’interminables discussions, je précise que les chiffres proviennent d’une étude comScore… réalisée pour la plateforme de pub AdMob… Même s’ils poussent un peu, la tendance est inéluctable et vaut pour l’ensemble des smartphones . Elle est déjà réalité dans beaucoup de pays en voie de développement.

& Facebook lance un moteur de recherche – Il s’agit bien sûr d’une mesure de précaution pour ne pas courir le risque de se faire déborder par Twitter (qui est beaucoup plus petit mais dont le search.twitter.com fait un malheur). Et, ne nous affolons pas, il ne s’agit que d’un test réalisé auprès d’un petit groupe d’utilisateurs. Il permet de chercher dans ses propres flux mais aussi dans les mises à jour publiques des autres.

PUBLIC FEELLINGS :: PUBLIC AFFECTS [early JULY]

In Uncategorized on July 6, 2009 at 4:49 pm

“1. Os encontros – O porque da rede de facilitadores? 2 .A seleção – quais os critérios para a seleção dos facilitadores/ quem são os facilitadores; 3. Os tipos de encontro – os encontros anterior a capacitação do dia 06 e 07 de junho A . Com a Maria Amélia B. Formação Módulo 1 C. Alinhamento na Uniban/Abertura e Jogo 4. A capacitação 06 e 07 de junho (breve resumo com a foto de todos os facilitadores) 5 A avaliação online e presencial. 6. Rumo ao interior” [cibele, 01julho2009]

“de tanto se preocupar com o limite da beira, tendemos, por outro lado, cair..” [andressa, 01julho2009]

o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar. [marcio, 02julho2009 @ foucault]

interesse próprio, processo sem sujeito, racionalidade interna, máquina autônoma:  caratcterísticas do fordismo de bem-estar social ou sonho americano [miguel, 03julho2009]

the youth is starting to change
[mabel. bplopes, 03julho2009]

‘meus’:

01/jul
“é filha/ vc sabe onde ta o perigo/ só vai na beira quem quer” by marina.thom.é

“Eu sou um outro. Tanto pior para a madeira que se descobre violino e zomba dos inconscientes que discreteiam sobre aquilo que pura e simplesmente ignoram.”, Rimbaud

03/julho:
Unheimlich “a angústia surge no exato momento em que o homem percebe a sua condenação irrevogável à liberdade”

“viver somente de amor/ eh tao lindo qto precário”, itamar

a transformação do ser não se dá em ser amado, mas no ato de constantemente ser capaz de amar

06/julho:
“o fato de que ‘valores’ sejam consumidos e atraiam afetos sobre si, sem que suas qualidades específicas sejam sequer compreendidas ou apreendidas pelo consumidor, constitui uma evidência da sua condição de mercadoria”

“A força da sedução do encanto e do prazer sobrevive somente onde as forças de renúncia são maiores…”

PUBLIC FEELLINGS :: PUBLIC AFFECTS [JUNHO]

In academic bursary, friends&artists, life2009 on July 6, 2009 at 4:40 pm

“O mito de pandora – Notando que, entre todas as criaturas vivas, não havia  uma só capaz de descobrir, utilizar adequadamente as forças da natureza, comandar os demais seres e estabelecer a ordem e a harmonia, comunicar-se pelo pensamento com os deuses e enteder a essência e o rpíncipio das coisas, o semi deus Prometeu criou o homem. Admirada com a beleza da obra de Prometeu, MInerva, a deusa da sabedoria, ofereceu ajuda para a perfeiçoa-la…http://mariabit.blogspot.com/ “- lu tognon [22dejunhode2009]

“não se esqueça que os provérbios também são uma derivação da lei da preguiça, um viver morrendo” – miguel [23dejunho2009], a partir do ultimo txt que enviei aa ele!:)

“os outros são indispensáveis. E assim, apesar de que o processo de relacionar-se com os outros possa envolver dificuldades, brigas e impropérios, temos de procurar manter uma atitude de amizade e carinho, a fim de levar um estilo de vida no qual haja INTERAÇÃO suficiente com outras pessoas para que se tenha uma vida feliz” – Dalai Lama [26dejunho2009, Cibele Sofia]

“liberdade: é fazer o que se quer e querer o que se fez!” [29dejunhode2009, mariana schizo]

“Mas carinho é como água, sambador. Só corre pra onde tem.” [29dejunhode2009,  andressa]


‘meus’:

22/junho:
“Como se o esboço fosse a moradia das almas … Desta forma ela reinventa o mundo e este acaba também por reinventá-Ia.”, Cão Guimarães. Londres, 1997

o feiticeiro eh sempre cego assim como o lobo caminha no escuro?

23/junho:
If we are going to take a theory of labor to heart, we also have to remember that bodies and attention and affect are molded by what people do, day in and day out.

pra acreditar mais na vida e nos rumos que ela traz, sem q a gente precise pensar tanto … sentir mais

26/junho:
“Os sentimentos de estima, respeito e confiança são exemplos práticos que apontam para os meios de integração de nossa simpatia com as simpatias de outros. Conquistar a estima, o respeito e a confiança de um estranho significa trabalhar na construção de um laço afetivo mais amplo que aquele de nossas parcialidades.”

29/junho:
“Deve-se entender as palavras em seus conceitos originais, e não apenas banalizá-las em seus usos. As palavras – assim como o imaginário – são produtoras de realidades…”

O papel de todo ser moderador [facilitador social] “é acalmar os perturbados e perturbar os que se encontram muito calmos”, rav Ruben

30/junho:
“Vou mudando de personalidade, vou enriquecendo-me na capacidade de crear personalidades novas, novos typos de fingir que comprehendo o mundo, ou, antes, de fingir que se póde comprehendel-lo.”, Fernando Pessoa

PUBLIC FEELLINGS :: PUBLIC AFFECTS [MAIO]

In academic bursary, friends&artists, life2009 on July 6, 2009 at 4:31 pm

Tenho colecionado os status de meus contatos no gtalk nestes últimos dois meses…

segue uma primeira publicação aqui:


Compaixão para com todos – isto seria dureza e tirania para com você, caro próximo! – Nietzsche. [Andreh Dib - Maio]

não basta que o pensamento procure sua realização. é preciso que a realidade procure o pensamento! [Marcio Jr. - Maio]

“pra achar o fluxo, é só ficar distraída..” [natalia nogush - maio]


“Fundada em uma troca permanente de humilhações e de atitudes agressivas, a economia da vida cotidiana dissimula uma técnica de desgaste, ela própria alvo do dom de destruição que ela contraditoriamente evoca. Hoje em dia, quanto mais o homem é objeto, mais ele é um ser social.”
[andressa - maio]


“esforcei-me por seguir o percurso velocíssimo dos circuitos mentais que captam e reúnem pontos longínquos do espaço e do tempo” [fabio tremonte - maio]

“precisa-se de uma analista de sistemas pra reconfigurações e um upgrade!” [stelajornalista - maio]

“The way to love anything is to realise that it may be lost.” [mari @ msn - maio]


“É manifesto que os pobres têm mais do que os ricos. As pessoas desperdiçam a parte boa e retêm só a má. É invisível e visível, e as crianças brincam com ela na rua. Mas os ignorantes pisam nela cotidianamente.”
[andressa - maio]

‘minhas’:
“Em centímetros, quilos e salários, nós nos avaliamos – avaliamos o poder que exercemos sobre outros homens e mulheres e o poder que eles exercem sobre nós.”

“tuvieron que asesinarlo muchas veces/
porque el hombre de la paz era una fortaleza,” , Mario Benedetti :: 1920-2009

“matar y matar más para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad” , Mario Benedetti :: 1920-2009

“creo que tenes razon: la culpa es de uno cuando no enamora/ y no de los pretextos ni del tiempo” , Mario Benedetti :: 1920-2009

“If I am the storm if I am the wonder / Will I have flashlights, nightmares and sudden explosions “

“…para aguentar com um destino desses, é preciso ter um desejo de se ‘vingar’ da vida, e uma ensolarada saúde mental…”

tanto afeto tanto afeto … como viver no varejo depois da delicia do atacado?

amor acaba sempre sendo no atacado, nao vareja………………. talvez seja esta a dor de amar! eu adorei o atacado!…. varias peças da mesma peça!…… mesmo cheiro, pele, sabor td!…………… variar eh bom, mas descobri tbm q atacado tem lah suas delicias……… de amor……. o resto eh um vago amar…. paixoes…….

“Todo dia é dia de aprender um pouco/ Do muito que a vida traz/ Porque muito pra mim é tão pouco/ E pouco é um pouco demais”

‘Não me importo muito para onde estou indo’, disse a menina. ‘Então não importa que caminho vc deve tomar’, disse o sorriso do gato de Alice.

“Porque te amo, Dionísio,/ é que me faço assim tão simultânea/ Madura, adolescente/ E porisso talvez/ Te aborreças de mim”, Hilda Hilst

“Muito pra mim é tão pouco/ E pouco eu não quero mais”

“aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê?”

“ilusão, palavra cheia de sentido que significa literalmente ‘em jogo’…”

“If you feel like you wanna make love/ under the stars above/ Love on, love on”

let off steam | an ‘old’ post…

In 16's on July 5, 2009 at 8:08 pm

Everybody has been told me to subscribe “my life” in this award… I can’t!…

Why must I subscribe myself on there??!! … How can we believe on it, again & again?!

And, I’m sorry my friend: I know how much have you been worked on it, but I can’t put my life in a kind of fake-award like that!… I don’t have any hope about it anymore!… I’m out… And you hadn’t given us any hope about it!… It was just for money, wasn’t it? “just”… Better for u … maybe it could better for me… or maybe not … Once again: I’m off…

Finally, one more time: I didn’t subscribe myself on it. I couldn’t do it! Give me first this money and then I’ll work for you! [maybe... maybe not...] … Well, we didn’t subscribe our life on it. [...]

Cheers!

;)

“outrar”, no verbo de Rimbaud

In academic bursary on July 3, 2009 at 5:58 pm

A reflexão de Derrida, por sua vez, dissipa, a meu ver, a alteridade à força de generalizá-la. Se só há diferenças sem referência, não há mais alteridade, mas uma perpétua alteração, produzindo uma pluralidade indefinida. Alteridade provém do termo latino alter, que, como o grego héteron, define-se em função de um pólo de referência, seja ele o Ego, o Mesmo ou o Um. O Outro não passa sem o Um. Não há alteridade sem ipseidade.

É para esta “pertença mútua da Identidade e da Diferença”*2, esse diferendo íntimo entre o Mesmo e o Outro, que gostaria de apontar com o título de meu trabalho. Sua formulação se vale de uma lógica paradoxal, que repousaria não mais no princípio de identidade, mas em uma “relação de alteridade”*3, na qual o Mesmo e o Outro deixariam de excluir-se, para incluir-se mutuamente.

… Mas a modernidade não pode mais localizar essa transcendência em um outro mundo, fazer dela o apanágio de um Ser supremo: ela tende a reavê-la no próprio cerne da imanência. A seus olhos, é nosso mundo e o próprio Eu que se revelam outros. O paradoxo dessa alteridade imanente ao real e ao sujeito está, por exemplo, no centro da reflexão de Octavio Paz…

Baudelaire chamava de profundidade esta outra dimensão inscrita no próprio seio de nosso mundo, e que pode “revelar-se inteira no espetáculo, por natural e trivial que seja, que temos diante dos olhos”*7. Para quem sabe abrir-se para essa profundidade da vida, “o primeiro objeto que aparece se torna símbolo falante”, isto é, ao manifestar-se, é outra coisa que ele manifesta. Esses propósitos baudelairianos, que inauguram o Simbolismo, fundam também, a meu ver, toda uma tendência da modernidade poética que não busca a alteridade em experiências-limite, ou em algum ponto sublime, mas em experiências quotidianas. …

Esse entrelaçamento entre o próximo e o longínquo, entre o Mesmo e o Outro, dá-se também na estrutura de horizonte da coisa mais banal. Para a fenomenologia, uma coisa só pode ser identificada por meio de um duplo horizonte, interno e externo, que a torna suscetível de revelar-se sempre outra, e de entrar em relação com uma infinidade de outras coisas. …


A diferença da palavra poética já deu lugar a diversos mal-entendidos, que se polarizaram em certo momento em torno da noção de desvio, de maneira muito favorável em poéticas de inspiração estilística ou lingüística (como as de Cohen ou de Levine). Essa noção tem por principal inconveniente o estabelecimento de uma noção de exterioridade entre a língua, considerada como uma norma fixa, e a palavra poética, que desde então se define apenas negativamente, como infração ou afastamento em relação a essa norma. Uma concepção como essa me parece típica de um procedimento que separa o Mesmo e o Outro: de um lado, a língua como sistema sempre idêntico a si mesmo; do outro, a poesia como pura negatividade.

Entre o poeta e seu dizer se constitui igualmente uma relação complexa de referência e diferença, um diferendo íntimo perfeitamente resumido pela famosa fórmula de Rimbaud: “EU é um outro”. Essa fórmula recusa, a meu ver, tanto o esquema tradicional da expressão, que reduz o texto a uma simples cópia da subjetividade, quanto uma teoria moderna que, rejeitando com justiça essa identificação, evacuasse o sujeito da escrita ou o limitasse a um simples efeito de linguagem. Mais do que reduzir um ao outro os termos da relação, parece-me mais interessante interrogar a interação entre eles, tentar compreender de que maneira, nos jogos de linguagem, o eu se recoloca em jogo. Ora, é precisamente sobre essa interação que a proposição de Rimbaud nos convida a meditar.

“EU é um outro”: a passagem da primeira pessoa para a terceira assinala o corte entre o sujeito do enunciado e o da enunciação. O eu se descobre outro assim que começa a cantar: “EU é um outro. Azar da madeira que se descobre violino”*18. Aqui, Rimbaud se opõe inegavelmente à teoria tradicional da expressão, segundo a qual o eu, em sua identidade e integridade, seria senhor e garante – auctor – de sua palavra: apenas “velhos imbecis” “egoístas” “se proclamam autores”*19. Ele rejeita a concepção cartesiana que dá ao sujeito a faculdade de coincidir consigo mesmo no ato de pensar: “Está errado dizer: Eu penso. Deveríamos dizer: Pensam-me”*20.

fonte: “O Outro no Mesmo”,  Michel Collot >> http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-106X2006000100003&script=sci_arttext

Eu é um outro.

Tanto pior para a madeira que se descobre violino e zomba dos inconscientes que discreteiam sobre aquilo que pura e simplesmente ignoram.

Não sois Mestre para mim.

Dou-vos isto: será uma sátira como vós dir-eis?

É poesia? Fantasia, é-o sempre.

- Mas, suplico-vos, não a sublinheis com o lápis nem – demasiado – com o pensamento:

Coração Supliciado

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[links enviados pelo Dani]

:)

Thanks!

:)